Mostrando postagens com marcador sobrevivencia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sobrevivencia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Cientistas ensinam como podemos sobreviver a um ataque de zumbis


Cientistas ensinam como podemos sobreviver a um ataque de zumbis


Epidemiologistas pegam carona na cultura pop e recomendam como deveríamos responder caso doenças semelhantes ao“zumbinismo” se tornassem realidade. Vide bula.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Impacto de crise da água é o mais temido por elite mundial


Impacto de crise da água é o mais temido por elite mundial

Seca na represa do Jaguari: crise da água é problema central para países emergentes (Foto: Reuters/BBC)

Pesquisa do Fórum Econômico Mundial é raramente liderada por assuntos não-econômicos.

O impacto da crise da água aparece pela primeira vez no topo da lista de riscos do Fórum Econômico Mundial, ao lado de conflitos entre Estados nacionais. Há nove anos o Fórum apresenta duas listas, elaboradas junto a 900 executivos e especialistas, com os principais riscos para o planeta nos próximos 10 anos.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Campeões de Sobrevivência - Natureza


CAMPEÕES DE SOBREVIVÊNCIA - Natureza


Um dos mais perfeitos organismos conhecidos, com inigualável capacidade para transformar e conservar energia, os jacarés já habitavam a Terra quando os seus primos dinossauros começaram a conquistá-la, há 200 milhões de anos. Depois disso, sobreviveram a todas as tragédias fatais a milhares de espécies - inclusive a grande extinção de 65 milhões de anos atrás, que dizimou os dinossauros. 

sábado, 31 de agosto de 2013

Conheça o fósforo diabólico que é difícil de ser apagado


Conheça o fósforo diabólico que é difícil de ser apagado


Palito de fósforo resiste ao vento, à água, pode até ser enterrado e mesmo assim continua aceso.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Sobrevivência e Sedução - Natureza


SOBREVIVÊNCIA E SEDUÇÃO - Natureza


As flores não são mero capricho da natureza. A cor, o perfume e a forma da onze-horas, por exemplo, fazem parte de uma estratégia de sedução, indispensável para sua reprodução. Modificados ao longo de milhões de anos, as flores fazem tudo para agradar, principalmente aos insetos, o mais numeroso grupo de animais que existe na terra. De carona nas asas ou em outras partes dos corpos desses bichinhos, o pólen de grande número de vegetais consegue atingir outras flores, mais distantes, e assim garantir a geração de herdeiros fortes e saudáveis. Alguns desses truques são tão fascinantes que seduzem até mesmo pássaros e morcegos, que acabam se tornando também involuntários personagens dessa verdadeira epopéia da sobrevivência

sexta-feira, 3 de maio de 2013

As Florestas da Fome - Ambiente



AS FLORESTAS DA FOME - Ambiente



No cenário exuberante das florestas tropicais, a escassez de nutrientes torna a vida dura: plantas e animais têm de lutar para conseguir comida.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O Vaivem do Bumerangue pelo Tempo - Costumes


O VAIVÉM DO BUMERANGUE PELO TEMPO - Costumes



Inventado antes da roda, o bumerangue  mostra que o homem dominava mistérios do vôo há milhares de anos. Transformado num esporte, ele permite entender complicados princípios aerodinâmicos
Dizem dele que lhes deu o mantimento que eles agora têm, que são raízes de ervas; estão bem com ele, já que de um companheiro seu falam mal. E não sei a causa, mas o que ouvi dizer é que as clavas que lhe atiravam voltavam aos que as atiravam e não os matavam! 
(Cartas dos primeiros jesuítas do Brasil - Período 1538-1553, org. Serafim Leite).

Este trecho de carta, escrito no século XVI pelo padre jesuíta Manuel da Nóbrega, descreve um pouco de seu contato com os índios do litoral sul paulista. Impressiona aí não a óbvia hostilidade dos nativos com o estrangeiro, a ponto de lhe atirar clavas, mas o fato de as clavas irem e voltarem sob controle - não seriam essas clavas, por acaso, bumerangues??

Embora não se possa afirmar com certeza, por falta de provas arqueológicas, essa carta sugere que os tupis-guaranis já se valiam de algum tipo de bumerangue. Para quem tinha na cabeça somente a velha idéia de que os inventores do bumerangue foram os aborígenes australianos, esse dado pode parecer surpresa. Os especialistas modernos, na verdade um pequeno grupo, não se espantam, porque sabem que o bumerangue tem uma história parecida com a do arco e flecha - atravessa civilizações e tempos históricos, sem que alguém saiba ao certo quem o inventou, quando ou como. Certeza mesmo só se tem sobre sua fidelidade às origens. O bumerangue, desde que nasceu, é o mesmo engenho aparentemente simples, quase um brinquedo, mas com uma configuração aerodinâmica bem complicadinha. O bumerangue mais velho de que se tem noticia foi encontrado na Polônia, em 1987, recebendo pela datação com carbono a idade de 23 000 anos. Nesse tempo, no Período Paleolítico Superior, o homem ainda vivia à base de caça e coleta de alimentos e usava ferramentas de pedra. Surpreendente que alguém, lá pelo Hemisfério Norte, soubesse fazer um objeto voador esculpido em presa de mamute.Os homens ainda viviam rudimentos de civilização, mas alguns já podiam, ainda que de forma indireta, imitar o vôo dos pássaros. E souberam fazer um objeto voar no céu antes de colocá-lo a rodar pelo chão, uma vez que a roda só foi inventada cerca de 15 000 anos mais tarde. Outros registros revelam bumerangues, também na Europa e na Índia, de épocas tão diversas como 7000 a.C. e 300 a.C. É difícil achar um bumerangue assim tão antigo por causa da fragilidade da madeira, material de que normalmente são feitos, pois ela se degrada em poucos anos quando em contato com o chão e exposta às intempéries.Enquanto isso, na Austrália, o bumerangue também cortava o céu em seus primeiros vôos, que aconteceram entre 8 000 e 10 000 anos atrás. Cruzando culturas, ele esteve ainda no Antigo Egito, sobretudo no período do faraó Tutancâmon (1361-1352 a.C.), em cuja tumba foram encontrados diversos bumerangues de marfim recobertos de ouro. As margens do Nilo, pinturas da época indicam que jogar bumerangue era um esporte da elite. Até na América esses objetos voadores foram parar: além do litoral sul brasileiro, foi encontrado um bumerangue de 200 anos na Amazônia, outros entre os índios hopis do deserto da América do Norte e há indícios de que os incas nas montanhas peruanas também conheciam seus segredos.E como civilizações tão diversas e distantes, na geografia e no tempo, puderam desenvolver o mesmo instrumento? Só especulações respondem a esse enigma. Supondo-se que não foram os aborígines australianos os inventores dos bumerangues, pois já existiam muito antes na Europa, então eles o conheceram a partir de algum contato entre os grupos humanos. Se houve tal contato, por que os aborígines não tomaram conhecimento também do arco e flecha. uma arma muito mais eficiente? Ainda não se conhece resposta para essas dúvidas. Mas sabe-se muito bem que nem todo pedaço de madeira torto que voava era um bumerangue.O ex-piloto francês Jacques Thomas, em seu livro Magie du boomerang (Magia do bumerangue, não lançado no Brasil), define o bumerangue, seja antigo ou moderno, como um aparelho com duas asas retas ou curvas, de perfil aerodinâmico determinado, ligadas uma à outra por uma extremidade, situadas no mesmo plano e cujos eixos longitudinais formam entre eles um ângulo mais ou menos aberto. Guardadas essas condições, tudo vale, desde que o aparelho vá e volte. Se for e não voltar, não será um bumerangue, mas um bastão de arremesso. E aqui que começa a incorreta lenda de que o bumerangue seria uma arma de caça, que mata uma presa e volta-o que não se dá, mesmo porque, depois de acertar o bicho, o bumerangue ficaria por ali mesmo.O bastão de arremesso é bem mais pesado que um bumerangue,  podendo chegar a mais de 350 gramas, e o ângulo formado por suas asas é mais aberto. Quando lançado, segue girando sobre si mesmo até uma distancia de cerca de 150 metros. A vantagem de ter uma configuração aerodinâmica, ao contrário de um galho de árvore em estado bruto, é que isso lhe permite voar tão longe. Os australianos jogavam bumerangue apenas por diversão, ou para treinar caçadores. Enquanto arma de caça, o bumerangue só funcionava por vias tortas. Os aborígines estudavam a rota dos pássaros e nessa direção colocavam armadilhas no chão. Quando chegavam as aves, eles arremessavam os bumerangues e imitavam o grasnido dos falcões. Como os falcões atacam de cima para baixo, os pássaros fugiam em descida para o chão, caindo assim nas armadilhas, onde eram mortos a golpes de porrete. 

