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segunda-feira, 11 de maio de 2020

CIÊNCIA - Isaac Newton fez suas maiores descobertas durante quarentena contra a Peste

CIÊNCIA - Isaac Newton fez suas maiores descobertas durante quarentena contra a Peste


Entre 1665 e 1666, a Peste Negra devastou a Inglaterra: estima-se que 100 mil pessoas tenham morrido no país. 

sexta-feira, 10 de abril de 2020

China pode enviar 100 mil patos para conter praga de gafanhotos no Paquistão

China pode enviar 100 mil patos para conter praga de gafanhotos no Paquistão


A China estuda enviar 100 mil patos para tentar conter uma praga de gafanhotos que atinge o Paquistão, país com o qual faz fronteira. 

quarta-feira, 18 de março de 2020

Praga de gafanhotos sem precedentes pode causar grave crise humanitária na África

Praga de gafanhotos sem precedentes pode causar grave crise humanitária na África


A região leste da África enfrenta uma praga de gafanhotos que pode colocar em risco as plantações e levar a fome aos habitantes de diversos países. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

O misterioso esqueleto milenar disputado por nazistas e soviéticos

O misterioso esqueleto milenar disputado por nazistas e soviéticos


A identidade de um esqueleto encontrado na República Tcheca intriga pesquisadores há décadas. 

terça-feira, 16 de julho de 2019

Lembrando de um Herói que Morreu em 2015, aos 106 anos, inglês que salvou 669 crianças judias na Segunda Guerra

Lembrando de um Herói que Morreu em 2015, aos 106 anos, inglês que salvou 669 crianças judias na Segunda Guerra

Sir Nicholas Winton, em foto de janeiro de 2011 Foto: PETR JOSEK / REUTERS

Sir Nicholas Winton providenciou oito trens para tirar crianças da cidade de Praga, ocupada pelos nazistas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Aguapé - A 'praga verde' brasileira que é promessa de solução para rios poluídos e produção de combustíveis


Aguapé - A 'praga verde' brasileira que é promessa de solução para rios poluídos e produção de combustíveis


Natural da bacia amazônica, a aguapé é capaz de retirar toxinas da água — 
Foto: Natural Resources Wales


Poderes despoluentes de planta amazônica são conhecidos há décadas e, após vários fracassos, cientistas dizem ter técnica para colocar planta invasiva a serviço do homem.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Cientistas conseguem remover HIV de células infectadas com edição genética


Cientistas conseguem remover HIV de células infectadas com edição genética


Cientistas da Universidade Temple, nos Estados Unidos, utilizaram uma ferramenta de edição genética e conseguiram remover o genoma do HIV-1 das células imunológicas de um paciente infectado com o vírus da AIDS.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Estudo revela como ocorreu a disseminação do HIV pelo mundo


Estudo revela como ocorreu a disseminação do HIV pelo mundo


Segundo uma pesquisa publicada pela revista Science, realizada com técnicas inovadoras de arqueologia viral, os três principais fatores foram o aumento populacional, a prostituição e o desenvolvimento ferroviário, impulsionado pela Bélgica – além do uso de agulhas não esterilizadas em hospitais.  

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A volta da Peste Negra. Casos da doença voltam a assombrar o mundo e preocupam autoridades mundiais


A volta da Peste Negra. Casos da doença voltam a assombrar o mundo e preocupam autoridades mundiais


O sinal de alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) está acionado. Desta vez, não é por conta do Ebola, mas de um possível novo surto da peste bubônica, em Madagascar, país insular da costa sudeste da África. De acordo com um comunicado da OMS, até o final do ano passado, foram confirmados ao menos 119 casos da doença, incluindo 40 mortes. "O surto que começou em novembro passado tem algumas dimensões preocupantes", disse a OMS, na última semana de janeiro. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

AIDS Hoje - Saúde


AIDS HOJE - Saúde



Os aidéticos já dispõe de novas e eficientes armas para defender sua vida: dois novos medicamentos estão chegando ao mercado para ajudar o AZT a evitar a derrocada do sistema imunológico. Mas ainda falta muita pesquisa para que a guerra seja vencida.

Será que a Aids é provocada única e exclusivamente por um vírus? Os cientistas admitem: a dúvida não é nova. Mal o HIV foi isolado em células de aidéticos e acusado pela ruína do sistema imunológico desses pacientes, ainda em 1984, alguns pesquisadores já começaram a questionar se o microorganismo seria, de fato, responsável sozinho pela doença. Até recentemente, essas discussões costumavam acontecer entre as paredes dos laboratórios. Mas, há dois meses, o próprio descobridor do vírus réu, o francês Jean-Luc Montaigner, resolveu divulgar suas suspeitas de que talvez o HIV não agisse isolado. Existiriam comparsas ou co-fatores, como preferem os especialistas. Há quem acredite que o pesquisador foi forçado a se manifestar diante de outras declarações, bem mais polêmicas - as do alemão Peter Duesberg, há 23 anos professor de Biologia molecular na Universidade da Califórnia, Estados Unidos.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Civilização das Baratas - Natureza


CIVILIZAÇÃO DAS BARATAS - Natureza



Compartilham a casa do homem e sobrevivem nos mais diversos ambientes. Transmitem doenças terríveis e proliferam apesar das chineladas e dos inseticidas.

