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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cientistas criam 'mini-estômagos' em laboratório para estudar doenças


Cientistas criam 'mini-estômagos' em laboratório para estudar doenças

Imagem imunoflorescente do mini-estômago Kyle (Foto: McCracken/Nature/Divulgação)

Órgão artificial pode ser usado em pesquisa sobre câncer, úlcera e diabetes.
Mini-estômagos foram criados a partir de células-tronco pluripotentes.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Arqueólogos descobrem câncer em um esqueleto de 3 mil anos


Arqueólogos descobrem câncer em um esqueleto de 3 mil anos


Lesões identificadas nos ossos são evidências da doença que permitem que os especialistas estudem mais a fundo a evolução do câncer em povos antigos

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Novo chip pode levar a teste rápido de câncer e Alzheimer no futuro



Novo chip pode levar a teste rápido de câncer e Alzheimer no futuro

Microchip criado por cientistas japoneses para detectar RNA no sangue (Foto: Divulgação/Riken)

Cientistas japoneses criaram tecnologia portátil que detecta microRNA.
Concentração das moléculas aumenta no caso dessas doenças.

Cientistas japoneses criaram um pequeno dispositivo portátil que permite detectar a presença de moléculas de microRNA no sangue e em outros fluidos corporais rapidamente, com resultados em cerca de 20 minutos.

Segundo os pesquisadores do Instituto Riken de Ciência Avançada, responsáveis pelo invento, o sistema é um chip que não precisa de fonte externa de energia e que permite descobrir microRNA em volumes bem pequenos de amostras de sangue ou outros fluidos.

O estudo foi publicado nesta quarta-feira (7) no site do periódico "PLOS ONE". A invenção abre caminho para, no futuro, serem criados testes simples para detectar doenças como câncer e o Alzheimer ainda nos estágios iniciais, avaliam os cientistas.

O RNA, ou ácido ribonucleico, é uma molécula vital para os seres vivos por atuar na síntese de proteínas. Já o microRNA, segundo o estudo, é uma molécula pequena de RNA, com a função de regular a expressão dos genes em uma série de processos biológicos, como a divisão das células, sua diferenciação e sua morte.

A concentração de microRNA em fluídos corporais, como o sangue e a saliva, aumenta conforme progridem doenças como câncer e Alzheimer, afirma o estudo. Este é o efeito que os cientistas esperam detectar utilizando o dispositivo inventado.

Técnicas atuais para análise de microRNA precisam de dias para apresentar resultado e envolvem equipamentos que podem ser usados apenas por técnicos treinados, afirmam os pesquisadores.

Os cientistas esperam que o microchip, quando aperfeiçoado e com mais pesquisas, possa se tornar um novo método de diagnóstico de doenças e distúrbios em todo o mundo, principalmente em regiões mais pobres do planeta.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Eletricidade sob suspeita - Biofísica


ELETRICIDADE SOB SUSPEITA - Biofísica



A hipótese teve o impacto de um choque: as correntes de alta tensão podem causar câncer. Pesquisas em vários países, incluindo o Brasil, tentam saber se isso é verdade. Nada está provado; a desconfiança é forte.