Assim como ninguém sabe se o bumerangue foi inventado por todos os povos que o utilizaram, ou se seu uso se difundiu pela comunicação, também se desconhece como alguém descobriu que aquele objeto podia voar. Duas hipóteses são consi-deradas: ou é um desenvolvimento do bastão de arremesso, ou foi pensado a partir da observação da queda da folha de eucalipto e algumas sementes aladas, que chegam ao chão girando sobre si mesmas. Nem quanto à origem do nome existe consenso. Uns dizem que vem do modo como os aborígines chamavam o vento, "boomori" ou "bumarin". Outros que é a transformação da palavra "woomera" nome com o qual algumas tribos australianas chamavam uma alavanca de impulsionar lanças. Uma terceira corrente diz que é parecido com o nome que Ihe davam os turuwals. encontrados em 1770 pelo capitão inglês James Cook, quando desembarcou na Austrália-"bou-ma-rang".Seja quem for o desconhecido inventor, ele percebeu há milhares de anos os princípios aerodinâmicos que fazem o bumerangue voar. Hoje, encontram-se em seu vôo princípios semelhantes ora aos de um frisbee, um disco voador, ora aos de uma hélice, das asas de avião ou do rotor de helicóptero. Um bumerangue clássico, à primeira vista, é uma asa de avião, com um dos lados invertido: seu perfil é planoconvexo, ou seja, plano na parte de baixo (intradorso) e convexo na parte de cima (extradorso). Esse perfil aerodinâmico fuselado é que permite a sustentação: as moléculas de ar passam mais depressa pela parte de cima, criando assim uma zona de baixa pressão, e a pressão maior na parte de baixo mantém o bumerangue no ar. Reconhece-se um perfil fuselado pela existência de um bordo de ataque, arredondado, que primeiro encontra o ar, e um bordo de fuga, achatado, por onde o ar escapa. Na asa de avião, os dois bordos de ataque são virados para a frente. O bumerangue, para rodar, tem o bordo de ataque de um dos lados virado para trás. 

A presença de ar é que cria as condições para seu retorno. Um bumerangue típico, feito de madeira compensada naval, deve posar no mínimo entre 70 e 80 gramas, para que não seja perturbado por brisas leves, embora ventos fortes possam interferir em sua trajetória. Quando o lançador arremessa-o para a frente, seu braço age como uma catapulta, transferindo ao bumerangue a energia cinética que o fará voar, e um golpe seco da mão solta-o girando sobre si mesmo. Pelas contas do francês Jacques Thomas em seu livro, o bumerangue parte com uma velocidade em torno de 90 quilômetros por hora e uma rotação de 10 giros por segundo.Para poder realizar a trajetória curva e voltar, o bumerangue deve ser largado com uma inclinação em relação ao eixo vertical de cerca de 10 a 40 graus. Ele inicia o vôo numa linha quase reta, até que as forças que interferem em sua trajetória vençam sua inércia e comecem a desviá-lo para a esquerda. Ao mesmo tempo em que ganha altitude, ele começa a se inclinar para a direita e se "deita", iniciando depois o retorno em direção ao lançador, a quem vai chegar praticamente na horizontal. Embora tenha cara de asa de avião, o bumerangue faz essa trajetória circular porque seu vôo mistura artes do disco voador e do helicóptero.Ao girar sobre si mesmo, o bumerangue se comporta como um disco, ou, melhor ainda, como um giroscópio. Um exemplo de giroscópio é uma roda de bicicleta. Quando está parada, ela tomba para o lado; em movimento, porém, possui a chamada propriedade de fixação no espaço, que a faz continuar rodando e conservar seu eixo de rotação, resistindo por inércia a qualquer força que tente modificar seu equilíbrio. Se alguém, segurando-a pelo eixo, tentar mudar sua direção, entrará em cena uma outra propriedade, a precessão giroscópica, que faz com que a reação se dê 90 graus à frente do local onde uma força foi aplicada. Ou seja, se uma força for aplicada no topo, em vez de a roda tombar para o chão, ela vai, de pé, desviar-se para o lado. No bumerangue em rotação, a asa que está na metade superior do círculo roda com mais impulso do que a asa que está embaixo. Isso cria o fenômeno da precessão giroscópica. A força aplicada na parte de cima resulta num desvio na frente, como acontece com a roda da bicicleta. Aí entra em cena a semelhança com o helicóptero.Para algum objeto se sustentar no ar, ou tem o perfil aerodinâmico da asa do avião ou está inclinado em relação ao vento, que passa por baixo dele e o levanta. É fácil perceber essa segunda condição colocando-se o braço para fora de um carro em movimento: se o braço e a mão estiverem retos, paralelos com o chão, o ar passa por cima e por baixo sem perturbá-los. Basta inclinar um pouco a mão para a força do vento empurrar o braço para trás. Dessa maneira é que as pás do rotor de um helicóptero, inclinadas, "seguram" o vento.Pois, quando o bumerangue, jogado já com inclinação, desvia-se pelo efeito da precessão giroscópica, levanta a frente e cria um ângulo de ataque ao ar igual ao da pá do helicóptero, pela inclinação. Por causa da velocidade do bumerangue, esse ângulo de ataque é capaz de gerar uma configuração aerodinâmica cuja soma de forças resulta, na vertical, em uma nova força, que suspende o bumerangue contra a ação da gravidade; na horizontal, o resultado é uma força centrípeta (força que faz um objeto descrever uma trajetória circular), que encurva sua trajetória para a esquerda (num bumerangue para destros). Por isso ele voa aproximadamente em círculo e volta, quando jogado corretamente.É bem provável que os pré-históricos inventores do bumerangue não se dessem conta de tanta teoria para explicar o vôo daquele objeto de madeira em forma de V. Mas hoje, quando os aborígines mantêm-no vivo menos por tradição do que para vender como souvenirs a turistas, o bumerangue virou esporte e conta com aficionados em quase todo o mundo, que vivem se correspondendo, trocando informações e estudando os princípios físicos que tornam seu brinquedo tão interessante. 