As seis patas espinhentas e ágeis da barata são capazes de transportar algo muito mais detestável do que o próprio inseto. Em algum ponto daquele corpo pode estar alojada a microscópica bactéria da peste, ou a da febre tifóide ou, pior ainda, o vírus da poliomielite. Uma espécie particular de virose - Herpes blattae - é facilmente disseminada devido ao abominável hábito que as baratas têm de roer os lábios das pessoas durante o sono. Além de recolherem partículas de alimentos que permaneceram aderidas aos cantos da boca, as baratas costumam introduzir a cabeça nas narinas dos adormecidos para saborear demoradamente as secreções nasais. É claro que este comportamento qualifica a barata, pelo menos em potencial, como uma perigosa vetora de doenças. Ela contribui também para a transmissão da cólera, da bouba, do carbúnculo e de vários tipos de conjuntivite.
Qualquer tipo de barata doméstica representa um dos subprodutos mais corriqueiros das civilizações e quando prolifera com facilidade transforma-se num indicador de falta de higiene. Desde que passaram a desfrutar de novos abrigos e fontes de alimento, graças aos descuidos com a limpeza dos antigos agrupamentos humanos, algumas espécies de baratas revelaram-se ávidas degustadoras de tudo o que serve de comida para nós. E do que não serve também. Atualmente, as baratas que se tornaram caseiras não poupam sequer os fios dos eletrodomésticos.
Para nós é reconfortante saber que das mais de 3 mil espécies de baratas que habitam o planeta apenas quatro são consideradas prejudiciais à saúde pública, por terem se tornado insetos caseiros. As demais espécies se mantêm a distância dos seres humanos, espalhadas por quase todos os ambientes naturais, sobrevivendo em regiões tão divergentes entre si como os desertos e as florestas tropicais. A grande barreira ecológica para esses insetos é o frio intenso, mas nem mesmo isso privou os lapões - que habitam o norte da Europa - do convívio noturno com uma minúscula e incômoda baratinha que costuma se aquecer em seus dormitórios.
As baratas caseiras não representam nenhum papel na cadeia ecológica: elas são apenas uma praga. Já as suas irmãs silvestres desempenham variadas tarefas na reciclagem de material orgânico vegetal e animal e servem de alimento para vários predadores, animais noturnos como elas. A distribuição geográfica das baratas caseiras ampliou-se bastante na época das grandes navegações. As antigas caravelas costumavam transportar milhares de baratas através dos oceanos, deixando que elas fundassem novas e prósperas colônias nos continentes recém-descobertos.
O relato mais impressionante sobre o problema das baratas em viagens transoceânicas foi feito em 1587 por Sir Francis Drake, um intrépido comandante a serviço da rainha da Inglaterra. Depois de tomar dos espanhóis o valioso galeão San Felipe, ele descreveu em seu diário de bordo o início de uma nova e terrível luta contra a incalculável multidão de baratas que infestava a nau espanhola. Drake acabou perdendo a batalha para elas e a sua derrota revelou-se um sombrio prenúncio de que as baratas não deixariam tão cedo de atormentar os viajantes marítimos.
Para quem já tentou eliminar uma barata, o aparente insucesso do famoso pirata inglês não causa espanto. O animal é capaz de se arrastar dezenas de metros com as vísceras expostas devido a uma potente chinelada, esconder-se e ser visto mais tarde roendo restos de comida no mesmo local onde havia sido surpreendido. Mesmo depois de decapitadas, as baratas conseguem se evadir com a agilidade de sempre. Um gânglio nervoso situado no tórax substitui parte das funções do cérebro e passa a coordenar os movimentos da fuga. Se a barata sem cabeça corre, como de costume, para um lugar escuro é porque seu corpo possui um revestimento de células sensíveis à luz. Assim, mesmo desprovida dos olhos, ela consegue localizar as sombras e desaparecer na escuridão.
Na verdade, os olhos não desempenham uma grande função para essa típica passeadora noturna. De muito maior importância são as duas longas antenas recobertas por milhares de poros e de pelinhos microscópicos. Operando como órgãos táteis e olfativos simultaneamente, as antenas revelam uma espantosa acuidade sensorial ao detectar substâncias nocivas ao inseto, protegendo-o contra as poderosas iscas venenosas e inseticidas líquidos usados para combatê-lo.
As antenas também são utilizadas como sensores de direção. Sem elas, as baratas perdem a noção de estar indo para a direita ou para a esquerda. Numa experiência que se tornou clássica, várias baratas foram submetidas a pequenos choques elétricos quando fugiam para uma das extremidades de um tubo em forma de T. Elas aprenderam a superar a sua normal aversão pela luz e passaram a correr para o lado luminoso depois de levarem choques sucessivos dentro do braço escuro do tubo. Mas, com uma das antenas removida, o inseto já não apresentava mais o resultado do treinamento. A amputação da antena esquerda de uma barata treinada para fugir para esse lado causava-lhe quase sempre uma desastrosa evasão à direita, encaminhando-a aos fios elétricos. Essa experiência também demonstrou que a velocidade e a retenção do aprendizado é bastante desigual entre baratas da mesma espécie. O número de choques usado para treiná-las foi de vinte a cem. Depois, verificou-se que baratas diversas retiveram o aprendizado por um tempo que variou de cinco minutos a uma hora.
Comprovadamente, o cérebro de uma barata não é o responsável pelo excelente desempenho desse tipo de inseto na luta pela sobrevivência. Admitimos que a barata seja um "bicho que deu certo", porque ela pouco modificou sua estrutura externa quando comparada com os fósseis de suas ancestrais, insetos que existiram há 320 milhões de anos. O ambiente em que viveram as baratas pré-históricas assemelhava-se ao de uma luxuriante e superúmida floresta tropical. Foi naquele cenário que, em circunstâncias desconhecidas, alguns grupos de baratas passaram a diferenciar-se acentuadamente dos demais, não só na anatomia mas, sobretudo, no comportamento. Lentamente, nos agrupamentos de baratas mutantes surgiram procedimentos típicos de insetos sociais e suas congregações passaram a se organizar em castas orientadas para a execução das variadas tarefas de construção, reprodução, defesa e obtenção de alimentos. Por fim, elas alcançaram os dias de hoje estruturadas em sólidas sociedades que viemos a denominar de termiteiros ou cupinzeiros.
Cupins e baratas são tão aparentados entre si que um especialista já propôs reuni-los numa mesma ordem de insetos. Curiosamente, os dois caminhos evolutivos seguidos por esses insetos culminaram nas formas atuais, combatidas pelo homem.
Um fato notável: dezoito espécies de microorganismos encontradas no trato digestivo de uma barata norte-americana são da mesma família encontrada nos intestinos dos cupins. Esses protozoários e bactérias atuam auxiliando o inseto na digestão de substâncias resistentes como, por exemplo, a celulose. Eles podem ser transferidos artificialmente do organismo da barata para o do cupim e, assim mesmo, continuarem a se reproduzir com sucesso. Complexas adaptações entre microorganismos e insetos demonstram que as relações entre eles são simbióticas, isto é, esses relacionamentos são de vital importância para ambos. Isso ficou comprovado quando se descobriu que os insetos podem apresentar os mais diversos mecanismos de transferência de microorganismos para seus descendentes.
Nas baratas, as bactérias simbiontes migram do intestino para os ovários, instalam-se sobre a superfície dos óvulos do inseto e, depois, infiltram-se dentro deles, garantindo sua "cadeira cativa" nas baratinhas da geração seguinte. No momento da postura, um pequeno aglomerado de ovos fica protegido por uma rígida embalagem fabricada por glândulas abdominais do inseto: a ooteca ou ovoteca. A dureza da ovoteca é resultante da mistura de duas substâncias que só endurecem quando entram em contato, reagindo entre si como acontece com certas colas dotadas de grande poder de adesão (e vendidas em dois tubos separados). A enorme barata caseira, de colorido castanho-avermelhado, deposita dezesseis ovos em cada ovoteca. Ela vive no máximo dois anos, mas consegue produzir em média cinqüenta ovotecas e gerar, ao menos em teoria, uma descendência de oitocentas baratinhas, que demoram 45 dias para nascer. Mesmo que apenas uma minúscula parte delas atinja a idade adulta, escapando de parasitos, predadores e dos produtos químicos aplicados para exterminá-las, podemos ficar certos de que surgirão aos milhares ao menor descuido em nossa vigilância. A barata avermelhada é uma das quatro espécies que atingiram o grau de "doméstica", o que significa que dificilmente nos livraremos dela.