As ondas eletromagnéticas são tão comuns que normalmente ninguém se dá conta delas. Estão presentes no calor que o peito da mãe transmite ao bebê, na luz do Sol e das estrelas, nas ondas de rádio e de televisão e também em torno das linhas de alta tensão que transportam pesadas cargas de energia para iluminar as cidades e mover as linhas de montagem industriais. Benéficas servas da humanidade, uma das marcas registradas do século XX, essas ondas estão agora sob a implacável luz de uma grave suspeita: mesmo nas fracas doses emitidas pela rede de distribuição de energia ou pelos eletrodomésticos, dos cobertores elétricos aos aparelhos de TV, dos secadores de cabelo às máquinas de café, elas poderiam causar câncer.
Forma modesta de radiação, as ondas eletromagnéticas se espalham pelo espaço porque a corrente elétrica nos fios não flui numa só direção como se viesse continuamente da hidrelétrica para o consumidor Ela se alterna como um pêndulo, indo e voltando de um pólo a outro. Cria assim forças elétricas e magnéticas à sua volta. O rumo da corrente se inverte sessenta vezes por segundo. Por isso, em linguagem técnica se diz que esse vai-vém representa uma freqüência de 60 hertz e corresponde à energia da radiação emitida. (Nos países europeus, a freqüência utilizada é de 50 hertz). As ondas nessa faixa são designadas pela sigla inglesa ELF. que quer dizer "freqüência extremamente baixa". Elas fazem jus ao nome: para se ter uma idéia de como são fracas, basta compará-las à luz, uma onda eletromagnética que se repete 10 trilhões de vezes por segundo. 
Pelo fato de ser muito baixa a radiação emitida, a desconfiança de que ela pudesse conduzir ao câncer foi recebida com compreensível ceticismo. Não obstante a falta de apoio, um pequeno grupo de cientistas trabalhou dez anos no assunto, até que, em 1986, o Congresso dos Estados Unidos mandou estudar a questão e reconheceu que as linhas de transmissão não estão necessariamente isentas de risco. "Está claro que as ondas de baixa energia podem interagir com as células e órgãos e produzir mudanças biológicas", constata um relatório da comissão de assessoramento tecnológico do Congresso, datado de maio do ano passado, ressalvando que ainda não se sabe exatamente o que se passa com os organismos vivos expostos a tais ondas. Mas já não se pode dizer que o risco não existe.
A evidência mais importante havia sido levantada em 1979 pela bióloga e socióloga americana Nancy Wertheimer, da Universidade do Colorado. Ela comparou 900 crianças que viviam perto das linhas de alta tensão e dos transformadores de rua, na cidade de Denver, com outras tantas da mesma idade, que moravam mais longe da rede elétrica. Descobriu assim entre as primeiras uma incidência duas vezes maior de casos de câncer do sangue, ou leucemia - o que sugeriria pelo menos uma possibilidade de que doença e local de moradia estivessem relacionadas. Ignorada a princípio, a conclusão de Nancy foi confirmada em 1986 por uma equipe especialmente cética, chefiada pelo epidemiologista David Savitz, da Universidade da Carolina do Norte.,
A conclusão do estudo de Savitz - patrocinado por um grupo de empresas de eletricidade - surpreendeu a comunidade científica, embora os seus resultados. obtidos a partir de uma amostra com 500 crianças. fossem por assim dizer mais brandos que os da pesquisa de Nancy. Ele apontou no grupo vizinho à rede uma propensão à leucemia uma vez e meia maior do que no outro grupo. Do ponto de vista estritamente estatístico, isso significaria que pelo menos 10 por cento dos casos anuais de leucemia infantil registrados nos Estados Unidos poderiam ter sido causados pela eletricidade.
Em vista disso, a opinião dos especialistas americanos mudou. "Há menos de três anos, ninguém esperava encontrar nada", diz o biólogo Leonard Sagan, do Instituto de Pesquisa de Energia Elétrica de Palo Alto, na Califórnia. "Agora não se pode ignorar o conjunto de evidências." Algumas experiências indicam que as células cancerosas parecem gostar das ondas eletromagnéticas tornando-se mais numerosas e mais fortes quando banhadas por elas. Foi o que mostrou o biólogo Jerry Phillips, do Centro de Pesquisa e Terapia do Câncer, em San Antonio, também na Califórnia. Phillips utilizou dois grupos de células obtidas de pacientes de câncer e submeteu um dos grupos à radiação ELF, aquela de freqüência extremamente baixa. Como resultado, essas últimas células passaram a se multiplicar duas vezes mais rapidamente do que as células do primeiro grupo: em alguns casos a velocidade chegou a ser até vinte vezes maior.
Mesmo depois de afastada a radiação, o efeito se mantinha, mostrando que as células estavam transmitindo a nova aptidão para as suas descendentes, uma herança que se prolongava por centenas de gerações num período de meses. Ou seja, as células cancerosas, que normalmente têm um ritmo desembestado de crescimento, sob efeito da radiação parecem pisar ainda mais fundo no acelerador. Outro pesquisador, o físico Abe Liboff, da Universidade de Oakland, descobriu algo semelhante: sob efeito da radiação, os linfócitos, as células brancas do sangue, tanto normais quanto cancerosas, passam a produzir material genético em excesso, sinal de que estão de prontidão para crescer.
Barry Wilson, um pesquisador de Richland, Estado de Washington, concluiu que as ondas eletromagnéticas reduzem os níveis de melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal, conhecido por prevenir em ratos o câncer da mama. Indícios parecidos foram assinalados por dezenas de especialistas, nos últimos anos. A primeira e até agora única pesquisa brasileira sobre o assunto abrangeu ex-funcionários da Light, no Rio de Janeiro. O epidemiologista Sérgio Koifman, da Escola Nacional de Saúde Pública, ligada à Fundação Oswaldo Cruz, descobriu que, entre 1 476 trabalhadores da empresa, falecidos de 1965 a 1986, 88 foram portadores de algum tipo de câncer - sempre numa proporção bem maior do que na população carioca em geral. Pelas estatísticas, o câncer no estômago, por exemplo, deveria ter acometido quarenta eletricitários na amostra examinada. Houve nada menos de 55 casos. Koifman verificou ainda uma incidência excessivamente alta de tumores cerebrais entre 202 daqueles 1 476 funcionários, que haviam passado muito tempo próximos de linhas de alta tensão. Isso o convenceu de que existe algum nexo entre a radiação e os males observados - embora o pesquisador advirta que os dados, muito preliminares, não autorizam conclusões taxativas. "Fica difícil, porém, imaginar que o câncer não se associa à radiação", confessa. "Estamos procurando sensibilizar as empresas do setor elétrico para a necessidade de um estudo de grandes proporções a respeito."
O estudo mais ambicioso atualmente se realiza na França e no Canadá, onde a vida de um total de 150 000 trabalhadores do setor de energia elétrica passou a ser minuciosamente esquadrinhada por uma pesquisa cuja meta é responder, com a precisão não alcançada por nenhuma das investigações anteriores, se a intimidade com a radiação de baixa freqüência é realmente prejudicial à saúde. Organizada pela empresa estatal francesa de eletricidade, a EDF, esta é desde já uma das maiores pesquisas epidemiológicas da história, que compreende ainda a análise de cada um dos 2 500 casos de câncer registrados de 1978 a 1988 entre os trabalhadores do setor.
Examinando a ficha profissional dessas pessoas, os especialistas tentam medir as doses radioativas a que elas foram submetidas e compará-las com as doses recebidas por 10 000 trabalhadores sorteados ao acaso, que não apresentaram sintomas de câncer. A comparação permitirá verificar se a doença pode ser atribuída a doses eventualmente excessivas de radiação. Durante vários meses no decorrer do estudo, todo o pessoal envolvido portou nos uniformes pequenos medidores de radiação, de modo a mapear a intensidade das ondas eletromagnéticas nos diversos postos de trabalho.
As primeiras conclusões deverão estar prontas no final de 1991. Mesmo enquanto se espera uma definição clara sobre a verdadeira ameaça representada pelas correntes elétricas, diversas medidas preventivas já estão sendo tomadas. Oito Estados americanos, por exemplo, decidiram impor limites às grandes linhas de energia que cruzam seus territórios. No caso das redes de transmissão, a idéia é programar melhor as novas linhas de modo a evitar, por via das dúvidas, que atravessem regiões populosas, ou passem perto de escolas e creches. Dentro de casa, recomenda-se estudar a disposição dos fios de forma a minimizar os campos de radiação, isto é, a distribuição da energia eletromagnética no espaço. Mas ninguém deve entrar em pânico e começar a jogar fora os seus eletrodomésticos, advertem, sem exceção, todos os especialistas.  Dentro desse espírito, as fábricas americanas também estão sendo instadas a redesenhar os eletrodomésticos, ainda que os riscos oferecidos pelos velhos aparelhos convencionais, ao que tudo indica, sejam praticamente zero.
A única precaução imediata se refere aos cobertores elétricos, que só deveriam ser usados para aquecer a cama e desligados na hora de deitar. Esse cuidado está relacionado no relatório do Congresso americano, escrito sob encomenda por uma equipe de cientistas da Universidade Carnegie-Mellon. O epidemiologista David Savitz, da Carolina do Norte, também é cauteloso. "O que sabemos até agora não sugere nenhuma medida drástica de proteção", tranqüiliza.
Supondo, em todo caso, que se estabeleça para além de qualquer dúvida uma relação de causa e efeito entre eletricidade e câncer restaria explicar como se dá essa relação. Por ora, poucos cientistas ousam desenhar os hipotéticos mecanismos pelos quais a débil energia emanada dos fios elétricos poderia afetar o organismo humano. As ameaças conhecidas advêm das forças elétricas e magnéticas criadas por radiações mais potentes, como a dos raios X, empregados nas radiografias, ou a dos raios ultravioleta, emitidos pelo Sol junto com a luz. Esse tipo de onda eletromagnética recebe o nome de radiação ionizante porque é intensa o bastante para arrancar um ou mais elétrons de um átomo e transformá-lo numa partícula eletricamente carregada, chamada íon. Mas essa proeza está bem distante da radiação de 60 hertz, cuja força poderia, no máximo, acelerar íons já existentes no corpo humano.
Por causa dessa força, os íons de cálcio, importantes mensageiros químicos das células, passaram a ser encarados como um dos possíveis alvos da radiação não-ionizante. Segundo o fisiologista americano Ross Adey, de Loma Linda, Califórnia, um dos mais insistentes estudiosos do problema, as ondas eletromagnéticas facilitam o fluxo daqueles íons para fora das células, algo que pode alterar suas funções normais, incluindo o seu ritmo de reprodução, um dado crucial nas transformações cancerosas. A proposta faz sentido, especialmente porque se sabe que, quando a célula é estimulada a crescer, ocorrem mudanças drásticas no seu estoque de íons de carga positiva. Ora, uma das maneiras de saber se uma célula é cancerosa é medir o seu pH, ou seja, o número de cargas positivas. "As células tumorais se caracterizam por ter um pH mais alto", explica a bioquímica e bióloga molecular Mari Armelin, da Universidade de São Paulo. A hipótese de Adey, portanto, pode abrir uma trilha promissora na investigação, embora seja apenas um primeiro passo. Em princípio, a leucemia nada tem a ver com as ondas eletromagnéticas, pois até onde se sabe a doença começa com um desarranjo nos genes - um gene de nome abl, que funciona apenas ocasionalmente, incorpora um pedaço de outro gene e dispara a trabalhar fora de hora, iniciando a transformação maligna. O desarranjo original pode surgir por causa de um vírus, ou pode ser provocado por alguma toxina, como a cafeína ou o alcatrão do cigarro. O resultado final é um aumento desmesurado no número das células do sangue - o crescimento é tão grande que elas passam a competir com o organismo por alimento e o paciente acaba abatido por inanição.
A radiação de baixa freqüência também tem sido associada a diversos outros distúrbios, como a fadiga e a depressão; por causa disso, nos países do Leste europeu existe restrição à intensidade dos campos eletromagnéticos a que as pessoas possam ficar expostas. Na Polônia, por exemplo, a permanência por tempo indeterminado se limita a locais onde a radiação não supera certo patamar - o limite é fixado em termos do campo elétrico e vale 1 quilovolt por metro (ou 1 kV/m). Sob um fio de alta tensão, o campo elétrico chega a 10 kV/m. Na União Soviética, não se admite que alguém permaneça mais de três horas por dia sob um campo de 10 kV/m, ou mais de 10 minutos sob um campo de 20 kV/m. A expectativa é de que, a julgar pelo volume de pesquisas em curso, a preocupante pergunta sobre o nexo entre eletricidade e câncer não demore muito a ser respondida. Pode acontecer, no entanto, que a polêmica persista, à falta de resultados absolutamente conclusivos - o que não é raro em ciência. Nesse caso, como diz David Carpenter diretor da Escola de Saúde Pública do Estado de Nova York, continuaremos a ver a ponta do iceberg sem ter idéia do seu tamanho exato. "E isso nos deve preocupar a todos." 

