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quinta-feira, 25 de março de 2010

Redes de troca de arquivo podem ajudar mercado de música

14/05/09 - 12h40 - Atualizado em 14/05/09 - 13h08

Redes de troca de arquivo podem ajudar mercado de música, diz estudo
Pesquisa diz que cruzada contra download de música faz mal ao mercado.
Maioria do catálogo das lojas on-line não é vendida sequer uma vez.




Foto: Divulgação Download pode ajudar a 'salvar' gravadoras (Foto: Divulgação)Um estudo sobre trocas de arquivos de música por redes de compartilhamento peer-to-peer (P2P), que será apresentado nesta quinta-feira (14), sugere que o grande problema da indústria da música é ignorar o licenciamento dessa atividade como uma saída lucrativa para o mercado fonográfico.

Em vez da coação, o estudo intitulado "The Long Tail of P2P" ("A Cauda Longa do P2P", em português) mostra que os defensores do direito autoral deveriam ver a troca de arquivos P2P como uma nova forma de transmissão de mídia, tornando esse mercado legítimo, com a prática do licenciamento.

"Se os vendedores colocam à venda, talvez nunca seja comprado. Mas se quem troca arquivos passa a oferecer algum, pelo menos uma pessoa provavelmente vai pegá-lo", ressaltam os autores no estudo, Will Page, da sociedade de artes dramáticas PRS For Music, e Eric Garland, da companhia de pesquisa P2P Big Champagne.

Continuação de outro estudo de Page, realizado no ano passado, que ajudou a derrubar o mito da "Cauda Longa" (Long Tail, no termo original em inglês), a pesquisa será um dos assuntos abordados durante a convenção de música The Great Escape, em Brighton, na Inglaterra, informa a "BBC".

Page examinou as compras de música digital feitas em uma grande loja on-line, que revelaram que dentro de um universo de 13 milhões de canções, 10 milhões nunca foram baixadas ao menos uma vez. Essa constatação contradiz uma ideia amplamente conhecida, de autoria do editor da revista "Wired", Chris Anderson, baseada na teoria estatística de Pareto.

Em 2004, o jornalista garantiu que o futuro dos negócios seria a revenda digital, uma vez que a oferta de produtos na internet é praticamente ilimitada, ao permitir um enorme estoque de itens variados, e não só dos mais vendidos, com o baixo custo de manutenção desses arquivos digitais.

Apesar da dificuldade de quantificá-las, as redes P2P aparentemente apresentam um padrão similar, no qual a maior parte da ação - e, consequentemente, dos lucros - está localizada no "topo" desses sites. Cada CD que aparece na lista dos "100 mais" do Pirate Bay, por exemplo, tem uma média semanal de 58 mil downloads. O álbum "The Fame", da cantora pop americana Lady GaGa, foi baixado 388 mil vezes em uma semana.

"Os consumidores ainda procuram as mesmas músicas nos mercados legal e ilegal. A maioria dos arquivos compartilhados [em redes P2P] é semelhante aos mais baixados em sites legais de música, indicando que o que é popular, é popular", revela a pesquisa, de acordo com o "Washington Post".

Aceitação
A lacuna a ser preenchida entre os mais vendidos e o resto é enorme. Page e Garland concluíram, então, que o padrão é semelhante ao visto em relação ao consumo de programas de TV e filmes. Page diz ainda que, uma vez que a natureza do mercado digital seja entendido, poderão ser construídos negócios que resgatem músicos e compositores.

Pesquisas apontam que muitos fãs de música não se opõem em pagar por um serviço do gênero. No ano passado, a Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, encontrou mais de 80% de interessados em pagar voluntariamente por serviços que ofereciam troca de arquivos de música, e uma enquete realizada na Suécia - país do PirateBay - mostrou que mais de 86% aceitariam pagar uma mensalidade de cerca de 12 libras, algo em torno de R$ 38.

Mesmo assim, o primeiro serviço de P2P voluntário do mundo, programado para ser oferecido pelo canal a cabo britânico Virgin ainda no segundo semestre, acaba de ser suspenso devido à inquietação causada no mercado fonográfico.

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