Medo de barata

- Barata? Bicho nojento...
- Medo? Nenhum... Pensando bem, só de barata. Comentários desse tipo não são incomuns, do mesmo modo que não é raro ver gente subindo em mesas ou cadeiras para fugir desse pequenino ser. E incrível como o homem, apesar de sua racionalidade, sente-se à mercê de um inseto frágil, desprovido de recursos para agressão. Só mesmo a mente humana poderia tê-lo transformado num monstro tão forte e poderoso, capaz de fazer uma pessoa literalmente gritar de pavor.
O absurdo dessa contradição pode ser percebido por qualquer observador, mas não faz sentido para quem vive tal angústia. Ela pode até parecer um medo real da barata, mas não é. É de seus próprios impulsos agressivos, muitas vezes sentidos como inadmissíveis e por isso mesmo inacessíveis ao conhecimento, que a pessoa tem medo. E como a mente humana precisa, de alguma forma, lidar com essas suas peculiaridades, prega uma peça na pessoa que não consegue ter esse contato íntimo consigo mesma.
A mente passa, então, a mostrar claramente à pessoa que sentimentos hostis existem - contanto que sejam manifestados contra a barata. O medo real é do que se passa dentro, e não fora da pessoa. O de fora apenas se ajusta certinho a esses medos, que tanto podem ser de baratas como de ratos, cobras ou seja lá o que for capaz de lembrar o que de ruim pode nos acontecer: doenças, morte, impotência etc. São horrores guardados nos nossos porões, muitas vezes sentidos como se fossem esgotos parecidos com os que servem de morada às baratas: cheios de sujeiras e coisas estragadas.
Como não é fácil tomar consciência desses sentimentos, a pessoa tende muitas vezes a deixá-los intocados. Sente por eles a mesma repugnância que sente pela barata. Por sinal costuma-se chamar essa repugnância de nojo, a mesma palavra que designa situações de luto, tristeza ou mágoa profunda. Nas situações difíceis de suas vidas, que não estão prontas para suportar ou administrar, tais pessoas sentem-se enojadas, com um terrível mal-estar psicológico. Também essa repugnância pela situação problemática é parecida com a que se passa em relação à barata. Ambas se apresentam sorrateiramente, ameaçando nossa onipotência (desejo de poder qualquer coisa, inclusive acabar com as baratas). Manda-se embora, e elas voltam. Mostram a impotência da pessoa, sua incapacidade de enfrentar o inesperado.
Certamente, para quem não tem acesso às suas próprias situações interiores, essa explicação não terá sentido. Tais pessoas ainda não se deram conta da existência de seu mundo interno, cheio de medos, angústias, fantasias, embora sejam exímias observadoras das situações externas de medo - são as chamadas medrosas, que gritam de pavor diante de uma barata. Mas que ninguém se iluda. Nesse caso, não há medo real, apenas a busca de uma forma mais simples de lidar com aquelas aflições e angústias.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A guerra contra doenças

A GUERRA CONTRA DOENÇAS


A história da medicina certamente terá muitas novidades e reviravoltas nas próximas décadas, mas o papel de protagonista já está reservado às células-tronco. Se forem confirmadas as expectativas da comunidade científica sobre o potencial de recuperação de tecidos a partir do enxerto dessas células, vários problemas de saúde ganharão tratamento revolucionário. Degeneração das córneas, danos no coração provocados pelo mal de Chagas ou insuficiência cardíaca, distúrbios hepáticos, artrite reumatóide ou diabetes do tipo 1 já poderão estar sendo curados em 2020. Doenças com mecanismos mais complexos, como o mal de Parkinson e o mal de Alzheimer, precisarão de mais uma ou duas décadas. Espera-se também que, nos estágios mais avançados das pesquisas, os novos tratamentos ajudem paraplégicos e tetraplégicos a recuperar os movimentos.