Portas abertas pela radiação

Para explicar os supostos efeitos biológicos da radiação de baixa freqüência, o físico Abe Liboff, da Universidade de Oakland, nos Estados Unidos, está investigando o comportamento dos átomos eletricamente carregados, ou íons, que desempenham papel essencial como mensageiros químicos das células. Os campos de força criados pela radiação, imagina o cientista, podem dar um impulso extra em certos íons que atravessam a membrana celular e assim se perdem. Liboff mostrou que as forças químicas próprias da membrana, também de origem eletromagnética, fazem os íons de cálcio vibrar de um lado para o outro dezesseis vezes por segundo, ou com uma freqüência de 16 hertz.
Esse número aparece em outras experiências, nas quais células expostas a ondas eletromagnéticas de 16 hertz perdem grande quantidade de íons de cálcio. Isso acontece, por exemplo, com as células cerebrais dos frangos expostos a uma radiação de 16 hertz. A conclusão de Liboff: quando a freqüência externa se iguala à freqüência natural das aberturas celulares, há uma ressonância: as forças eletromagnéticas internas e externas se somam, com inevitável aceleração dos íons. Tudo se passa como se a radiação externa escancarasse as portas químicas das células e desarranjasse a sua rotina normalmente ordeira.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Flor usada no Egito antigo tem sucesso contra câncer

Flor usada no Egito antigo tem sucesso contra câncer em pesquisa
Remédio feito com açafrão-do-prado destruiria células cancerígenas, preservando tecidos saudáveis.


O pesquisador Laurence Patterson (Foto: PA)
Um novo remédio feito com uma flor que já tinha usos medicinais no Egito antigo pode destruir células de câncer, segundo uma pesquisa realizada por cientistas britânicos.
A nova droga produzida a partir do açafrão-do-prado (Colchicum autumnale) circula na corrente sanguínea, mas só é ativada por uma substância química emitida por tumores malignos.
Ela atacaria então as células cancerosas que se espalharam, mas deixaria intactos os tecidos saudáveis.
O remédio foi testado com sucesso em camundongos contra câncer de mama, intestino, pulmão e próstata, mas deve ser eficiente contra qualquer tipo de tumor sólido, segundo os pesquisadores.
Nos testes de laboratório, metade dos camundongos ficou completamente curada após uma única injeção da droga e houve redução no ritmo de crescimento dos tumores em todos os animais testados.
Os testes clínicos devem começar em até dois anos.


Açafrão-do-prado (Foto: Arnhoffer Károly/Creative Commons)
'Inanição'
Os pesquisadores dizem que a chave para o sucesso do tratamento é que ele é ativado por uma enzima usada pelos tumores para invadir os tecidos a seu redor.
Uma vez ativado, o remédio destrói as veias que alimentam o tumor e faz com que o câncer morra de inanição.
'O que criamos é, efetivamente, uma 'bomba inteligente', que pode ser direcionada a matar qualquer tumor sólido, aparentemente sem danificar os tecidos saudáveis', disse o líder da pesquisa da Universidade de Bradford, Laurence Patterson.
Veneno
O extrato do açafrão-do-prado tem um histórico de usos medicinais e também como veneno na Grécia e no Egito antigos.
Mais frequentemente, a substância colchicina, retirada da planta, é usada no tratamento de crises de gota.
Tentativas anteriores de usá-la no combate ao câncer fracassaram devido à alta toxicidade do composto, mas o problema teria sido resolvido depois que a equipe britânica conseguiu torná-la inofensiva até entrar em contato com um tumor.
A nova droga pertence à mesma família de remédios do Paclitaxel, o agente de quimioterapia mais usado no mundo, produzido a partir da casca da árvoreTaxus brevifolia.
'Se (os resultados) forem confirmados em testes de laboratórios mais extensos, os remédios baseados nessa abordagem podem ser muito úteis como parte de uma combinação de tratamentos contra diversos tipos de câncer', disse Paul Workman, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres.
Pacientes do Hospital de St. James, em Leeds, poderão ser os primeiros a testar o novo remédio dentro de 18 a 24 meses.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Cientistas descobrem que processo celular pode reduzir câncer

26/02/2011 09h00 - Atualizado em 26/02/2011 09h00

Cientistas descobrem que processo celular pode reduzir câncer
Por meio da autofagia, células cancerosas são eliminadas.
Agora, a esperança é conseguir reduzir tumores usando o método.

imprimir Cientistas do Trinity College, em Dublin, Irlanda, descobriram que a autofagia desempenha um papel importante em evitar o desenvolvimento do câncer. A pesquisa foi publicada pelo jornal científico “Molecular Cell”.