Feito em casa

Passo a passo, um jeito fácil de construir um bumerangue simples em sua própria casa1 Pegue uma placa de madeira compensada de 6 milímetros de espessura. Risque 25 centímetros de comprimento e 4 centímetros de largura. Com um círculo de cartolina de 12 centímetros de diâmetro encostando nos lados internos, trace a linha curva superior. Coloque depois o círculo na parte externa e trace outra curva.2 Com um círculo de 6 centímetros de diâmetro risque a curva da ponta da asa. Serre o bumerangue com uma serra elétrica comum. 3 Olhando o bumerangue como um V invertido, desgaste um pouco a borda externa no intradorso da asa direita. No extradorso, faça um desgaste inclinado na parte interna, até o meio do bumerangue, para criar o bordo de fuga.4 Ainda nessa asa, apenas arredonde a parte externa, para criar o bordo de ataque.Repita os mesmos desgastes no extradorso da asa esquerda, mas inversamente-bordo de ataque na parte interna e bordo de fuga na parte externa. Não desgaste o intradorso da asa esquerda.5 Lixe o bumerangue até ficar bem liso, envernize-o e pinte-o com tinta spray. 6 Segure o bumerangue firmemente com a parte lisa voltada para a palma da mão direita. Dobre o braço por cima do ombro para dar impulso e depois lance-o para a frente. Solte-o com um movimento seco do punho. 

Duelo ao Pôr do Sol - Natureza


DUELO AO PÔR-DO-SOL - Natureza



Nos recifes de coral, o entardecer é um tempo de conflito: a luta pela vida, exacerbada, mobiliza as energias de presas e predadores, peixes a caminho do repouso e outros que despertam para a noite