LOBBY RELIGIOSO
Antes de mais nada, é preciso superar os entraves causados pelo lobby religioso que, ao emperrar a aprovação de leis sobre o uso de células-tronco embrionárias, está atrasando as pesquisas em vários países. A polêmica ocorre porque as células tonipotentes, aquelas que prometem maior eficácia por serem capazes de se converter em qualquer um dos mais de 200 tipos de tecidos do organismo humano, são encontradas apenas em embriões recém-fecundados, que precisam ser destruídos no processo de extração. Os pesquisadores argumentam que, no estágio imediatamente posterior à fecundação, os embriões não passam de um amontoado de células que ainda não pode ser considerado um bebê em formação. Na visão dos religiosos, no entanto, o milagre da vida já está feito a essa altura e interrompê-lo seria uma subversão à lei divina.

A saída para o impasse pode estar na clonagem. No ano passado, uma equipe liderada pelo coreano Woo San Hwang demonstrou que as técnicas de clonagem usadas em outros mamíferos podem ser aplicadas com sucesso em humanos, um passo importante para criar células-tronco embrionárias exclusivamente para fins de pesquisa. O trabalho de Hwang foi considerado pela revista Science o terceiro acontecimento científico mais importante de 2004 (ficou atrás da constatação de que já houve água em Marte e da descoberta, na Indonésia, de fósseis de uma espécie humana que viveu há 18 000 anos).

Outra vitória da medicina aguardada para as próximas décadas é contra a aids, que já matou 22 milhões de pessoas desde o início dos anos 80. A maior probabilidade é que isso ocorra não pela descoberta de uma vacina, mas pela sua transformação em doença crônica, possível de ser controlada. Talvez seja uma mudança já em andamento. Graças à melhoria da qualidade de vida trazida aos portadores do HIV pelos medicamentos, multiplicam-se casos como o do ex-jogador americano de basquete Earvin "Magic" Johnson, que em 1991 descobriu ser portador do vírus e hoje, aos 45 anos, vive normalmente. É provável que a ciência chegue à conclusão de que a doença deixou de ser fatal sem que os jornais estampem a tão esperada manchete sobre sua cura.

Outra grande aspiração da humanidade neste início de século 21 é a cura do câncer, mas a esperança de que surja um mecanismo único capaz de impedi-lo é quase utópica. Cada tipo de câncer é um front diferente para a ciência. O que se pode esperar são avanços no diagnóstico e tratamento dos diferentes tipos. Graças a esses avanços, metade das pessoas atingidas por um câncer já consegue superá-lo. Uma boa meta é fazer esse percentual chegar a 80% em 2030.

Já que o combate ao câncer e a várias outras doenças depende muito do diagnóstico precoce, o aprimoramento dos exames será decisivo para o aumento da expectativa de vida. A tecnologia nessa área tem evoluído rapidamente, com saltos gigantescos em raio X, ultra-som, ressonância magnética e tomografia computadorizada. Os exames do futuro revelarão o corpo humano com precisão inimaginável hoje. Diante do mapeamento completo de toda a estrutura ligada ao coração, por exemplo, em três décadas será possível prevenir infartos.

Quando se fala na medicina do futuro, não se pode esquecer que os desafios não se limitarão ao combate das doenças já conhecidas: o mundo certamente conhecerá novas doenças nos próximos 50 anos. Basta lembrar o que aconteceu na segunda metade do século 20, com o advento da aids e as ameaças trazidas por vários outros vírus - ebola, hantavirose, febre do Nilo.
Outra hipótese que não pode ser desprezada é a volta de inimigos conhecidos, como a influenza, a temida gripe espanhola que em 1918 matou pelo menos 20 milhões de pessoas no mundo, 1% da população na época. Nada impede que uma tragédia de tais proporções volte a se repetir - com a agravante de que, hoje, uma epidemia é capaz de "viajar" de um lado a outro do mundo em poucas horas. Muitos cientistas chegam a apostar que, cedo ou tarde, algo do gênero voltará a ocorrer, por mais que a medicina avance. Afinal, a luta pela sobrevivência faz parte do cotidiano da humanidade desde os tempos das cavernas - quando chegar aos 20 anos era um ótimo prognóstico de longevidade.


Tendências:


- AIDS

É provável que a vitória contra a aids ocorra não pela descoberta de uma vacina, mas pela sua transformação em doença crônica, possível de ser controlada.



- CÂNCER

Hoje, metade das pessoas atingidas por um câncer já consegue superá-lo. Uma boa meta é fazer esse percentual atingir 80% em 2030.



- CÉLULAS-TRONCO

O uso de células-tronco embrionárias deverá revolucionar o tratamento de várias doenças. Insuficiência cardíaca, distúrbios hepáticos e diabetes do tipo 1 poderão ter cura em 2020.



- NOVAS AMEAÇAS
Nos próximos 50 anos, o mundo poderá conhecer novas doenças ou sofrer com a volta de inimigos que já eram dados como vencidos.


Depende de você
Ampliar a expectativa de vida da humanidade é responsabilidade da ciência e da medicina, certo? Não apenas. Cada pessoa tem uma grande contribuição a dar nesse sentido. Afinal, tão importante quanto combater as doenças é melhorar as condições gerais de vida: promover a alimentação saudável e a prática de exercícios, combater o fumo e a obesidade, reduzir a violência urbana e no trânsito.

Se a ciência tem feito a parte que lhe cabe, a humanidade está devendo. Acidentes automobilísticos matam 1,2 milhão de pessoas por ano, a maior parte delas abaixo dos 40 anos. Enquanto os fabricantes desenvolvem modelos de carro desnecessariamente velozes, o número de vítimas fatais nas estradas cresce 5% ao ano.

Nenhuma descoberta da ciência poderia ser mais eficaz para diminuir os casos de câncer do que a simples decisão de abandonar o hábito de fumar. Cinco milhões de pessoas morrem por ano no planeta em decorrência de doenças provocadas pelo cigarro, responsável por 90% dos casos de câncer no pulmão. Essa impressionante estatística não tem sido argumento suficiente para impedir que 1,1 bilhão de pessoas no mundo continuem presas ao vício.