A autofagia é um processo no qual uma célula literalmente se come. Normalmente, ocorre em períodos de jejum prolongado, e nesse contexto é benéfica para manter a nutrição do corpo até que o indivíduo se alimente outra vez.

A equipe liderada pelo professor Seamus Martin descobriu que mutações num gene chamado Ras, envolvido em cerca de 30% dos cânceres humanos, provoca a autofagia excessiva, levando à autodestruição da célula que origina um tumor.

O Ras mutante aumenta a produção de Noxa, uma proteína que aciona o processo de autofagia, fazendo com que as células se comam até a morte enquanto o câncer ainda está no estágio inicial. O estudo sugere que a autofagia seja um importante método natural de combate ao desenvolvimento do câncer.

Outra descoberta importante envolve membros da família de genes Bcl-2. Esses genes interrompem o processo da autofagia, o que faz com que as células cancerosas sobrevivam. Isso sugere que um tratamento com drogas que neutralizem o Bcl-2 possa reativar o processo natural de autodestruição e ajudar a reduzir tumores.

“Essa descoberta é um passo importante em direção à compreensão de como as células nos estágios iniciais do câncer apertam o botão de autodestruição e sugere novas formas pelas quais possamos reativar esse processo em cânceres que de fato se estabeleçam”, comentou Martin.

terça-feira, 22 de março de 2011

Gene ligado ao nanismo protege contra câncer e diabetes, diz estudo

17/02/2011 15h06 - Atualizado em 17/02/2011 17h29

Gene ligado ao nanismo protege contra câncer e diabetes, diz estudo
Pessoas com a síndrome de Laron tiveram menor incidência das doenças.
Cientistas pretendem elaborar tratamentos bloqueando hormônios.


A pesquisa acompanhou cerca de cem pessoas com a síndrome de Laron (Foto: Cortesia / Jaime Guevara-Aguirre)Um estudo de 22 anos com pessoas anormalmente baixas sugere que as mutações que causam o nanismo podem também diminuir o risco de câncer e diabetes. Na pesquisa, o biólogo celular Valter Longo, da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, e o endocrinologista equatoriano Jaime Guevara-Aguirre acompanharam uma comunidade remota nas encostas dos Andes.

Nesta comunidade, há muitas pessoas com a síndrome de Laron, um defeito num gene que impede o corpo de utilizar o hormônio do crescimento (GH). Os cientistas acompanharam cerca de cem indivíduos com a síndrome e 1,6 mil de estatura normal.

Durante os 22 anos, não foi registrado nenhum caso de diabetes e apenas um de câncer – que não levou à morte – entre os anões. Em contrapartida, entre as pessoas de estatura normal, 5% tiveram diabetes e 17% sofreram de câncer. Como eles viviam no mesmo ambiente e tinham os mesmos fatores genéticos, os cientistas concluíram que o hormônio do crescimento tem suas desvantagens.


O pesquisador Jaime Guevara-Aguirre e com participantes da pesquisa em 1988 (Foto: Cortesia / Jaime Guevara-Aguirre)“As pessoas com deficiência de recepção do hormônio do crescimento não têm duas das principais doenças do envelhecimento. Também têm uma incidência muito baixa de acidentes vasculares, mas o número de mortes por conta deles foi muito baixo para determinar se isto é significante”, afirmou Longo.

Contudo, a expectativa de vida dos dois grupos é aproximadamente a mesma, pois os anões morrem pelo abuso de substâncias ou por acidentes com mais frequência. “Embora os indivíduos que encontramos aparentem estar relativamente felizes e normais e sabidamente tenham funções cognitivas normais, há muitas causas de morte estranhas, incluindo muitas ligadas ao álcool”, explicou o pesquisador.

O que ainda não está claro para os cientistas é como a deficiência de hormônios de crescimento pode proteger um indivíduo. De toda forma, existe a esperança de desenvolver um tratamento a partir do bloqueio dos hormônios. A ideia é utilizar tal tratamento em adultos com alta taxa destes hormônios, tentando levá-los a uma taxa média, e apenas em famílias com alta incidência de câncer e diabetes.

O estudo foi divulgado pela publicação científica “Science Translational Medicine”.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Homem vive 10 anos com tumor do tamanho de bola de futebol nos EUA

15/02/2011 17h08 - Atualizado em 15/02/2011 17h26

Homem vive 10 anos com tumor do tamanho de bola de futebol nos EUA
Josh Abken retirou o câncer em 2010, após cirurgia de várias horas.
Tumor ficou conhecido como 'alien' por ter desenvolvido 'tentáculos'.


Imagem mostra tumor que foi retirado do corpo de
Josh Abken (Foto: CBS Sacramento / Reprodução)Um homem de 36 anos sobreviveu durante 10 anos com um tumor no tórax do tamanho de uma bola de futebol nos Estados Unidos. Um ano após retirar o câncer, que pressionava o coração e deslocava pulmões e estômago, o vice-diretor de escola Josh Abken ainda passa por exames de tomografia para saber se a ameaça pode retornar.

O norte-americano, morador da cidade de Sacramento, na Califórnia, procurou os médicos em 2010, reclamando de fortes dores nas costas. Ao passar por exames de raios-x, foi informado sobre um câncer agressivo, grande como uma bola e que havia desenvolvido "tentáculos".

Para retirar o tumor, que estava parcialmente calcificado e endurecido, o médico Constanzo Di Perna, do Mercy Hospital, precisou de várias horas de cirurgia para salvar Josh.

O câncer ficou conhecido como "tumor alien" pela imprensa norte-americana e recebeu até um nome próprio: "Gill". Os parentes de Josh chegaram a fazer camisetas com os dizeres "Kill Gill" ('Mate Gill', em alusão ao filme 'Kill Bill', de Quentin Tarantino), para apoiar o norte-americano no combate à doença. As informações são da "CBS Sacramento".

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Suco de romã pode frear metástase de câncer de próstata

13/12/2010 15h12 - Atualizado em 13/12/2010 15h25

Suco de romã pode frear metástase de câncer de próstata
Pesquisadores americanos afirmam que suco também poderá ser usado para outros tipos de câncer.


Componentes químicos do suco da romã também poderiam ser usados em outros tipos de câncer


Exame de câncer de próstata dá falso positivo para 12,5%, afirma pesquisaRemédio que 'cura' câncer ainda está longe das farmácias, diz pesquisadoraPesquisadores da Universidade Riverside, da Califórnia, identificaram componentes no suco de romã que podem inibir os movimento de células cancerosas e a metástase do câncer de próstata.

A descoberta, diz Manuela Martins-Green, uma das pesquisadoras, pode ainda ter impacto no tratamento de outros tipos de câncer.

Quando o câncer de próstata reaparece no paciente depois de tratamentos como cirurgia e/ou radiação, geralmente o próximo passo é a supressão do hormônio masculino testosterona, um tratamento que inibe o crescimento das células cancerosas, pois elas precisam do hormônio para crescer.


