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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Em descoberta inédita no mundo, cientistas brasileiros encontram parasita preservado dentro de ossos de dinossauro

Em descoberta inédita no mundo, cientistas brasileiros encontram parasita preservado dentro de ossos de dinossauro

Ilustração mostra titanossauro com osteomielite aguda, infecção óssea que deforma os ossos e que provavelmente causou muita dor aos dinos. — Foto: Hugo Cafasso

Pesquisadores da UFRN, da UFSCar e da Unicamp identificaram microrganismo em 'dino zumbi' que sofria de osteomielite aguda, doença que até hoje afeta animais e também humanos.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Quem é a neurocientista que foi alvo de mansplaining do seu próprio artigo ?

Quem é a neurocientista que foi alvo de mansplaining do seu próprio artigo ?


Uma pesquisadora de renome passou por uma situação embaraçosa durante uma palestra. 

quinta-feira, 28 de março de 2019

A mulher que não sente dor

A mulher que não sente dor

Jo Cameron (esquerda) só descobriu que era diferente aos 65 anos, 
depois de uma cirurgia — Foto: Jo Cameron

A escocesa Jo Cameron, de 71 anos, é uma das duas pessoas na Terra identificadas com uma rara mutação que a faz sentir praticamente nenhuma dor; especialistas acreditam que há mais pessoas insensíveis à dor.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

5 avanços impressionantes conquistados pela Engenharia Genética


5 avanços impressionantes conquistados pela Engenharia Genética


Embora existam controvérsias éticas, a técnica trouxe avanços notáveis no campo da medicina.

Abaixo, alguns dos fatos mais surpreendentes dos últimos anos:

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Conheça a temida planta venenosa que pode levar ao suicídio


Conheça a temida planta venenosa que pode levar ao suicídio


Uma planta australiana, aparentemente inofensiva, é uma das mais temidas do planeta pela 
aterrorizante dor que provoca em qualquer um que toque em suas folhas.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O Robô que fica doente - Medicina



O Robô que fica doente - Medicina


Máquinas programadas para adoecer são a novidade nas faculdades de Medicina da França. Elas têm palpitações, ficam febris, reclamam de dor e até tossem. Tudo para ensinar os estudantes sobre pacientes de verdade.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Os 5 métodos de tortura mais horríveis da Roma Antiga


Os 5 métodos de tortura mais horríveis da Roma Antiga


Crucificações, membros sexuais atados e torturas no caldeirão: o lado cruel e bestial da natureza humana existe desde os tempos remotos.

sábado, 3 de dezembro de 2016

13 fatos brutais que deveriam estar na lápide de Fidel Castro


13 fatos brutais que deveriam estar na lápide de Fidel Castro


Americanos que elogiavam Fidel pareciam ter esquecido que ele apontara mísseis atômicos contra o país

segunda-feira, 11 de abril de 2016

5 castigos inusitados — e perversos — do passado


5 castigos inusitados — e perversos — do passado


Os castigos eram muitos, mas selecionei os que com maior frequência eram aplicados nos pecadores...


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Não me toque !!! Taturana - Biologia


Não me toque !!!  Taturana - Biologia


Queima como óleo fervendo e faz sangrar
Ao encostar na massa de pêlos, meio escondida no tronco de uma árvore qualquer, vem a queimadura lancinante. O efeito é imediato. A sensação é de óleo fervendo sobre a pele. No mesmo dia surgem as dores por todo o corpo, especialmente na cabeça. Entre 8 e 72 horas, começará a hemorragia. Forma-se hematomas por toda parte, dos poros às gengivas. O mais perigoso é o que menos se vê: quando há sangramento dentro do cérebro, pode ser fatal. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Como uma ressaca ajudou na descoberta de um dos analgésicos mais usados no mundo


Como uma ressaca ajudou na descoberta de um dos analgésicos mais usados no mundo


Stewart Adams foi homenageado pela pesquisa que levou à descoberta do ibuprofeno na década de 1960 (Foto: Samuel Kirby/Boots UK)

Há mais de 50 anos, farmacologista britânico tomou substância que sua equipe estava testando para lidar com forte dor de cabeça; o ibuprofeno é hoje o mais popular remédio contra dores em vários países.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Dor nas costas - Saúde


DOR NAS COSTAS - Saúde


Olha, não tem muito jeito. Ninguém tem a coluna retinha. As vértebras não conseguem ficar no lugar a vida inteira. Depois dos 30, então, teimam em desviar pra valer. Mas calma. Coluna um pouco torta não causa, necessariamente, as temidas dores nas costas. Só 5% delas são causadas pelas vértebras. A maioria tem origem muscular. Umas e outras, porém, são herança de um antigo atrevimento da humanidade. Quem mandou querer  andar sobre duas patas?