Um dos maiores empecilhos para que a expectativa de vida da humanidade dê um salto é o abismo entre ricos e pobres. De acordo com uma nova metodologia da Organização Mundial da Saúde (OMS), que leva em conta a expectativa de vida sem o convívio com problemas como amputações, cegueira, paralisia e seqüelas causadas por doenças como a malária, os japoneses irão viver 74,5 anos em saúde plena, enquanto os moradores de Serra Leoa, o país com as piores condições de vida no mundo, viverão 28,6 anos.
A diferença brutal indica que o acesso aos avanços da medicina continuará nas próximas décadas restrito à elite. Enquanto a ciência desenvolve exames apurados e terapias sofisticadas, muitas nações africanas enfrentarão problemas básicos como a falta de água potável.





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domingo, 26 de dezembro de 2010

Aids é uma doença que já matou milhões de pessoas no mundo todo

AIDS É PURA INVENÇÃO?



Aids é uma doença que já matou milhões de pessoas no mundo todo. Mais precisamente - até o fechamento desta edição -, os mortos já somavam 22 milhões. Diz a OMS (Organização Mundial da Saúde) que atualmente existem cerca de 42 milhões de infectados no planeta, sendo 14 000 casos novos descobertos por dia. Diante desses números assustadores, não há como negar que a epidemia exista, certo? Atualmente, pode ser. Mas, até o início dos anos 90, muita gente jurava que a doença tinha sido inventada por uma mídia ávida por notícias novas e bombásticas. "Você conhece alguém que morreu de Aids?", perguntavam os céticos. Como, em geral, a resposta era um sonoro "não", estava aí a legitimidade de que tanto precisavam. É lógico que, diante da doença que começou a bater na porta de todos nós, hoje em dia pouca gente seria capaz de levantar essa lebre.

Acontece que o boato foi apenas um entre as diversas histórias que surgiram em torno da Aids, identificada pela primeira vez, oficialmente, nos Estados Unidos, em 1981. Na verdade, vamos voltar só um pouquinho no tempo: no dia 12 de dezembro de 1977, morria, aos 47 anos, a médica e pesquisadora dinamarquesa Margrethe P. Rask. Ela havia morado na África e começara a apresentar diversos sintomas estranhos para sua idade. A autópsia revelou que seus pulmões estavam repletos de microorganismos, que ocasionaram um tipo de pneumonia, causando a morte por asfixia. Estudiosos acreditam que o caso dela tenha sido o primeiro óbito por Aids registrado no mundo.

A pergunta que surgiu na época era: o que estava acontecendo? A resposta aos conspirólogos - e, pior, a muita gente séria por aí - só viria mais de 20 anos depois, quando cientistas americanos conseguiram mapear a origem do vírus HIV: a epidemia teria surgido mesmo no centro da África, numa região onde o vírus, antes encontrado somente em chimpanzés, foi transmitido para os humanos através de contato ocasional entre esses animais e os homens. Você pode imaginar o que as mentes poluídas de plantão pensaram, não é? Sim, que humanos andaram transando com os macacos ancestrais e espalharam a doença. "Muitas tribos locais tinham o hábito de caçar chimpanzés. Esses animais eram mortos e esquartejados no local onde eram abatidos, havendo portanto intensa manipulação de sangue, o que facilita a contaminação", esclareceu o infectologista Esper Kallás, da Unifesp (Universidade Federal de Medicina), quando o assunto foi levantado em uma conversa com o médico Drauzio Varella.

ARMA BIOLÓGICA

Já outros conspirólogos, mais dados a jogos de guerra do que à sacanagem propriamente dita, acreditam que a Aids foi uma doença fabricada em laboratório. Sim, caro leitor, esqueça os chimpanzés africanos de outrora. Até porque, segundo Peter Duesberg, professor de Biologia Molecular da Universidade da Califórnia, a Aids americana é diferente daquela encontrada na África - ele afirma que esta última seria resultado de má nutrição. Para essas mentes preocupadas, o governo americano teria desenvolvido o HIV artificialmente para usá-lo um dia como arma biológica. Só que, como seria previsível numa situação dessas, a criatura acaba fugindo das mãos do criador. O vírus letal teria escapado dos cientistas, sabe-se lá como, e começado a fazer vítimas pelo mundo - iniciando pelos próprios Estados Unidos, em Washington e Nova York.
Se você duvida, saiba que existem até governantes que acreditam nisso. Veja só: "A epidemia da Aids é uma guerra biológica produzida por certos Estados, e não uma doença natural", declarou o presidente da Namíbia, Sam Nujoma, à agência France Press, durante uma convenção em Genebra (Suíça), em janeiro de 2000. "Trata-se de uma doença fabricada pelo homem. A verdade é que a Aids não apareceu na África. Nós simplesmente nos convertemos em suas vítimas", afirmou, sem, no entanto, esclarecer quais seriam esses Estados criminosos. Fala sério, hein, presidente!

Eu acredito!

"Depois das revoluções sexuais e culturais dos anos 60 e 70, o mundo parecia caminhar para uma sociedade de puro sexo, drogas e rock’n’roll. O que os ultraconservadores podiam fazer para impedir uma coisa dessas? Puxar as rédeas do sexo e das drogas injetáveis foi fácil - bastou criar um vírus em laboratório, testá-lo em macacos africanos e espalhá-lo pelo mundo. Já o rock´n’roll deu mais trabalho: exigiu um exército de boys band e popstars pré-fabricadas. Mas eles venceram."
Rafael Kenski, repórter da SUPER, é a favor do sexo seguro.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Paternidade a dois - HIV

PATERNIDADE A DOIS



A década de 80 começou com um grande desafio para a ciência: identificar a causa de uma nova e fulminante doença, cujos sintomas incluíam manchas na pele, emagrecimento rápido e um tipo até então raro de câncer, o sarcoma de Kaposi. A urgência se justificava não apenas pela necessidade de tratar os doentes, mas sobretudo para evitar o pânico que ameaçava se espalhar pelo mundo: àquela altura, não se sabia se a recém-batizada Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida (Aids) poderia ser transmitida pelo ar ou pelo contato social. Houve um momento em que a doença foi tachada de "peste gay", devido à concentração de casos, numa primeira fase, entre homossexuais masculinos.