Os seres humanos são criaturas de hábitos diurnos. Essa observação, em si mesma, pode não significar muita coisa, mas tem algumas implicações para aqueles que se interessam em conhecer melhor os recifes de coral. A maioria dos mergulhadores, com ou sem cilindros de ar comprimido e demais equipamentos, se lança ao mar dia claro, digamos entre 9 da manhã e 3 da tarde. Ora, como uma visita a qualquer ambiente subaquático, seja qual for o traquejo do visitante, é sempre uma incursão por uma região fundamentalmente estranha de um mundo não domesticado, faz sentido. Mergulhar de dia é mais seguro porque permite enxergar melhor. A desvantagem é que, por maravilhoso que o recife de coral pareça durante o dia, só se tem nessas horas uma visão incompleta do que acontece ali.
Ao meio-dia, o recife está quase adormecido. Peixes diurnos de vivo colorido vasculham a área à procura de algas e de plâncton para comer. Anêmonas rosadas seguem preguiçosamente a correnteza atrás de uma refeição que esteja de passagem. Os duros corais estão em repouso, seus pólipos firmemente enrolados. E, mesmo predadores como o oportunista peixe trombeta (Fistularia tabacaria), que não é especialmente exigente quanto ao cardápio, exibem o seu melhor comportamento. Todos conhecem as regras; todos sabem o que esperar; todos mantêm uma distância segura do perigo. O resultado é uma aparência de paz capaz de induzir o mergulhador à conclusão de que o recife de coral é tão aprazível para seus habitantes quanto para os turistas que o vêem como um pedaço do paraíso.
Até a investida ocasional de um cardume de vorazes xaréus (Caranx) ou de uma solitária e veloz barracuda (Sphyraena barracuda), um acontecimento que dispersa os peixes dos corais num relâmpago de medo e fuga, mal consegue dissipar a impressão de que o coral é um lugar sossegado, uma espécie de santuário marinho onde reina a ordem. Regra geral, a impressão é correta. Como nós, os bichos se organizam de acordo com determinadas rotinas, obedecem a padrões de comodidade que evitam o desperdício de energia. Os peixes precisam de tempo e de atenção para alimentar-se e procriar; em conseqüência, as relações entre as criaturas dos corais são quase sempre estáveis. E isso vale também para o grupo de bichos que circula por ali à noite, os peixes de hábitos noturnos e os invertebrados que às vezes podem ser encontrados dormindo nas reentrâncias e fendas do coral.
De fato, na maioria das vezes, os mergulhadores percebem peixes diurnos repousando tranqüilamente em muitos dos mesmos dormitórios usados durante o dia pelos peixes noturnos. Quase nada, em pleno dia ou à noite fechada, desfaz a sensação de paz que ali se vislumbra. Visite-se, porém, o recife durante a "mudança de turno", o período entre a claridade e a escuridão, a hora em que a luz está partindo - e aquela sensação de tranqüilidade irá desaparecer. Cerca de uma hora antes do crepúsculo, quando os raios de sol incidem bem obliquamente na água, ocorre entre os peixes um aumento de atividade que parece corresponder a um aumento de ansiedade. Há um forte motivo para isso: o período crepuscular é tempo de intensa atividade no cotidiano dos animais ictiófagos, os que se alimentam de peixes. Eles se aproveitam da diminuição da luz para atacar não só os peixes a caminho das tocas onde costumam passar as noites, como principalmente os que, ainda sonados depois de um bom dia de descanso, deixam esses mesmos esconderijos.
Peixes-lagartos ( Synodus intermedius ), garoupas (Epinephelus morio ), os já mencionados xaréus e barracudas, badejos (Mycteroperca Gill), mangangás (Scorpaena plumieri) e outros predadores oportunistas tornam-se especialmente ativos durante o crepúsculo, quando a inclinação dos raios solares ressalta a silhueta dos bichos marinhos, facilitando muito a caça. Disso sabem muito bem os aficionados da pesca (para não falar nos pescadores profissionais) que anos a fio abrem mão do jantar em família para estar na água ao anoitecer.
É quando os peixes que passaram o dia se alimentando do plâncton suspenso na água começam a se reunir e a tomar o rumo do recife. Cardumes de barbeiros (Acanthurus coeruleus), bodiões (Sparisoma viride) e salmonetes (Mulleidichtys martinicus), entre outros, que haviam deixado o recife pela manhã para uma jornada dedicada à caça e/ou ao acasalamento, regressam então aos seus esconderijos noturnos.
A viagem de volta é bastante diferente das excursões diurnas ao redor do recife. Na ida, sem pressa, os peixes gastam sossegadamente o tempo a explorar recantos promissores, intrometendo-se em territórios alheios, xeretando em torno de uma cabeça-de-coral. Já no regresso, o tempo é valioso, a viagem é a sério. Tudo o que esses peixes querem é chegar logo em casa; por isso usam a mesma rota dia após dia. Tal rotina, embora economize esforço, torna esses migrantes diurnos vulneráveis aos astutos caçadores do crepúsculo, de tocaia ao longo de tais rotas, que engordam à custa dos viajantes. Os barbeiros, por exemplo, juntam-se ao anoitecer em cardumes compactos e seguem pelo fundo a toda a velocidade, por um caminho previsível, rumo à proteção do recife. Os retardatários, obviamente os mais vulneráveis, aceleram o nado para alcançar o cardume a fim de não serem apanhados sozinhos por um esperto, atento devorador de peixes.Não surpreende que os peixes diurnos fiquem irritadiços, sendo comuns entre eles as perseguições e as exibições de agressividade, sobretudo quando está em disputa um lugar de repouso. Ao anoitecer, por causa dessa ansiedade exacerbada, é especialmente difícil fotografar peixes. Assustados com o mergulhador e ainda mais com as luzes, não ficam quietos durante os dez segundos muitas vezes necessários para serem fotografados.
Esse período de elétrica inquietação não dura muito, porém. Passados dez minutos do pôr-do-sol, quase todos os peixes diurnos já encontraram abrigo e há um breve período em que todo o recife fica calmo. Enquanto a turma do dia corre a se esconder, a turma da noite acorda devagar e emerge cuidadosamente de seus esconderijos. Uns trinta minutos antes do pôr-do-sol, predadores noturnos, como o fogueira (Myripristis jacobus) e o jaguareçá (Holocentrus refus), vagarosamente começam a se arrastar para fora do recife, mas se comportam como se de alguma forma um fio invisível os mantivesse ligados a ele. Tais peixes são tipicamente cor de ferragem, vermelho-escuros ou ainda cor de cobre, tonalidades que tornam difícil enxergá-los na água noturna praticamente opaca onde se movem. É notável, ao se olhar para baixo ao longo da parede do recife de coral, no momento em que a luz diminui, o aparecimento dessas manchinhas avermelhadas, prestes a sair para mais uma noitada.Ao contrário dos peixes diurnos, que habitualmente se alimentam perto da proteção do recife, algumas espécies de hábitos noturnos não raro percorrem grandes distâncias em busca de comida. Muitos passam a o noite banqueteando-se com a relativa abundância de plâncton que se ergue das profundezas quando o sol se põe. Outros, como as corcorocas (Haemulon flavolineatum) que emitem um som que lembra um cacarejo, deixam o recife e se deslocam para leitos cobertos de vegetação onde se nutrem de invertebrados.
Para assegurar que seus passeios não atrapalhem a discrição, eles mudam de cor, trocando as listas vivas por um traje mais apagado de pois borrados. Mas, como percorrem invariavelmente os mesmos caminhos de saída do recife, corcorocas e outros peixes noturnos também ficam vulneráveis às investidas dos predadores oportunistas. Peixes-lagartos, de tocaia ao longo do percurso habitual das corcorocas, jantam os mais fracos e mais jovens; embora as presas se mantenham perto do fundo para serem menos visíveis à luz poente, muitas cometem erros fatais com freqüência suficiente para manter o nível das populações de peixes-lagartos e outros predadores.
Assim como as corcorocas garantem o sustento dos peixes-lagartos, a piaba do mar (Pempheris schomburgki), outro peixe noturno, é o manjar predileto dos peixes-trombetas e dos badejos. Na verdade, apesar da extrema ansiedade dos peixes diurnos de regresso ao fim do dia, tudo indica que os predadores do crepúsculo preferem os peixes de hábitos noturnos que se aventuram pelas águas perigosas ao redor do recife logo após o pôr-do-sol. O fato de que muitos peixes diurnos são herbívoros e de que a maioria dos noturnos é carnívora leva a suspeitar, com razão, de que a população de invertebrados muda junto com a de peixes quando anoitece.
Muitos crustáceos, vermes marinhos, estrelas-do-mar e moluscos saem à noite, para virar comida de raias (Dasyatis say), jaguareçás e outros peixes noturnos. Um mergulho à noite poderá revelar também ofiuróides enfrentando a corrente com seus longos braços preênseis e sensíveis à luz; lírios-do-mar encarapitados em esponjas ou cabeças de coral; lagostas, ofiúros, ceriantos e ouriços-do-mar raspando algas das pedras e de outras superfícies duras - e, é claro, o recluso polvo, talvez o mais impressionante e assustador invertebrado que se pode encontrar em um mergulho noturno. A "mudança deguarda" entre os invertebrados também ocorre durante o periado crepuscular, mas não parece caracterizar-se por um estado de ansiedade comparável ao dos peixes. Nada a estranhar nisso, dada a simplicidade do sistema nervoso da maioria dos invertebrados. Talvez os filósofos sejam capazes de responder se é preferível passar da claridade às trevas com o apático destemor dos camarões e dos lírios-do-mar ou com a frenética ansiedade dos barbeiros. Para os naturalistas, já é recompensa bastante observar as mudanças que os períodos crepusculares produzem nos recifes de coral.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Civilização das Baratas - Natureza


CIVILIZAÇÃO DAS BARATAS - Natureza



Compartilham a casa do homem e sobrevivem nos mais diversos ambientes. Transmitem doenças terríveis e proliferam apesar das chineladas e dos inseticidas.

