sábado, 1 de setembro de 2012

RPG em 1996 - "RPG & CARDS" Jornal O Globo


RPG em 1996 - "RPG & CARDS" Jornal O Globo
Nada como voltar no tempo e ver como era RPG em 1996, nestas 4 reportagens do Jornal Globo que divulgou lançamentos mais que esperados para a época.







Anjos e Demônios travam uma batalha celestial 
'ovo jogo da Steve Jackson, 'In Nomine', é' Jma adaptação de um RPG clássico francês 
Alexandre Cabral 

O pecado mortal para qualquer editora de RPG é prometer e não cumprir. Durante dois anos a Steve Jackson Games anunciou que iria adaptar para o inglês "In Nomine", Jogo Francês que coloca os jogadores na pele de anjos ou demônios na luta pela salvação (ou perdição) das almas humanas. Prometeu mais: regras simples (diferentemente de seu sistema principal, o "GURPS"); desenhos coloridos de primeira; cenário e personagens detalhados. Diante da demora, parecia que promessa não seria cumprida. Más os hereges que duvidavam estavam enganados. Desta vez o autor da versão americana, Derek Pearcy, e seu ilustrador, Dan Smith, vão para o céu, pois "In Nomine" tem tudo isso. Ele também teve o mérito de conseguir reunir dois jogos (na França há dois livros básicos. "Magna Veritas", para os anjos, e "In Nomine Satanis". para os demônios) num só Trabalho de primeira na arte e no texto. O jogo é ambientado no mundo moderno. Os seres celestiais (anjos ou demónios) incorporam na Terra com freqüência e têm que cumprir diferentes missões, desde proteger uma personalidade importante ou recuperar uma relíquia sagrada até simplesmente promover o bem ou o mal. Para (quem já curte cenários como "Vampiro, a Máscara", "In Nomine" é uma aquisição obrigatória. Mesmo quem não é um fiel da linha Storyteller, tem neste jogo uma opção criativa, e bem-feita. 
Na ilustração acima ESTE É BAAL, O Príncipe dos Demônios, um dos personagens do jogo, que traz ilustrações de ótima qualidade 






Aventuras vividas na Cidade Maravilhosa
Uerj promove concurso para jovens autores de RPG soltarem a imaginação sobre o Rio
Alexandre Cabral

A violência, a qualidade dos transportes e do ensino público são apenas alguns dos problemas das grandes cidades. Pensando numa maneira criativa de enfrentar e buscar soluções para tais questões, o Centro de Tecnologia Educacional (CTE) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) propôs um desafio aos jogadores e mestres de RPG: a criação de um sistema de jogo cujo cenário seja o Rio de Janeiro, levando em conta as aventuras e desventuras dos cariocas. O concurso é gratuito e aberto a qualquer pessoa. Os interessados devem escrever um RPG completo, ambientado no Rio, e entregá-lo até 25 de outubro no CTE, na Uerj (Rua São Francisco Xavier 524, bloco F/sala 10043, Maracanã). Informações pelos telefones 587-7410 e 587-7152. As inscrições também podem ser feitas na Banca do Osny, na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua São José (tel.: 533-9029). A disputa será dividida em três categorias, de acordo com a faixa etária, e premiará os melhores trabalhos com R$ 1.500. Os autores nacionais, como Artur Vecchi, criador do "Monstros", gostaram da iniciativa: — O RPG sempre desperta o interesse dos jovens. Só o prazo de entrega é que ficou curto para escrever um trabalho tão complexo — diz ele. Para Igor Morais, autor do primeiro jogo nacional, "Tagmar", o futuro do RPG é sair da área de entretenimento puro, passando a ser usado também na educação e até no treinamento empresarial: — Um RPG tem que ser bom como jogo e como leitura. Quanto às regras, basta que não atrapalhem a imaginação dos jogadores — conclui..
Marcelo/Editoria de Arte







Lobisomens marcam presença em novidades internacionais 
Lançamentos trazem personagens inspirados em cards. As versões em português não devem chegar por aqui tão cedo
Alexandre Cabral