Duas equipes de cientistas se destacaram na investigação da doença. De um lado, o grupo liderado pelo francês Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, na França. De outro, a equipe do americano Robert Gallo, do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos. Em maio de 1983, Montagnier isolou um vírus que acreditava ser o causador da Aids. Em abril de 1984, Gallo anunciou a descoberta de um vírus e patenteou um teste para identificá-lo. Montagnier desconfiou tratar-se do mesmo vírus e reivindicou a paternidade da descoberta, dando início a uma polêmica que se arrastou por anos.
Em 1989, a imprensa americana levantou dúvidas sobre o comportamento de Gallo no processo. O vírus descoberto por ele, batizado de HIV (Human Immunodeficiency Virus), não apenas seria o mesmo que Montagnier anunciara, como surgiu a suspeita de que amostras tivessem sido surrupiadas do laboratório francês. O Departamento de Saúde americano investigou o caso e concluiu que Gallo cultivou vírus fornecidos pela equipe de Montagnier, a partir de amostras intercambiadas pelos dois centros. Gallo alegou que poderia ter ocorrido uma "contaminação" acidental. Em 1995, os Estados Unidos admitiram que os pesquisadores do Instituto Pasteur haviam identificado o HIV antes da equipe de Gallo. Apesar da controvérsia entre os dois cientistas, hoje se considera que o grupo de Montagnier foi o primeiro a identificar o HIV, mas o grupo de Gallo contribuiu significativamente para demonstrar que o vírus é o causador da Aids. Assim, ambos os cientistas passaram a ser reconhecidos como co-descobridores do vírus. Gallo dirige atualmente o Instituto de Virologia Humana da Universidade de Maryland, em Baltimore, nos Estados Unidos. Montagnier comanda o Departamento de Aids e Retrovírus do Instituto Pasteur, em Paris. Encerrada a disputa pela paternidade do vírus HIV, os dois cientistas chegaram a trabalhar juntos em pesquisas sobre a Aids.

O impacto da descoberta
A identificação do HIV, vírus que ataca o sistema imunológico do organismo, foi o ponto de partida para o combate à Aids, doença que mudou o comportamento sexual a partir dos anos 80. O desenvolvimento de uma vacina para a Aids é das maiores aspirações atuais da humanidade

Geração pós-HIV
O mundo nunca mais foi o mesmo depois da explosão de casos de Aids. Se a geração dos anos 60 cultuou o amor livre, a dos anos 80 se viu obrigada a mudar o comportamento em função dos riscos de pegar Aids. Com a descoberta de que o HIV é transmitido por via sexual ou através do sangue, o uso de preservativos passou a ser obrigatório e compartilhar seringas virou sentença de morte. A decadência física do doentes e a proliferação de celebridades vitimadas - Rock Hudson (1985), Lauro Corona (1989), Cazuza (1990), Freddie Mercury (1991) - foram suficientemente assustadoras para promover a prevenção.
Nos anos 90, o desenvolvimento dos remédios que compõem o coquetel de combate ao HIV trouxe qualidade de vida aos doentes, atuando contra as infecções oportunistas e reduzindo a debilidade física. A doença deixou de parecer tão devastadora e muita gente se descuidou. Mas a Aids continua sem cura - e matando. Estima-se que foram 3 milhões de baixas e 5 milhões de novas infecções em 2003, fazendo subir para 38 milhões o número de pessoas que vivem com o vírus no mundo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

As grandes epidemias ao longo da História

AS GRANDES EPIDEMIAS AO LONGO DA HISTÓRIA



PESTE NEGRA

História - A peste bubônica ganhou o nome de peste negra por causa da pior epidemia que atingiu a Europa, no século 14. Ela foi sendo combatida à medida que se melhorou a higiene e o saneamento das cidades, diminuindo a população de ratos urbanos

Contaminação - Causada pela bactéria Yersinia pestis, comum em roedores como o rato. É transmitida para o homem pela pulga desses animais contaminados

Sintomas - Inflamação dos gânglios linfáticos, seguida de tremedeiras, dores localizadas, apatia, vertigem e febre alta

Tratamento - À base de antibióticos. Sem tratamento, mata em 60% dos casos

50 milhões de mortos (Europa e Ásia) - 1333 a 1351



CÓLERA

História - Conhecida desde a Antigüidade, teve sua primeira epidemia global em 1817. Desde então, o vibrião colérico (Vibrio cholerae) sofreu diversas mutações, causando novos ciclos epidêmicos de tempos em tempos

Contaminação - Por meio de água ou alimentos contaminados

Sintomas - A bactéria se multiplica no intestino e elimina uma toxina que provoca diarréia intensa

Tratamento - À base de antibióticos. A vacina disponível é de baixa eficácia (50% de imunização)

Centenas de milhares de mortos - 1817 a 1824



TUBERCULOSE

História - Sinais da doença foram encontrados em esqueletos de 7 000 anos atrás. O combate foi acelerado em 1882, depois da identificação do bacilo de Koch, causador da tuberculose. Nas últimas décadas, ressurgiu com força nos países pobres, incluindo o Brasil, e como doença oportunista nos pacientes de Aids

Contaminação - Altamente contagiosa, transmite-se de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias

Sintomas - Ataca principalmente os pulmões

Tratamento - À base de antibióticos, o paciente é curado em até seis meses

1 bilhão de mortos - 1850 a 1950



VARÍOLA

História - A doença atormentou a humanidade por mais de 3 000 anos. Até figurões como o faraó egípcio Ramsés II, a rainha Maria II da Inglaterra e o rei Luís XV da França tiveram a temida "bixiga". A vacina foi descoberta em 1796

Contaminação - O Orthopoxvírus variolae era transmitido de pessoa para pessoa, geralmente por meio das vias respiratórias

Sintomas - Febre, seguida de erupções na garganta, na boca e no rosto. Posteriormente, pústulas que podiam deixar cicatrizes no corpo