Laboratório americano aplicou o suco de romã em
células de câncer de próstata cultivadas em
laboratório (Foto: SPL via BBC)Mas, com o tempo, o câncer desenvolve formas de resistir também a esse tratamento, se transforma em um câncer muito agressivo e sua metástase ataca a medula óssea, pulmões, nódulos linfáticos e geralmente resulta na morte do paciente.

O laboratório americano aplicou o suco de romã em células de câncer de próstata cultivadas em laboratório que já eram resistentes à testosterona - quanto mais resistente à testosterona uma célula cancerosa é, maior é a sua tendência à metástase.

Os pesquisadores então descobriram que as células tratadas com o suco de romã que não morreram com o tratamento mostraram uma maior adesão, o que significa que menos células se separavam, e também queda na movimentação dessas células.

Em seguida os pesquisadores identificaram os grupos ativos de ingrediente no suco de romã que tiveram impacto molecular na adesão das células e na migração de células cancerosas no câncer de próstata já em estado de metástase.

'Depois de identificá-los, agora podemos modificar os componentes inibidores do câncer no suco de romã para melhorar suas funções e fazer com que eles sejam mais eficazes na prevenção da metástase do câncer de próstata, levando a terapias com remédios mais eficazes', disse Manuela Martins-Green.

Outros tipos de câncer
A pesquisadora afirma que a descoberta pode ter impacto no tratamento de outros tipos de câncer.

'Devido (ao fato de) os genes e proteínas envolvidas no movimento das células de câncer de próstata serem essencialmente os mesmos que os envolvidos no movimento de células em outros tipos de câncer, os mesmos componentes modificados do suco poderão ter um impacto muito mais amplo no tratamento do câncer', afirmou.

Manuela Martins-Green explicou ainda que uma proteína importante produzida na medula óssea leva as células cancerosas a se mover para a medula onde elas poderão formar novos tumores.

'Mostramos que o suco de romã inibe a função dessa proteína e, assim, esse suco tem o potencial de evitar a metástase das células do câncer de próstata para a medula', disse.

Os próximos planos da pesquisadora são fazer testes adicionais em um organismo vivo com câncer de próstata em em fase de metástase para determinar se os mesmos componentes que foram eficazes nas células cultivadas em laboratório poderão evitar a metástase sem efeitos colaterais.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Peneira de Ozônio - Atmosfera

PENEIRA DE OZÔNIO - Atmosfera



As medições de ozônio na atmosfera começaram nos anos 50, com o objetivo de conhecer melhor a dinâmica do planeta. No início da década de 80, percebeu-se que a camada desse gás sobre a Antártida estava diminuindo a níveis que exigiam atenção. Em 1985, uma equipe de cientistas britânicos, liderada pelo físico Joseph Farman, anunciou a descoberta de um buraco na camada de ozônio. E a situação não demorou a se agravar: dos 20% de perda inicialmente verificada, havia locais em que, no verão de 1987, até 50% do ozônio sobre a Antártida tenha se dissipado.

Tudo indicava que essa alteração no comportamento da camada de ozônio fora provocada pela ação do homem. A emissão contínua na atmosfera de um conjunto de compostos químicos chamados clorofluorcarbonetos, ou CFCs, destruía as moléculas de ozônio. Descobertos na década de 30, os CFCs vinham sendo usados em embalagens aerossóis, em motores de geladeiras e no processo de fabricação de tintas e solventes, entre outras aplicações industriais. Naquele mesmo ano, foi redigido um documento internacional, o Protocolo de Montreal, em que os países se comprometiam a reduzir gradativamente a emissão de CFCs na atmosfera e buscar tecnologias alternativas para a indústria. Ainda não se tinha noção da real gravidade do problema, e o documento foi firmado por menos de 40 países.

No início da década de 90, uma descoberta foi fundamental para que se tivesse um quadro mais abrangente do que estava acontecendo: cientistas constataram que havia um outro buraco, dessa vez cobrindo toda a superfície do Ártico e se espalhando por áreas de concentração populacional. E logo descobriram mais buracos, menores, principalmente no Hemisfério Sul.
Com o avanço das pesquisas, os países que se negavam a ratificar o Protocolo de Montreal perderam seus argumentos. Hoje são 180 países signatários do documento, que prevê a proibição total do uso de CFCs e outros gases até 2015. Mesmo assim, a situação é preocupante. Os CFCs têm vida longa e podem levar muitos anos para atingir a camada de ozônio. Se o Protocolo de Montreal for seguido à risca, calcula-se que a camada comece a se recuperar em meados deste século.

O escudo
A camada de ozônio é uma espécie de capa protetora da Terra encontrada na atmosfera. Ela filtra os raios ultravioleta, que podem causar doenças nos seres humanos, como o câncer de pele,além de prejudicar toda a biodiversidade do planeta. Se ela não existisse, dificilmente alguma espécie conseguiria sobreviver diretamente exposta à tamanha quantidade de radiação solar. A presença de ozônio se dá a partir de 10 quilômetros da superfície terrestre, mas a maior concentração do gás ocorre entre 20 e 34 quilômetros de distância da crosta, segundo relatório do programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Estável durante milhões de anos, a camada vem diminuindo vertiginosamente e de forma heterogênea nas últimas décadas. Nos locais mais vulneráveis, em que ela tem maior contato com elementos químicos destruidores, são formados os chamados "buracos na camada de ozônio". Esse fenômeno é dinâmico, varia conforme a temperatura, a emissão de poluentes, as correntes de vento e a localização geográfica. A primavera é a época em que os buracos crescem mais, podendo se retrair nas outras estações. Os pólos são as regiões em que a situação é mais grave.

O impacto da descoberta
Descoberto um imenso buraco na camada de ozônio sobre a Antártida, em 1985, chamou a atenção da comunidade internacional e levou à assinatura do Protocolo de Montreal, que prevê o banimento dos gases que destroem as moléculas de ozônio

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mãe de menino com câncer recusa tratamento

21/05/09 - 11h04 - Atualizado em 21/05/09 - 11h04

Mãe de menino com câncer recusa tratamento e gera debate nos EUA
Com 13 anos, garoto tem linfoma de Hodgkin, que pode ser curado.
Pais, no entanto, dizem ser contra quimioterapia por razões religiosas.

Um garoto de 13 anos está com câncer e fugindo da polícia com sua mãe, nos Estados Unidos. daniel Hauser teve um linfoma de Hodgkin diagnosticado em janeiro desse ano, depois de sentir dores no peito. O linfoma de Hodgkin é um tumor maligno que tem tratamento conhecido e com bons resultados, quando iniciado a tempo.

O tratamento ideal para esse tipo de tumor são sessões de quimioterapia e eventualmente complementação com radioterapia. Depois das primeiras sessões de quimioterapia a família do jovem interrompeu o tratamento e não retornou mais ao hospital. Os médicos apelaram para a justiça estadual, que realizou uma audiência em 15 de maio para avaliar a situação.