As seis patas espinhentas e ágeis da barata são capazes de transportar algo muito mais detestável do que o próprio inseto. Em algum ponto daquele corpo pode estar alojada a microscópica bactéria da peste, ou a da febre tifóide ou, pior ainda, o vírus da poliomielite. Uma espécie particular de virose - Herpes blattae - é facilmente disseminada devido ao abominável hábito que as baratas têm de roer os lábios das pessoas durante o sono. Além de recolherem partículas de alimentos que permaneceram aderidas aos cantos da boca, as baratas costumam introduzir a cabeça nas narinas dos adormecidos para saborear demoradamente as secreções nasais. É claro que este comportamento qualifica a barata, pelo menos em potencial, como uma perigosa vetora de doenças. Ela contribui também para a transmissão da cólera, da bouba, do carbúnculo e de vários tipos de conjuntivite.
Qualquer tipo de barata doméstica representa um dos subprodutos mais corriqueiros das civilizações e quando prolifera com facilidade transforma-se num indicador de falta de higiene. Desde que passaram a desfrutar de novos abrigos e fontes de alimento, graças aos descuidos com a limpeza dos antigos agrupamentos humanos, algumas espécies de baratas revelaram-se ávidas degustadoras de tudo o que serve de comida para nós. E do que não serve também. Atualmente, as baratas que se tornaram caseiras não poupam sequer os fios dos eletrodomésticos.
Para nós é reconfortante saber que das mais de 3 mil espécies de baratas que habitam o planeta apenas quatro são consideradas prejudiciais à saúde pública, por terem se tornado insetos caseiros. As demais espécies se mantêm a distância dos seres humanos, espalhadas por quase todos os ambientes naturais, sobrevivendo em regiões tão divergentes entre si como os desertos e as florestas tropicais. A grande barreira ecológica para esses insetos é o frio intenso, mas nem mesmo isso privou os lapões - que habitam o norte da Europa - do convívio noturno com uma minúscula e incômoda baratinha que costuma se aquecer em seus dormitórios.
As baratas caseiras não representam nenhum papel na cadeia ecológica: elas são apenas uma praga. Já as suas irmãs silvestres desempenham variadas tarefas na reciclagem de material orgânico vegetal e animal e servem de alimento para vários predadores, animais noturnos como elas. A distribuição geográfica das baratas caseiras ampliou-se bastante na época das grandes navegações. As antigas caravelas costumavam transportar milhares de baratas através dos oceanos, deixando que elas fundassem novas e prósperas colônias nos continentes recém-descobertos.
O relato mais impressionante sobre o problema das baratas em viagens transoceânicas foi feito em 1587 por Sir Francis Drake, um intrépido comandante a serviço da rainha da Inglaterra. Depois de tomar dos espanhóis o valioso galeão San Felipe, ele descreveu em seu diário de bordo o início de uma nova e terrível luta contra a incalculável multidão de baratas que infestava a nau espanhola. Drake acabou perdendo a batalha para elas e a sua derrota revelou-se um sombrio prenúncio de que as baratas não deixariam tão cedo de atormentar os viajantes marítimos.
Para quem já tentou eliminar uma barata, o aparente insucesso do famoso pirata inglês não causa espanto. O animal é capaz de se arrastar dezenas de metros com as vísceras expostas devido a uma potente chinelada, esconder-se e ser visto mais tarde roendo restos de comida no mesmo local onde havia sido surpreendido. Mesmo depois de decapitadas, as baratas conseguem se evadir com a agilidade de sempre. Um gânglio nervoso situado no tórax substitui parte das funções do cérebro e passa a coordenar os movimentos da fuga. Se a barata sem cabeça corre, como de costume, para um lugar escuro é porque seu corpo possui um revestimento de células sensíveis à luz. Assim, mesmo desprovida dos olhos, ela consegue localizar as sombras e desaparecer na escuridão.
Na verdade, os olhos não desempenham uma grande função para essa típica passeadora noturna. De muito maior importância são as duas longas antenas recobertas por milhares de poros e de pelinhos microscópicos. Operando como órgãos táteis e olfativos simultaneamente, as antenas revelam uma espantosa acuidade sensorial ao detectar substâncias nocivas ao inseto, protegendo-o contra as poderosas iscas venenosas e inseticidas líquidos usados para combatê-lo.
As antenas também são utilizadas como sensores de direção. Sem elas, as baratas perdem a noção de estar indo para a direita ou para a esquerda. Numa experiência que se tornou clássica, várias baratas foram submetidas a pequenos choques elétricos quando fugiam para uma das extremidades de um tubo em forma de T. Elas aprenderam a superar a sua normal aversão pela luz e passaram a correr para o lado luminoso depois de levarem choques sucessivos dentro do braço escuro do tubo. Mas, com uma das antenas removida, o inseto já não apresentava mais o resultado do treinamento. A amputação da antena esquerda de uma barata treinada para fugir para esse lado causava-lhe quase sempre uma desastrosa evasão à direita, encaminhando-a aos fios elétricos. Essa experiência também demonstrou que a velocidade e a retenção do aprendizado é bastante desigual entre baratas da mesma espécie. O número de choques usado para treiná-las foi de vinte a cem. Depois, verificou-se que baratas diversas retiveram o aprendizado por um tempo que variou de cinco minutos a uma hora.
Comprovadamente, o cérebro de uma barata não é o responsável pelo excelente desempenho desse tipo de inseto na luta pela sobrevivência. Admitimos que a barata seja um "bicho que deu certo", porque ela pouco modificou sua estrutura externa quando comparada com os fósseis de suas ancestrais, insetos que existiram há 320 milhões de anos. O ambiente em que viveram as baratas pré-históricas assemelhava-se ao de uma luxuriante e superúmida floresta tropical. Foi naquele cenário que, em circunstâncias desconhecidas, alguns grupos de baratas passaram a diferenciar-se acentuadamente dos demais, não só na anatomia mas, sobretudo, no comportamento. Lentamente, nos agrupamentos de baratas mutantes surgiram procedimentos típicos de insetos sociais e suas congregações passaram a se organizar em castas orientadas para a execução das variadas tarefas de construção, reprodução, defesa e obtenção de alimentos. Por fim, elas alcançaram os dias de hoje estruturadas em sólidas sociedades que viemos a denominar de termiteiros ou cupinzeiros.
Cupins e baratas são tão aparentados entre si que um especialista já propôs reuni-los numa mesma ordem de insetos. Curiosamente, os dois caminhos evolutivos seguidos por esses insetos culminaram nas formas atuais, combatidas pelo homem.
Um fato notável: dezoito espécies de microorganismos encontradas no trato digestivo de uma barata norte-americana são da mesma família encontrada nos intestinos dos cupins. Esses protozoários e bactérias atuam auxiliando o inseto na digestão de substâncias resistentes como, por exemplo, a celulose. Eles podem ser transferidos artificialmente do organismo da barata para o do cupim e, assim mesmo, continuarem a se reproduzir com sucesso. Complexas adaptações entre microorganismos e insetos demonstram que as relações entre eles são simbióticas, isto é, esses relacionamentos são de vital importância para ambos. Isso ficou comprovado quando se descobriu que os insetos podem apresentar os mais diversos mecanismos de transferência de microorganismos para seus descendentes.
Nas baratas, as bactérias simbiontes migram do intestino para os ovários, instalam-se sobre a superfície dos óvulos do inseto e, depois, infiltram-se dentro deles, garantindo sua "cadeira cativa" nas baratinhas da geração seguinte. No momento da postura, um pequeno aglomerado de ovos fica protegido por uma rígida embalagem fabricada por glândulas abdominais do inseto: a ooteca ou ovoteca. A dureza da ovoteca é resultante da mistura de duas substâncias que só endurecem quando entram em contato, reagindo entre si como acontece com certas colas dotadas de grande poder de adesão (e vendidas em dois tubos separados). A enorme barata caseira, de colorido castanho-avermelhado, deposita dezesseis ovos em cada ovoteca. Ela vive no máximo dois anos, mas consegue produzir em média cinqüenta ovotecas e gerar, ao menos em teoria, uma descendência de oitocentas baratinhas, que demoram 45 dias para nascer. Mesmo que apenas uma minúscula parte delas atinja a idade adulta, escapando de parasitos, predadores e dos produtos químicos aplicados para exterminá-las, podemos ficar certos de que surgirão aos milhares ao menor descuido em nossa vigilância. A barata avermelhada é uma das quatro espécies que atingiram o grau de "doméstica", o que significa que dificilmente nos livraremos dela.