Tratamento - Erradicada do planeta desde 1980, após campanha de vacinação em massa

300 milhões de mortos - 1896 a 1980



GRIPE ESPANHOLA

História - O vírus Influenza é um dos maiores carrascos da humanidade. A mais grave epidemia foi batizada de gripe espanhola, embora tenha feito vítimas no mundo todo. No Brasil, matou o presidente Rodrigues Alves

Contaminação - Propaga-se pelo ar, por meio de gotículas de saliva e espirros

Sintomas - Fortes dores de cabeça e no corpo, calafrios e inchaço dos pulmões

Tratamento - O vírus está em permanente mutação, por isso o homem nunca está imune. As vacinas antigripais previnem a contaminação com formas já conhecidas do vírus

20 milhões de mortos - 1918 a 1919



TIFO

História - A doença é causada pelas bactérias do gênero Rickettsia. Como a miséria apresenta as condições ideais para a proliferação, o tifo está ligado a países do Terceiro Mundo, campos de refugiados e concentração, ou guerras

Contaminação - O tifo exantemático (ou epidêmico) aparece quando a pessoa coça a picada da pulga e mistura as fezes contaminadas do inseto na própria corrente sangüínea. O tifo murino (ou endêmico) é transmitido pela pulga do rato

Sintomas - Dor de cabeça e nas articulações, febre alta, delírios e erupções cutâneas hemorrágicas

Tratamento - À base de antibióticos

3 milhões de mortos (Europa Oriental e Rússia) - 1918 a 1922



FEBRE AMARELA

História - O Flavivírus, que tem uma versão urbana e outra silvestre, já causou grandes epidemias na África e nas Américas

Contaminação - A vítima é picada pelo mosquito transmissor, que picou antes uma pessoa infectada com o vírus

Sintomas - Febre alta, mal-estar, cansaço, calafrios, náuseas, vômitos e diarréia. 85% dos pacientes recupera-se em três ou quatro dias. Os outros podem ter sintomas mais graves, que podem levá-los à morte

Tratamento - Existe vacina, que pode ser aplicada a partir dos 12 meses de idade e renovada a cada dez anos

30 000 mortos (Etiópia) - 1960 a 1962



SARAMPO

História - Era uma das causas principais de mortalidade infantil até a descoberta da primeira vacina, em 1963. Com o passar dos anos, a vacina foi aperfeiçoada, e a doença foi erradicada em vários países

Contaminação - Altamente contagioso, o sarampo é causado pelo vírus Morbillivirus, propagado por meio das secreções mucosas (como a saliva, por exemplo) de indivíduos doentes

Sintomas - Pequenas erupções avermelhadas na pele, febre alta, dor de cabeça, mal-estar e inflamação das vias respiratórias

Tratamento - Existe vacina, aplicada aos nove meses de idade e reaplicada aos 15 meses

6 milhões de mortos por ano - Até 1963



MALÁRIA

História - Em 1880, foi descoberto o protozoário Plasmodium, que causa a doença. A OMS considera a malária a pior doença tropical e parasitária da atualidade, perdendo em gravidade apenas para a Aids

Contaminação - Pelo sangue, quando a vítima é picada pelo mosquito Anopheles contaminado com o protozoário da malária

Sintomas - O protozoário destrói as células do fígado e os glóbulos vermelhos e, em alguns casos, as artérias que levam o sangue até o cérebro

Tratamento - Não existe uma vacina eficiente, apenas drogas para tratar e curar os sintomas

3 milhões de mortos por ano - Desde 1980



AIDS

História - A doença foi identificada em 1981, nos Estados Unidos, e desde então foi considerada uma epidemia pela Organização Mundial de Saúde

Contaminação - O vírus HIV é transmitido através do sangue, do esperma, da secreção vaginal e do leite materno

Sintomas - Destrói o sistema imunológico, deixando o organismo frágil a doenças causadas por outros vírus, bactérias, parasitas e células cancerígenas

Tratamento - Não existe cura. Os soropositivos são tratados com coquetéis de drogas que inibem a multiplicação do vírus, mas não o eliminam do organismo

22 milhões de mortos - Desde 1981


Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS) e Fundação Oswaldo Cruz

terça-feira, 7 de setembro de 2010

‘Praga da dança’ matou centenas de habitantes

13/02/10 - 10h00 - Atualizado em 13/02/10 - 10h00

‘Praga da dança’ matou centenas de habitantes de Estrasburgo em 1518
Epidemia começou em julho, com mulher bailando sem parar por 6 dias.
Transe acabou envolvendo centenas de pessoas e durou até setembro.


Carnaval epidêmico - Vítimas da febre da dança morriam de ataque cardíaco, derrame ou exaustão (Imagem: reprodução)

Em julho de 1518, a cidade francesa de Estrasburgo, na Alsácia (então parte do Sacro Império Romano-Germânico) viveu um carnaval nada feliz. Uma mulher, Frau Troffea (dona Troffea), começou a dançar em uma viela e só parou quatro a seis dias depois, quando seu exemplo já era seguido por mais de 30 pessoas. Quando a febre da dança completava um mês, havia uns 400 alsacianos rodopiando e pulando sem parar debaixo do Sol de verão do Hemisfério Norte. Lá para setembro, a maioria havia morrido de ataque cardíaco, derrame cerebral, exaustão ou pura e simplesmente por causa do calor. Reza a lenda que se tratava de um bloco carnavaleso involuntário: na realidade ninguém queria dançar, mas ninguém conseguia parar. Os enlutados que sobraram ficaram perplexos para o resto da vida.




Para provar que a epidemia de dança compulsiva não foi lenda coisa nenhuma, o historiador John Waller lançou, 490 anos depois, um livro de 276 páginas sobre o frenesi mortal: “A Time to Dance, A Time to Die: The Extraordinary Story of the Dancing Plague of 1518”. Segundo o autor, registros históricos documentam as mortes pela fúria dançante: anotações de médicos, sermões, crônicas locais e atas do conselho de Estrasburgo.