A mãe do garoto declarou ser contra a quimioterapia por razões religiosas. A família faz parte de uma seita que segue orientações indígenas e que não admite medicações que ataquem o corpo humano. O rapaz está sendo tratado com ervas e vitaminas. A mãe diz que a quimioterapia seria um veneno para o filho.

Os médicos por outro lado explicaram que o tumor de Daniel tem mais de 90% de chances de ser curado e ele tem somente 5% de probabilidade de sobreviver sem o tratamento. O juiz ordenou que uma avaliação radiológica fosse feita, e os raios-X mostraram que o tumor de Daniel voltou a crescer após o tratamento inicial e está pior do que em janeiro.

Mãe e filho faltaram à audiência marcada para 19 de maio e o juiz emitiu uma ordem de prisão para a mãe, caracterizando o quadro como negligência médica.
As últimas notícias dão conta de que os dois estariam fugindo em direção ao México.

O caso não é inédito nos Estados Unidos, e curiosamente os outros episódios também aconteceram com linfomas de Hodgkin. O tumor atinge adultos jovens e adolescentes, que por isso são legalmente dependentes dos pais. A discussão é até que ponto a vontade dos pais de um menor pode impedir a um tratamento médico que pode salvar a vida dessa criança. Qual o papel do Estado em proteger as crianças, e qual é o limite para essa proteção?

As dúvidas da sociedade são criadas pelo avanço tecnológico e surgem mais rapidamente do que as leis. Todos nós devemos pensar em que sociedade queremos viver para que esse consenso possa chegar até a Justiça através de novas leis, se for o caso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Grupo descobre motivo da resistência do câncer de pâncreas

22/05/09 - 09h18 - Atualizado em 22/05/09 - 09h18

Grupo descobre motivo da resistência do câncer de pâncreas a remédios
Pequena irrigação de sangue dificulta chegada de medicamento ao tumor.
Trabalho está na revista científica americana 'Science'.

Os tumores do pâncreas possuem poucos vasos sanguíneos e, por isso, não têm muitas vias para a distribuição de remédios contra o câncer, segundo estudo publicado pela revista "Science".

Isso poderia explicar porque o câncer de pâncreas é um dos mais letais, segundo a equipe de cientistas liderada por Kenneth Olive, do Instituto do Câncer de Cambridge, no Reino Unido. O tratamento padrão da doença é feito através do remédio gemcitabine, que garante mais algumas semanas de vida ao paciente.

Mais sangue, menos tumor
Na pesquisa, um grupo de ratos geneticamente modificados desenvolveu tumores pancreáticos. A equipe de Olive observou que os tumores dos animais não contavam com muitos vasos sanguíneos, uma característica que também aparecia em amostras de tumor pancreático humano.

Os pesquisadores iniciaram um tratamento nos ratos com gemcitabine e outro composto, IPI-926. A combinação de remédios resultou no aumento da quantidade de vasos sanguíneos dentro do tumor, além de uma distribuição maior do gemcitabine, o que retardou o avanço do câncer, segundo o relatório.

O estudo pode gerar novas formas de tratamento do câncer de pâncreas, um mal que afeta 42.500 pessoas por ano e mata 35.000 anualmente nos Estados Unidos.

Gengibre pode ajudar doentes de câncer

18/05/09 - 11h27 - Atualizado em 18/05/09 - 11h27

Gengibre pode ajudar doentes de câncer a enfrentar náuseas da quimioterapia
Uma colher de chá reduziu os efeitos negativos do tratamento de tumor.
Ânsia e vômitos podem acometer até 70% das pessoas nessa condição.

Pesquisadores descobriram que uma colher de chá de gengibre pode diminuir a náusea associada ao tratamento de quimioterapia. A náusea e os vômitos estão entre os mais comuns e altamente desagradáveis efeitos indesejados no tratamento dos tumores malignos. Cerca de 70% dos pacientes podem vir a sentir esses problemas.

Os resultados da pesquisa foram apresentados em uma coletiva de imprensa que serviu de prévia para o Congresso da Sociedade de Oncologia Clínica daqui há duas semanas em Orlando, na Flórida. Foram estudados mais de 600 pacientes que estavam em tratamento com quimioterápicos e que já haviam apresentado náuseas e vômitos nos primeiros ciclos.

Divididos em grupos, os participantes receberam no próximo ciclo do tratamento uma suplementação de pílulas de gengibre ou placebo, alem dos medicamentos habituais para náusea. As doses de gengibre equivaliam a 1, 1,5 e 0,5 grama de gengibre ralado. Os pacientes começavam a tomar as doses de gengibre 3 dias antes de começarem a quimioterapia e as mantinham até o fim do ciclo.

Todos as dosagens de gengibre foram eficientes em reduzir a náusea associada ao tratamento. Aqueles que receberam a dose menor, 0,5 gramas por comprimido, apresentavam os melhores resultados. A redução, que foi de 40% nos melhores casos, aponta para uma associação interessante entre medicina complementar e tradicional nesse problema de difícil solução. Vamos aguardar o congresso e a apresentação completa dos dados desse trabalho para maiores detalhes.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tatuagem não aumenta risco de câncer de pele

13/05/09 - 07h00 - Atualizado em 13/05/09 - 07h00

Tatuagem não aumenta risco de câncer de pele, diz médico americano
Casos documentados teriam a ver com local escolhido para tattoo.
Em várias ocasiões, pessoas fazem desenhos sobre marcas de nascença.

Tatuagens aumentam o risco de câncer de pele?

À medida que mais pessoas tatuam seus corpos, algumas se perguntam se pode haver ali um risco escondido (além do risco de arrependimento, anos mais tarde).

Muitas tintas são feitas com metais; o azul, por exemplo, contém cobalto e alumínio. Já o vermelho pode conter sulfeto de mercúrio. Isso, somado ao fato de que a tatuagem pode ser traumatizante para a pele, levantou suspeitas de que os desenhos podem levar ao câncer de pele. Estudos realizados nos últimos anos documentaram alguns casos desse tipo de câncer em locais do corpo tatuados.

No entanto, Ariel Ostad, professor assistente clínico de dermatologia do NYU Langone Medical Center, em Manhattan, afirma que isso não significa que a tatuagem causou o câncer. De fato, diz ele, a tinta provavelmente não causa nenhum dano, pois fica confinada às células epiteliais chamadas de macrófagos, cujo trabalho é justamente absorver material externo.

O mais provável, sustentou Ostad, é que a tatuagem tenha sido realizada em algum tipo de sinal de nascença, tornando-o mais difícil de ser detectado. Vários estudos de caso observaram melanomas negligenciados por terem surgido de marcas escondidas por tatuagens. O médico afirma que muitas pessoas o questionam sobre a relação entre tatuagem e câncer de pele. A resposta, diz ele, é "não há relação, sem sobra de dúvida".

"Porém, as pessoas devem saber que é necessário preservar uma área de pele saudável ao redor de uma marca de nascença."