Medo de barata

- Barata? Bicho nojento...
- Medo? Nenhum... Pensando bem, só de barata. Comentários desse tipo não são incomuns, do mesmo modo que não é raro ver gente subindo em mesas ou cadeiras para fugir desse pequenino ser. E incrível como o homem, apesar de sua racionalidade, sente-se à mercê de um inseto frágil, desprovido de recursos para agressão. Só mesmo a mente humana poderia tê-lo transformado num monstro tão forte e poderoso, capaz de fazer uma pessoa literalmente gritar de pavor.
O absurdo dessa contradição pode ser percebido por qualquer observador, mas não faz sentido para quem vive tal angústia. Ela pode até parecer um medo real da barata, mas não é. É de seus próprios impulsos agressivos, muitas vezes sentidos como inadmissíveis e por isso mesmo inacessíveis ao conhecimento, que a pessoa tem medo. E como a mente humana precisa, de alguma forma, lidar com essas suas peculiaridades, prega uma peça na pessoa que não consegue ter esse contato íntimo consigo mesma.
A mente passa, então, a mostrar claramente à pessoa que sentimentos hostis existem - contanto que sejam manifestados contra a barata. O medo real é do que se passa dentro, e não fora da pessoa. O de fora apenas se ajusta certinho a esses medos, que tanto podem ser de baratas como de ratos, cobras ou seja lá o que for capaz de lembrar o que de ruim pode nos acontecer: doenças, morte, impotência etc. São horrores guardados nos nossos porões, muitas vezes sentidos como se fossem esgotos parecidos com os que servem de morada às baratas: cheios de sujeiras e coisas estragadas.
Como não é fácil tomar consciência desses sentimentos, a pessoa tende muitas vezes a deixá-los intocados. Sente por eles a mesma repugnância que sente pela barata. Por sinal costuma-se chamar essa repugnância de nojo, a mesma palavra que designa situações de luto, tristeza ou mágoa profunda. Nas situações difíceis de suas vidas, que não estão prontas para suportar ou administrar, tais pessoas sentem-se enojadas, com um terrível mal-estar psicológico. Também essa repugnância pela situação problemática é parecida com a que se passa em relação à barata. Ambas se apresentam sorrateiramente, ameaçando nossa onipotência (desejo de poder qualquer coisa, inclusive acabar com as baratas). Manda-se embora, e elas voltam. Mostram a impotência da pessoa, sua incapacidade de enfrentar o inesperado.
Certamente, para quem não tem acesso às suas próprias situações interiores, essa explicação não terá sentido. Tais pessoas ainda não se deram conta da existência de seu mundo interno, cheio de medos, angústias, fantasias, embora sejam exímias observadoras das situações externas de medo - são as chamadas medrosas, que gritam de pavor diante de uma barata. Mas que ninguém se iluda. Nesse caso, não há medo real, apenas a busca de uma forma mais simples de lidar com aquelas aflições e angústias.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Encantadas Galapagos - Arquipélago

ENCANTADAS GALÁPAGOS - Arquipélago



Com suas paisagens lunares e animais bizarros, um dos arquipélagos mais jovens da Terra ajuda a entender a origem da vida.