Lobisomens sempre povoaram as aventuras clássicas de terror ou fantasia. Primeiro com o RPG, e depois na versão cardgame. a White Wolf investiu em cima deste mito. O sucesso continua e, apesar da época de vacas magras que vive o mercado editorial, os lobos vão muito bem, mesmo. Prova disso é a continuidade de módulos lançados lá fora para expandir o sistema. Os livros de Tribos (semelhan-tes aos livros de Clã dos vampiros, que já estão saindo no Brasil) estão quase completos e o último lançamento foi algo inédito: o primeiro módulo para um RPG inspirado nos personagens do cardgame, e não vice-versa. "Warriors of the Apocalipse" é o livro que traz as fichas de personagem dos principais cards do jogo, adaptados para o cenário de role playing. Ele funciona também como um suplemento para criar histórias enfocando os conflitos que acontecem entre os próprios Garous à medida que se aproxima o conflito final entre os defensores de Gaia e a forças destrutivas da Wyrm. Quem não domina o inglês terá que esperar um
pouco: a Devir prometeu para breve a edição brasileira do "Livro dos Jogadores" para "Lobisomem", e só depois disso poderá trazer os livros das Tribos e as demais novidades deste RPG.

Ilha do Governador se firma como point de RPG
Aventuras de diversos sistemas, palestras e vídeos (de "Arquivo X" até animação japonesa e "Jornada nas estrelas"). Isso tudo vai rolar na próxima sexta-feira, dia 21 de junho, das 10h às 17h, no "RPG Cult Con", evento aberto ao público que será organizado pela Interativa Jogos e pela Cultura Inglesa. Completando o dia, haverá um live action, às 19h, no qual os jogadores atuarão numa representação ambientada na Inglaterra da Era Vitoriana completa com Sherlock Holmes, Príncipe de Gales e outras figuras reais ou imaginárias. Inscrições para o live e maiores informações pelos telefones 463 2100 e 462 1887. Se você quiser apenas jogar RPG nas mesas ou assistir aos vídeos, basta aparecer no dia (o endereço é Rua Cam-bauba 281, Ilha do Governador). É grátis, e vale a pena participar. Eventos como esse são raros.







Quando o leitor também é o heroi da aventura 
Livro-jogo ambientado em Tagmar explora os conflitos sociais num mundo de fantasia 
Alexandre Cabral 

Os livros-jogos são uma opção prática de diversão. Lançados no Brasil pela Marques Saraiva, atravês da coleção "Aventuras Fantásticas", conquistaram milhares de adeptos com uma fórmula simples: histórias em que o leitor interage com o texto. Ele é o herói da aventura e decide quais caminhos a seguir, afetando o desenrolar da trama e seu desfecho. Para jogar basta ter papel, lápis e dois dados comuns. Agora a pequena GSA, pioneira em produtos escritos e produzidos no Brasil, lança "Estandarte Sangrento", livro-jogo ambientado no mundo de fantasia de Tagmar. A aventura tem tudo que os fãs do gênero apreciam: combates, charadas, equipamentos, etc. O que torna o livro de Ricardo Andreiolo cativante e original são alguns temas raramente vistos nos livros-jogos. Para começar, o grande vilão não é um dragão devorador de criancinhas nem o feiticeiro maligno do topo da montanha. Andreiolo aposenta estes clichês e apresenta o próprio rei da nação de Marana como antagonista. O tirano envolve a vila do herói (ou seja, do leitor) numa terrível guerra civil. Para detê-lo, você precisará viajar à distante Sensera, capital do reino, para libertar o sábio Rofir (este sim um feiticeiro), seu mestre e mentor do povoado. Assim, apesar dos encontros com monstros e outros inimigos, o centro da saga é o conflito entre o poderoso monarca e seus servos contra o valoroso herói revolucionário e seu povo oprimido. Quebrando outro tabu, o protagonista não age sozinho. Conta, desde o início, com a ajuda de um guerreiro e de um elfo. A interação do leitor com esses ajudantes é instigante. Você passa a ler e jogar preocupado não apenas com o que vai acontecer ao seu personagem como também com o que vai acontecer a seus companheiros, que podem morrer ou separar-se do herói, influindo diretamente na trama. Os desenhos internos, bem acima da média, tornam "Estandarte Sangrento" um livro-jogo e uma história imperdíveis • 




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