Assim, não existem evidências de que tatuagens causem câncer de pele.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Maternidade protege o organismo contra o câncer

08/05/09 - 13h55 - Atualizado em 08/05/09 - 14h01

Maternidade protege o organismo contra o câncer de mama, explica médico
Riscos de várias doenças são reduzidos em quem teve filho.
Conheça os benefícios para o corpo de quem é mãe.




Foto: Reprodução Ser mãe pode proteger a sua saúde (Foto: Reprodução)Na semana do Dia das Mães o que não faltam são depoimentos e declarações sobre as maravilhas da maternidade. Mas além das alegrias, a gravidez também pode proteger seu corpo contra o câncer de mama e outras doenças ligadas ao ciclo hormonal e à menstruação. O ginecologista Júlio Bernardi explica: “A mulher não foi feita para menstruar tanto. Ela foi feita para estar grávida e amamentar.”

Hoje em dia as mulheres menstruam até dez vezes mais que suas avós e bisavós, por dois fatores. O primeiro é que antigamente elas tinham a menarca (a primeira menstruação) mais tarde, por volta dos 17 anos -- hoje há muitos casos de meninas menstruando antes mesmo dos 11 anos. O segundo é que as mulheres modernas demoram mais para engravidar e têm menos filhos. A mulher não menstrua nem durante a gravidez nem durante o aleitamento. No passado, era comum elas emendarem os períodos de nove meses de gravidez e de até dois anos de aleitamento com uma nova gestação.

Apesar das mudanças de comportamento, o organismo feminino ainda funciona à moda antiga. Com isso, doenças ligadas à menstruação, que antes eram raras, agora são mais frequentes. É o caso da endometriose, uma doença que surge pela presença do tecido que reveste o interior do útero em outras partes do sistema reprodutor feminino. Sem tratamento, a endometriose causa dores e pode até levar à infertilidade.

Quando a mulher está grávida e amamentando, ela deixa de menstruar por vários meses. Isso, é claro, reduz as chances de se ter uma endometriose. E também diminui o risco de desenvolvimento de miomas, pequenos tumores benignos que surgem no útero e que causam dor intensa e aumento do fluxo menstrual.

O câncer de mama também é ligado à menstruação, mas por outros motivos. Durante o ciclo menstrual, os níveis dos hormônios femininos progesterona e estrogênio variam. Essa variação está ligada a um risco maior de câncer de mama. Durante a gravidez e a amamentação, o organismo da mulher fica “imerso” em uma quantidade constante de hormônios, o que, segundos os médicos, oferece um fator de proteção.

“Isso não quer dizer que mães não têm câncer de mama. Elas podem ter sim. Mas elas tem uma chance menor em comparação com as mulheres que nunca foram mães”, explica Júlio Bernardi.

Lado mental
Além dos benefícios físicos, há também os psicológicos, de acordo com o médico. “Uma mulher na quinta década de vida, entre os 40 e 50 anos, que não tenha tido filhos por qualquer que seja o motivo tem mais chances de desenvolver alterações de humor e transtornos de ansiedade”, diz Bernardi.

De fato, segundo ele, a maior parte dos benefícios da maternidade está no lado mental. “As mães geralmente tem muitas coisas para resolver e se preocupar com seus filhos e isso acaba tendo um efeito positivo na cabeça”, afirma.

Por isso, o ginecologista acredita: “Como observador eu posso afirmar com certeza: tenha filhos, por que vale a pena”. Mas, sempre, com acompanhamento de seu médico.



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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Avanços da luta contra o câncer

07/05/09 - 16h37 - Atualizado em 07/05/09 - 16h37

Avanços da luta contra o câncer foram relativamente modestos em 40 anos
Taxas de mortalidade caíram apenas 5% nas últimas décadas.
Situação é pior para pacientes que lidam com volta do tumor.

Em 1971, seguindo o sucesso americano de colocar um homem na Lua, o presidente Richard Nixon anunciou um novo objetivo. O câncer seria curado até 1976, o bicentenário da independência americana. Quando 1976 chegou e se foi, a data para uma cura, ou pelo menos algum progresso substancial, continuou sendo postergada. Aconteceria em 2000, depois em 2015. Agora, o presidente Barack Obama, discutindo seus planos para a saúde, prometeu encontrar “uma cura” para o câncer em nosso tempo. Ele disse que, como parte do pacote de estímulo econômico, aumentaria em um terço, pelos próximos dois anos, o dinheiro federal dedicado à pesquisa da doença.




A americana Phyllis Kutt, que está se tratando de um câncer há quase um ano (Foto: C.J. Gunther/NYT)

O câncer sempre foi uma prioridade cara. Desde que a guerra contra a ele começou, o National Cancer Institute, maior entidade governamental de pesquisa sobre a doença nos EUA, com 4.000 funcionários, gastou sozinha 105 bilhões de dólares. Outras agências, universidades, companhias farmacêuticas e filantrópicas aumentaram esse valor em incontáveis bilhões. Ainda assim, as taxas de mortalidade pelo câncer nos Estados Unidos, ajustadas para tamanho e idade da população, caíram apenas 5% de 1950 a 2005. Em contraste, a taxa de mortalidade por doenças cardíacas caiu 64% no mesmo período, e para a gripe e a pneumonia a queda chegou a 58%.

Mesmo assim, a percepção, alimentada pela profissão médica e seus marqueteiros, além do sentimento popular, é que o câncer pode, quase sempre, ser evitado. Se isso falhar, ele pode ser eventualmente tratado, e até mesmo derrotado.

A boa nova é que muitas pessoas, cujos cânceres não se espalharam, vivem bem como no
passado. Em alguns casos, a exemplo do câncer de mama precoce, medicamentos introduzidos na década passada tornaram um prognóstico ainda melhor. Alguns cânceres raros, antigamente capazes de matar com rapidez, como a leucemia, podem ser controlados por anos com novos medicamentos. Tratamentos atuais contra o câncer tendem a ser menos pesados. A cirurgia é menos desfiguradora e a quimioterapia é menos debilitante.

Todavia, as dificuldades surgem assim que o câncer se espalha, e muitas vezes isso já aconteceu na época do diagnóstico. Isso vale tanto para os cânceres mais comuns quanto para os raros. Com o câncer de mama, por exemplo, apenas 20% dos diagnosticados como metástase – um câncer que se espalhou para fora dos seios, como para os ossos, cérebro, pulmões ou fígado – vivem cinco anos ou mais. Este número é praticamente igual ao do início da guerra contra a doença.

Com o câncer colorretal, apenas 10% com metástase sobrevivem cinco anos. Esse dado também seguiu inalterado durante as quatro últimas décadas. O número é, há muito tempo, 30% para câncer de próstata metastático, e fica em apenas um dígito no câncer de pulmão.

Prevenção lenta
Quanto à prevenção, o progresso tem sido dolorosamente lento. Apenas algumas poucas coisas – parar de fumar, por exemplo – fazem diferença. Apesar das reclamações do mercado, rigorosos estudos de métodos de prevenção, como dietas ricas em fibras e baixas em gordura, vitaminas e selênio, fracassaram em encontrar um efeito.