São cinco ilhas, dezenove ilhotas e quarenta e sete rochedos expostos aos tórridos raios do sol equatorial e, ao mesmo tempo, cercados por águas anormalmente frias para a região. Em terra, o solo escuro, basáltico, não cessa de absorver calor. Cavernas e vulcões, florestas e desertos são povoados por animais de comportamento estranho, com os quais o homem aprende lições fundamentais para entender a evolução das espécies. Estamos no Oceano Pacifico, a 965 quilômetros da costa do Equador, no arquipélago cujo nome oficial, Colombo, ninguém usa e que é conhecido por uma palavra que evoca invariavelmente ásperas paisagens e seres pré-históricos-Galápagos.
Mas, na verdade, essas ilhas formadas por erupções sucessivas de vulcões submarinos são geologicamente jovens - muito mais jovens, por exemplo, que a América do Sul, surgida há pelo menos 65 milhões de anos. A mais antiga das rochas da ilha de Espanhola não tem sequer 2 milhões de anos. As Galápagos, com tantas espécies nativas de flora e fauna, surgiram muito depois do aparecimento da vida no planeta.
Isso dá origem a inúmeras teorias de como o arquipélago foi originariamente habitado. Provavelmente, os ventos fortes que sopram do continente, formando ondas velozes no mar, carregaram grãos de terra, sementes e fetos que acabaram sendo os primeiros colonizadores do basalto; de seu lado, os pássaros também devem ter transportado sementes nas penas e patas. Mas a gélida corrente de Humboldt, que sobe da Antártida pelo Oceano Pacifico, é a protagonista da maioria das teorias. Acredita-se que ela teria transportado, sobre troncos que serviram como balsas naturais, vários animais apanhados no caminho. como o iguana dos mares do sul e o pingüim do Pólo.
Por causa dessa corrente, a temperatura das águas em torno das Galápagos fica apenas em 20 graus centígrados aproximadamente; enquanto no ar a temperatura varia de 17 a 30 graus, nas zonas mais frias, e de 36 a 45 graus, nas áreas mais quentes. Galápagos tem seis zonas climáticas diferentes - um dos motivos da enorme diversidade de espécies, espalhadas pelos 7 800 quilômetros quadrados do arquipélago. A maior ilha, Isabela, ocupa mais da metade do total: 4 588 quilômetros quadrados, cerca de setecentos a menos que a área de Brasília.
À primeira vista, o arquipélago parece um campo negro de lavas. Nas rochas surgidas de pedreiras submarinas. o vento e a água esculpiram blocos lisos como muralhas naturais e escarpas perfuradas como esponjas. A paisagem, às vezes, é lunar. Mas no litoral há mangues e lagunas protegidas -local predileto dos flamingos. As areias das praias desertas variam do branco-amarelado aos inusitados verde e roxo.
Há vulcões por todo o arquipélago. O maior deles, o Wolf, em Isabela, com 1075 metros de altura, é cercado por 2 500 minivulcões com menos de 150 metros. É à beira das crateras vulcânicas que vivem os corvos típicos das Galápagos, com suas asas atrofiadas. Mas essa não é a única espécie exclusiva do lugar. O pingüim das Galápagos. o único que se aventurou até o Equador, é o menor pingüim do mundo: com menos de um metro, parece um anão perto de seus parentes do Pólo Sul.
O albatroz que vive na ilha de Espanhola também é a única das treze espécies dessa ave a morar nos trópicos. Os iguanas, répteis de 60 centímetros com cara de monstrinhos pré históricos e que são encontrados em quase toda a parte do arquipélago, possuem glândulas especiais, para poderem beber à vontade a água salgada das ilhas sem dano ao organismo. Mergulhões de pés azuis, uma espécie de ave marinha, também só são encontrados lá.
Mas sem dúvida são as tartarugas gigantes os habitantes mais ilustres das ilhas-tanto que deram nome ao arquipélago: galápago, em espanhol arcaico, é o nome desses animais, que medem mais de um metro de comprimento, pesam cerca de 300 quilos e vivem, em média, 250 anos. Com um certo exagero, um marujo inglês do século XVII deixou escrito em registros de bordo que se podia atravessar uma ilha sobre uma trilha formada apenas por cascos das tartarugas.
Quando as ilhas Galápagos foram descobertas, em 1535, pelo bispo do Panamá, Tomás de Berlanga, deviam amontoar-se ali cerca de 250 mil tartarugas gigantes. Hoje, não restam mais de seis mil; quatro das espécies encontradas antigamente estão extintas. As tartarugas foram uma das maiores vítimas da chegada do homem. Segundo arquivos da marinha norte-americana, no século XIX um único navio carregava até catorze toneladas de tartarugas em apenas quatro dias de buscas; a frota dos Estados Unidos caçou mais de 13 mil exemplares desse animal em 27 anos. As fêmeas eram as mais visadas, por ter mais carne e óleo, o que apressou o processo de dizimação.
O bispo Berlanga chegou às ilhas sem querer, levado pelos caprichos da corrente de Humboldt, que arrastou seu barco. Ao avistar as terras entre brumas-características do entardecer nessas ilhas-, deu-lhes o nome de Encantadas.
Berlanga foi o primeiro branco, mas não foi o primeiro homem a pisar no local. Restos de cerâmicas de civilizações pré-colombianas indicam a passagem dos incas pelo arquipélago. Mas nem eles nem outros povos permaneceram nas ilhas. Aliás, mesmo depois de descobertas, as Galápagos ou Encantadas continuaram terras-de-ninguém por muito tempo. Só despertaram o interesse dos piratas, que as transformaram em base de operações para emboscar galeões espanhóis, que voltavam à metrópole carregados de ouro das colônias.
O primeiro morador conhecido do arquipélago foi um irlandês, Patrick Watkins, que em 1807 pediu que o deixassem na ilha Floreana. Em 1809, porém, roubou um barco, enquanto a tripulação estava em terra caçando tartarugas. Fugiu com cinco negros, mas desembarcou sozinho em Guaiaquil, cidade portuária equatoriano, sem maiores explicações. Em 1832 o Equador resolveu tomar posse do arquipélago talvez à falta de concorrentes e deu-lhe o nome de Colombo, em homenagem ao genovês que descobriu a América.
Os cerca de trezentos equatorianos exilados nas ilhas por questões políticas, na época da posse, viajaram em verdadeiras arcas de Noé: levaram animais domésticos e, como passageiros clandestinos, pulgas e ratos. Os cães e gatos começaram a saborear tartarugas e iguanas. Os caprinos arrasaram a vegetação.
Poucos reconheceram o valor das Galápagos. Um desses foi o escritor norte-americano Hermann Melville, autor de um ensaio sobre as ilhas. Em 1842, o Essex, baleeiro que pertencia a Melville, foi atacado e afundado por um cachalote nas proximidades da ilha Isabela. Essa foi a inspiração de sua obra-prima, Moby Dick, sobre a baleia perseguida nos sete mares pelo implacável capitão Ahab.
Sete anos antes de Melville, em 1835, aportou nas Galápagos o seu mais famoso visitante de todos os tempos: o naturalista inglês Charles Darwin, então com 22 anos. Ali, após observar principalmente os bicos dos tertilhões (pequenos pássaros marrons, com bicos longos e finos nas ilhas em que há frutas e flores; com bicos grossos, nas regiões que só oferecem sementes duras), Darwin criou conceitos fundamentais para a teoria da evolução das espécies, como o da seleção natural em função das condições do ambiente. Ele ficou apenas 35 dias nas Galápagos - tempo suficiente para colher as provas que sustentariam uma revolução na história do conhecimento.
Em 1964, sob patrocínio da Unesco, foi inaugurada a Estação Charles Darwin, na ilha de Santa Cruz, para descobrir fósseis, proteger espécies em extinção e erradicar os animais trazidos pelos colonizadores. Não é fácil. Os antigos animais domésticos se adaptaram tão bem ao lugar que viraram selvagens, adquiriram garras e cascos grossos nas patas para suportar o solo quente. Uma medida tomada pelo governo equatoriano foi autorizar os sete mil moradores das ilhas a caçar esses animais.
Fora a pequena comunidade de cientistas, que tem interesse em trabalhar no lugar e vive isolada com certo conforto, os habitantes das Galápagos vivem em condições precárias. São descendentes de equatorianos e uma minoria de trezentos descendentes de alemães (os quais imigraram para as ilhas Santa Maria e São Cristóvão na década de 20). Eles ocupam uma área não superior a dez por cento das Galápagos, dividida em cinco ilhas, e suas dificuldades chegam a ser pitorescas. Em Porto Ayora, capital de Santa Cruz, maior vilarejo das Galápagos, as mulheres lavam roupa em cavidades naturais do solo: uma máquina de lavar não sobreviveria um ano à corrosão do ar salgado do arquipélago.
O Parque Nacional das Galápagos criado em 1936, ocupa a quase totalidade da área do arquipélago. Os turistas que se aventuram ali não podem montar acampamentos, devem andar com sacos plásticos para não -jogar objetos no chão e não podem tocar os animais. Esse cuidado tem lógica: as focas, por exemplo, que reconhecem seus pais pelo cheiro, sentem-se abandonadas ao aspirar um odor estranho; os pássaros, distraídos com afagos, podem abandonar seus ninhos, deixando os ovos expostos demais ao sol escaldante.
Em 1983 desembarcaram 20 mil turistas nas ilhas. Hoje o governo do Equador estabelece o limite de 20 mil por ano. Mas até os cientistas concordam que, um dia, ao menos as ilhas de Santa Cruz e São Cristóvão serão sacrificadas ao turismo. O sacrifício permitirá, porém, arrecadar fundos para a manutenção do Parque Nacional, onde a cada momento o homem encontra um passado misterioso e também se depara com o futuro incerto da natureza.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Deserto do Atacama

DESERTO DO ATACAMA



Difícil ver sinal de vida ao redor da paisagem de pedras e areia. O único barulho, além dos próprios passos, é o do vento, que chega frio e com leve gosto de sal. O imenso céu azul está tão próximo que parece ao alcance das mãos. No desolado centro do deserto do Atacama, a sensação é a de que estamos em outro planeta, muito distante do nosso. O solo extremamente ressecado, até mesmo, é o mais parecido com o de Marte. A umidade do ar é tão baixa que, aliada à limpeza da atmosfera e à altitude elevada em relação ao nível do mar, tornou o lugar um dos mais propícios do planeta para observações espaciais, tamanha é a nitidez com que se pode observar o céu. Astrônomos do mundo inteiro deslocam-se para lá e montam seus observatórios. É um dos principais campos de observação para o desenvolvimento de pesquisas da Nasa. Mesmo sem luneta alguma, porém, as noites do Atacama tiram o fôlego de quem gosta de uma imensidão pipocada de infinitas estrelas.