276 páginas - Historiador recuperou documentos da época atestando as mortes pela fúria dançante (Imagem: reprodução)
Um outro especialista, Eugene Backman, já havia escrito em 1952 o livro "Religious Dances in the Christian Church and in Popular Medicine". A tese é que os alsacianos ingeriram um tipo de fungo (Ergot fungi), um mofo que cresce nos talos úmidos de centeio, e ficaram doidões. (Tartarato de ergotamina é componente do ácido lisérgico, o LSD.)

Waller contesta Backman. Intoxicação por pão embolorado poderia sim desencadear convulsões violentas e alucinações, mas não movimentos coordenados que duraram dias.

O sociólogo Robert Bartholomew propôs a teoria de que o povo estava na verdade cumprindo o ritual de uma seita herética. Mas Waller repete: há evidência de que os dançarinos não queriam dançar (expressavam medo e desespero, segundo os relatos antigos). E pondera que é importante considerar o contexto de miséria humana que precedeu o carnaval sinistro: doenças como sífilis, varíola e hanseníase, fome pela perda de colheitas e mendicância generalizada. O ambiente era propício para superstições.

Uma delas era que se alguém causasse a ira de São Vito (também conhecido por São Guido), ele enviaria sobre os pecadores a praga da dança compulsiva. A conclusão de Waller é que o carnaval epidêmico foi uma “enfermidade psicogênica de massa”, uma histeria coletiva precedida por estresse psicológico intolerável.

Nonstop dancing – Gravura do artista Henricus Hondius (1573-1610) retrata três mulheres acometidas pela praga da dança; obra é baseada em desenho original de Peter Brueghel, que teria testemunhado um dos surtos subsequentes, em 1564 na região de Flandres (Imagem: reprodução)
Outros seis ou sete surtos afetaram localidades belgas depois da bagunça iniciada por Frau Troffea. O mais recente que se tem notícia ocorreu em Madagascar na década de 1840.

domingo, 22 de agosto de 2010

Técnica induz mosquitos da dengue a espalhar veneno

25/06/09 - 17h12 - Atualizado em 25/06/09 - 17h12

Técnica induz mosquitos da dengue a espalhar veneno contra sua espécie
Teste foi feito por pesquisadores em Iquitos, no Peru.
Mortalidade das larvas chega a 98%, diz estudo.

Controlar o mosquito amplamente responsável por infectar pessoas com o vírus da dengue não é fácil. Isso porque o inseto, o famoso Aedes aegypti, evoluiu em paralelo com os humanos, vivendo nas proximidades e se reproduzindo até mesmo nas menores concentrações de água – água da chuva numa lata jogada, por exemplo, ou o pires embaixo de um vaso de flores.




O mosquito da dengue em ação (Foto: Reprodução)
Com tantos locais possíveis para reprodução, espalhar pesticida pode ser uma atividade meticulosa e cansativa. Porém, Gregor J. Devine, da Rothamsted Research, um instituto especializado em agricultura na Inglaterra, teve uma ideia diferente: por que não deixarmos que os próprios mosquitos façam o trabalho?

Ampliando estudos de laboratório que mostravam a capacidade de os mosquitos adultos apanharem um inseticida e transferi-lo, Gregor e seus colegas conduziram experimentos de campo em Iquitos, no Peru, usando piriproxifeno, um composto capaz de matar larvas sem causar danos a mosquitos adultos (ou a humanos, nas quantidades utilizadas).

Após uma refeição de sangue humano, uma fêmea de A. aegypti gosta de encontrar um local escuro e úmido para descansar enquanto seus ovos se desenvolvem, saindo mais tarde para encontrar água para depositá-los. Devine disse que o trabalho da equipe, descrito na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", se aproveitou dessa rotina.

Ele e sua equipe montaram “estações de disseminação”, compostas por panos úmidos e escuros impregnados com piriproxifeno, em cantos e fendas de túmulos num cemitério. Quando uma fêmea descansava no pano, suas pernas carregavam um pouco do pesticida. Esse, por sua vez, se soltava quando ela pousava numa poça de reprodução. Os pesquisadores descobriram que montar essas estações em 3% dos locais disponíveis no cemitério resultava numa cobertura de quase todos os habitats de reprodução da área imediata, numa mortalidade de até 98% das larvas de mosquito.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Agricultor é 'coroado' campeão em Bangladesh

05/02/09 - 13h16 - Atualizado em 05/02/09 - 13h16

Agricultor é 'coroado' campeão em Bangladesh ao matar 39.650 ratos
Como prêmio, ele vai receber um aparelho de TV 14 polegadas.
Em 2008, agricultores do país mataram 25 milhões de ratos.




Foto: Divulgação Agricultor Binoy Kumar Karmakar venceu disputa em Bangladesh ao matar 39.650 ratos. (Foto: Divulgação)O agricultor Binoy Kumar Karmakar, de 40 anos, foi coroado o maior matador de ratos de Bangladesh ao exterminar em 2008 39.650 roedores. Ele usava armadilhas com veneno e guardava os rabos para provar sua eficiência.

Após exterminar quase 40 mil ratos, Binoy Kumar Karmakar reivindica o prêmio que o governo oferecia a quem matasse o maior número de roedores em 2008. Ele vai receber um aparelho de TV 14 polegadas.

"Durante o ano, nossos agricultores mataram cerca de 25 milhões de ratos", disse o porta-voz do departamento de agricultura, Abdul Halim. "Binoy Kumar Karmakar foi declarado o campeão ao matar 39.650", acrescentou ele.

Funcionários do departamento de agricultura estimam que cerca de 10% dos alimentos produzidos em Bangladesh, principalmente arroz, trigo e batata, são devorados por milhões de ratos a cada ano.

No ano passado, uma invasão de ratos em Chittagong, no sudeste do Bangladesh, dizimou culturas e provocou fome em algumas aldeias remotas. As Nações Unidas chegaram a distribuir ajuda alimentar a 120.000 pessoas por quatro meses.



PUBLICADOS BRASIL NO ORKUT

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