O que aconteceu? Seria o câncer apenas um problema impossível de se resolver? Ou os Estados Unidos são o único país a investir tanto em pesquisas sobre a doença, realizando erros fundamentais na maneira pela qual combate nessa guerra?

Pesquisadores dizem que a resposta é “sim” nos dois casos. O câncer é difícil – não é apenas uma doença, e se é, ninguém ainda descobriu o elo fraco nas células do câncer capaz de desenvolver uma cura. Ao invés disso, segundo os pesquisadores, quanto mais eles estudam o câncer, mais complexo ele parece. Muitos são ajudados pelos recentes progressos em biologia molecular de câncer, mas confessam que ainda têm um longo caminho a trilhar.

Existem também os obstáculos desnecessários. A pesquisa se arrasta de manias em manias – vírus de câncer, imunologia, genômica. Grupos de apoio intervieram e direcionaram as pesquisas para caminhos que nem sempre trouxeram avanços à ciência. Mesmo com todo o dinheiro que jorra da pesquisas contra a doença, nunca houve o suficiente para estudos inventivos, o tipo fundamentalmente capaz de alterar como os cientistas entendem o câncer ou como os médicos o tratam. Tais estudos são arriscados e oferecem menos chances de funcionar do que aqueles mais incrementais. O resultado é que, com dinheiro limitado, projetos inovadores saem perdendo para projetos de sucesso mais confiável que buscam pequenas alterações em tratamentos, talvez prolongando a vida em apenas algumas semanas.

Fatos cruéis
Porém, os fatos cruéis sobre o câncer podem se perder entre mensagens positivas da mídia de notícias, grupos de apoio e centros médicos – e até mesmo de rótulos em alimentos e suplementos, que dizem ter alguma ação para combater ou prevenir o câncer. As palavras tendem a ser cuidadosamente formuladas, mas a impressão deixada é inegável e bem-vinda: o câncer é evitável se você simplesmente se alimentar corretamente e fizer exercícios. Se você fizer exames regularmente, os cânceres podem ser pegos bem cedo e quase certamente serão curados. Se por alguma grande sorte seu câncer for potencialmente fatal, novos tratamentos

miraculosos poderiam curá-lo ou transformá-lo numa doença gerenciável. Infelizmente, como muitas pessoas com câncer já aprenderam, a imagem nem sempre é tão brilhante.

Phyllis Kutt, 61, professora aposentada de Cambridge, Massachusetts, acreditava nas
propagandas e anúncios de serviço público. Ela pensava que nunca teria câncer – afinal, é vegetariana, faz exercícios, não tem sobrepeso e não fuma. Além dessas características, apenas duas pessoas em seu histórico familiar já tiveram a doença.

Então, em maio de 2006, a mamografia de Kutt mostrou um ponto enevoado. O radiologista o interpretou como insignificante, mas seis meses depois, seu residente encontrou um caroço do tamanho de uma noz em seu seio direito, próximo de sua axila. Era exatamente a área enevoada de sua mamografia. "Entrei em verdadeiro choque”, disse Kutt. “Como isso podia acontecer comigo?”

Mesmo assim, parecia que ela ficaria bem. Não havia sinais de câncer em seus nódulos
linfáticos, então seu cirurgião removeu o tumor. Mesmo assim, Kutt, seu marido e seu
oncologista estavam preocupados. Eles decidiram pelo tratamento agressivo – quatro meses de quimioterapia seguidos de 33 sessões de radiação. Quanto tudo terminou, ela achou que estaria livre do câncer. “Meus médicos nunca usaram a palavra ‘cura’ e eu os abençoo por isso”, disse Kutt. “Mas eles comemoraram o fim da quimio, e também comemoraram o fim da radiação”.

Em maio último, o câncer voltou, como uma sequência de pequenos caroços sob seu braço e mais um em seu bíceps. Leituras de tomografia computadorizada revelaram que ela também tinha tumores nos pulmões. Mas o câncer tem cura, pensou ela. Existem espetaculares tratamentos novos. Então, ela descobriu o contrário.

Sem cura?
Acontece que, com algumas exceções, principalmente cânceres infantis e o câncer testicular, não existe cura para o câncer uma vez que ele se espalhou. O melhor que se pode fazer é mantê-lo parado por algum tempo. Em junho passado, Kutt começou um novo regime – três semanas de quimioterapia, seguidas de uma semana de folga. Ela também está tomando um novo medicamento, o Avastin.

“Ainda estou tomando isso e tomarei sem parar até que o câncer avance e eu mude para outro remédio. Ou até algum medicamento ser desenvolvido, ou eu morrer”, disse ela. A parte mais difícil é explicar a amigos e à família. “As pessoas dirão para mim, ‘Então quando seu tratamento termina?’” disse Kutt. “Essa é a percepção. Você faz um tratamento. Você o termina. Você está curado."

O Dr. Leonard Saltz, um especialista em câncer no cólon, do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering, lida com impressões equivocadas a todo o tempo. “As pessoas muitas vezes vêm a nós esperando que os remédios mais novos possam curar câncer metastático espalhado”, disse ele. “Elas frequentemente ficam chocadas ao descobrir que a mais nova tecnologia não é uma cura."

Uma razão para o mal-entendido, disse ele, são as palavras utilizadas pelas companhias farmacêuticas e pesquisadores sobre o câncer. “Algumas vezes por acidente, outras não, algumas vezes com as melhores intenções, outras não, podemos pintar uma imagem que é exageradamente rosada”, disse ele. Como um médico que tenta ser honesto com os pacientes, Saltz diz ver a atração das ilusões.

“Seria muito duro e insensível dizer, ‘Tudo que tenho é um medicamento que custará 10 mil dólares por mês e lhe dará um benefício de sobrevivência médio de um mês ou dois’”, disse ele. “Os detalhes são muito, muito violentos para se lidar”.

Isso não ajuda Kutt, irritada com a maneira pela qual o câncer de mama é apresentado – a celebração dos sobreviventes, a ênfase sobre a detecção prematura, como se isso fosse assegurar um não desenvolvimento de um câncer incurável.

Ela sabe que assusta pessoas com sua cabeça careca, tão obviamente uma paciente de câncer.

Quando alguém passeia de muletas com um tornozelo quebrado, estranhos oferecem suas
condolências e perguntam sobre o ferimento. Entretanto, as pessoas desviam a visão quando olham para Kutt. Apenas uma vez, segundo ela, um estranho se aproximou. Era uma mulher que também já havia tido câncer de mama.

Em seu grupo de discussão online para mulheres com doenças metastáticas, algumas contaram que foram expulsas de grupos de apoio a pessoas com câncer de mama. Os membros cujo câncer não havia se espalhado se consideravam sobreviventes, e aquelas com cânceres espalhados representavam uma lembrança amarga demais do que pode acontecer. “É o medo”, disse Kurt.

“Você faz parte do grupo da morte."



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