Ao todo, essa região árida estende-se por mil quilômetros do norte do Chile até a fronteira com o Peru e cobre uma superfície de 106 513 quilômetros quadrados - grande parte dos quais formados por deserto arenoso e rochoso. A área que engloba o deserto do Atacama, no Chile, a 1 300 quilômetros de Santiago, na costa oeste da América do Sul, esconde um dos meios mais rígidos para o surgimento e desenvolvimento da vida na face da Terra. Nas regiões centrais dessa estreita faixa espremida entre o oceano Pacífico, ao oeste, e a cordilheira dos Andes, ao leste, existem lugares nos quais nunca foram registradas chuvas. A precipitação anual tem sido abaixo de 3 milímetros nos últimos 50 anos, as marcas mais baixas do mundo. É o deserto mais seco da Terra, um lugar onde as espécies estão condicionadas a uma série de surpreendentes adaptações. As temperaturas oscilam bastante: em janeiro, a média fica entre 18º C e 25º C; em julho, entre 12º C e 16º C.

Os flamingos rosados, habitantes da planície de sal desse deserto, o Salar de Atacama, são um bom exemplo de espécie adaptada. Nesse local, a água que veio da cordilheira dos Andes, formando lagos azuis, evapora mais rapidamente do que é reposta pelas chuvas, e os sais minerais permanecem. O resultado é uma quantidade enorme de imensos lagos de sal que impregnam o organismo do flamingo. A saída que esses animais encontraram foi eliminar o excesso através de pequenas aberturas ao lado das narinas.

Tal qual o flamingo, algumas plantas também dão um jeito de sobreviver nesse local inóspito. A vegetação de loma, mais importante ecossistema da região, por exemplo, vive da umidade da névoa que se condensa na superfície das pedras. Essa neblina, chamada de "camanchacas", é o resultado da ação da corrente de Humboldt, que esfria o ar quente do Pacífico durante o inverno. A conseqüência biológica também colabora para deixar a paisagem mais charmosa com a neblina matinal. Poucas espécies animais habitam os lomas. Alguns mamíferos, pássaros e lagartos.

A lhama, da família do carneiro, é um animal que atrai a atenção dos visitantes e é bastante presente na paisagem desértica. Infelizmente, um dos tipos de lhama, o guanaco, que era comum nos lomas e nas áreas costeiras, está cada vez mais sumido devido à caça.

Os vulcões, na maioria extintos, fazem parte do visual e alguns propiciam o encantador fenômeno dos gêiseres. No vulcão El Tatio, por exemplo, ele ocorre: as águas subterrâneas encontram-se com a lava vulcânica e, no nascer do sol, saem jatos quentes de vapor que chegam a 10 metros de altura.

Apesar da secura e pobreza de opções para o desenvolvimento, diversos grupos humanos ocuparam o deserto durante os últimos 12 mil anos. Hoje, moram 750 mil habitantes concentrados em cidades litorâneas, pólos de mineração, vilas de pescadores e oásis. São descendentes de espanhóis, escravos africanos e índios que saíram dos Andes. O processo de povoamento da região costeira foi favorecido pela riqueza de nutrientes das águas da corrente marítima de Humboldt, no Pacífico.

A área próxima ao rio Loa, no norte do deserto, foi ocupada pelos chinchorros, o primeiro grupo humano a desenvolver a mumificação artificial. Algumas das múmias mais antigas do mundo (com mais de 9 mil anos) foram encontradas lá. Não é difícil entender o porquê: a ausência de umidade faz com que artefatos e objetos fabricados há milênios permaneçam em excelente estado de conservação. Um tesouro para arqueólogos. O aspecto assustador dessas condições é que há cidades fantasmas nas áreas centrais com casas onde não moram ninguém, mas que permanecem, por anos, com a mesma aparência de quando foram abandonadas - a impressão que se tem é de que poucas horas atrás havia pessoas ali.

Para quebrar a estabilidade desse deserto, só mesmo fenômenos climáticos de larga escala, como o El Niño, que é o aquecimento das águas do Pacífico. Essa anomalia oceanográfica origina chuvas na área desértica do Chile e do Peru e afeta ecossistemas terrestres. O nome foi criado por pescadores e significa "Menino Jesus", porque aparece geralmente no mês do Natal.

O "Jesus" dos chilenos e peruanos traz chuvas fortes o bastante para penetrar o solo e dá origem a um dos maiores espetáculos naturais que podem ocorrer no Atacama: como em um passe de mágica, sementes que permaneceram latentes por anos se manifestam com todo o esplendor, numa explosão de cores e tipos vegetais. É mais uma vitória da vida sobre o deserto.

Área total - 106 513 km²

Área intacta - 80%
Área protegida - 1%

Conservação e ameaça

A natureza única dos ecossistemas do deserto do Atacama, a presença de espécies com capacidade surpreendente de adaptar-se às extremas condições áridas e o número significante de plantas e animais endêmicos fazem desta uma região de grande importância para a conservação. No entanto, a área protegida é irrisória. Há muitas propostas para aumentar o número de áreas de lomas a serem protegidas, mas nenhuma foi aprovada. As atividades de mineração, que contaminam os rios e poços d’água, são um perigo constante, e o impacto da densidade populacional ameaça as vegetações de lomas e seu singular ecossistema. Felizmente, as pessoas tendem a fugir das regiões desérticas e concentrar-se nas áreas urbanas, o que significa que largas extensões desse santuário devem continuar intactas.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Inseto mãe usa cheiro para privilegiar crias fortes

13/05/09 - 07h42 - Atualizado em 13/05/09 - 09h24

Inseto mãe usa cheiro para privilegiar crias fortes, diz estudo
Tesourinhas mães dão tratamento melhor aos mais fortes em detrimento dos mais fracos.

Um estudo sobre insetos realizado em uma universidade na Suíça afirma que as tesourinhas mães conseguem detectar através do cheiro quais são as suas crias mais fortes. Com esta informação, elas dão tratamento privilegiado aos filhos mais fortes.

Os insetos conseguem diferenciar cada um dos seus filhos através de sinais químicos manifestados nos odores. Quando as tesourinhas mães detectam que o animal é forte e bem-nutrido, elas dedicam mais tempo para cuidar dele, em detrimento dos demais. As crias mais fracas recebem menos tempo e dedicação da mãe. A pesquisa é a primeira a mostrar esse tipo de comportamento entre insetos.

Os pesquisadores esperavam encontrar resultados opostos. No entanto, a pesquisadora Flore Mas, do Instituto Zoológico da Universidade da Basiléia acredita que o favorecimento das crias mais fortes acontece "porque esses insetos procuram por sinais de qualidade, não por necessidades".

"Estes insetos possuem uma prole de 30 a 60 crias, e há um índice grande de mortalidade", explica. "Então não existe motivo para se investir em crias que já estão em más condições." A comunicação através de sinais químicos é comum entre insetos, mas este é o primeiro estudo que mostra como isso é usado por eles para criar seus filhos.

Os cientistas expuseram as tesourinhas mães aos odores de crias fortes e fracas e comparou as suas reações. As mães alimentam seus filhotes com a comida que é regurgitada após sua ingestão.

Ao detectar o odor das crias mais fortes, as tesourinhas mães se alimentaram e regurgitaram mais, produzindo quantidades maiores de comida para seus filhotes. A pesquisa foi publicada na revista científica "Proceedings of the Royal Society B".