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O corpo de prontidão - Biologia

O CORPO DE PRONTIDÃO - Biologia


Inflamação é sinônimo de dor, inchaço, vermelhidão e, muitas vezes, febre. Mas, embora incomode, ela não é uma doença. Bem ao contrário: seus sintomas são disparados pelo próprio organismo, quando tenta se recuperar de uma infecção ou reparar os danos de traumas e machucados.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Enxaqueca o sofrimento inútil - Medicina


ENXAQUECA O SOFRIMENTO INÚTIL - Medicina


O sistema nervoso pode se tornar um masoquista e provocar sensações de dor e mal-estar por qualquer motivo. Esta é a mais recente teoria para explicar o martírio dos cerca de 400 milhões de enxaquecosos ao redor do planeta.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Quando a cabeça ignora a dor - Anestesia


QUANDO A CABEÇA IGNORA A DOR - Anestesia


Na sala de cirurgia, o anestesista controla as funções vitais do paciente. Além de, claro, evitar qualquer sensação dolorosa, graças a misturas delicadas de drogas.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

E como dói - A Dor

E COMO DÓI - A Dor



Só há pouco tempo, passou-se a estudar o fenômeno da dor como um mal em si mesmo, que merece tratamentos específicos. E descobertas surpreendentes conduzem à cura na esmagadora maioria dos casos.

Alguns podem suportar uma dor durante certo tempo, mas decididamente ninguém suporta quem reclama de dor muito tempo. "Como vai?" - alguém lhe pergunta, e o maria-das-dores, em vez de um cortante "tudo mal", explica que arde, aperta, pinica, perfura, belisca, queima, irrita, estremece, lateja aqui e ali. No início, até dói no coração de quem ouve, que retira um providencial analgésico do bolso, lembra-se de um fantástico chá da vovó, procura o endereço daquele médico que curou outro amigo. Mas há dores que vencem não só esses primeiros socorros como também todas as demais manifestações de caridade. Esgotam ainda as receitas do médico da família. Porque não têm domínio da situação, as pessoas tendem a achar que o problema de fato não existe ou se sentem constrangidas pela falta de solução. E quem já sofria de uma dor experimenta outra - a da solidão. Esse "chato de doer" talvez ignore que hoje existem médicos especializados em compreender suas queixas e curá-lo. A Medicina nos últimos anos passou a pesquisar o fenômeno da dor, que agora é muitas vezes considerado uma doença em si. Pode ser um alívio saber que existem tratamentos - embora nem sempre cura definitiva - para todos os casos. Talvez por não contar com os recursos modernos, o homem tentou no passado encontrar consolo valorizando a dor. Sofrer, como escreveu o poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), "é um divino remédio para as nossas impurezas". Várias religiões propagaram essa idéia: basta lembrar os sofrimentos da paixão de Cristo ou o martírio dos santos. Apenas em 1957, uma encíclica de Pio XII autorizou os médicos católicos a usar a morfina "em doses moderadas" para acalmar o suplício dos pacientes. Em geral, é sempre assim: no cinema, o bandido leva um soco e fica se contorcendo no chão; o herói leva um tiro, range os dentes, passa a mão na camisa ensangüentada e vai à luta. Isso porque permanece inconscientemente a idéia de que quem agüenta a dor é íntegro e corajoso. Mas, na hora H, ninguém quer ser admirado por agüentá-la. Só pessoas com distúrbios psíquicos, os masoquistas, sentem prazer na dor. A grande maioria quer é distância dessa sensação inapelavelmente desagradável. A princípio, porém, a dor aguda tem uma causa nobre, pois faz parte de um importante sistema de alarme do organismo, chamado nociceptor ou receptor de agentes nocivos. Na verdade, dor é uma interpretação cerebral de estímulos captados por estruturas nervosas existentes na pele, nos músculos e vísceras, encarregadas de registrar e comunicar qualquer anormalidade de pressão, temperatura ou eletricidade. Assim, quando um agente externo danifica o corpo, como um prego que fura o pé ou uma panela que queima a mão, sente-se uma dor que, primeiro, afasta a pessoa do que a machuca e, depois, a obriga a cuidar da região afetada. Da mesma forma, dores alertam para problemas internos: a digestão malfeita se manifesta em ardor no estômago, por exemplo. Existem ainda dores mais sofisticadas, que não se limitam a dar o alarme. A angina no peito informa que um infarto pode estar a caminho. É claro que todos têm uma certa consciência disso e, sentindo a queimação no peito, não saem correndo para buscar socorro, evitando esforços para o coração. Mesmo assim, o organismo parece tomar suas precauções; a dor típica no braço esquerdo dos cardíacos dificulta qualquer movimentação, praticamente obrigando a pessoa a ficar imóvel e, dessa maneira, poupar o coração em crise. Outro exemplo é o parto. A inesperada pontada na barriga da grávida - a dor da primeira contração - é que impede que a criança nasça na rua. Mas, além de ordenar a ida para a maternidade, essa dor tem outra função. Ser mãe é padecer de uma contração dolorosa do útero atrás de outra - ao menos, até que se tome anestesia. Em partos normais, para os quais o corpo da mulher naturalmente se prepara, a dor ajuda a expulsão da criança cada vez que obriga a mãe a contrair a barriga num espasmo. Quem não sente dor alguma - pessoas portadoras de uma doença congênita chamada analgesia - costuma ter muitos problemas no dia-a-dia e até morrer cedo. Felizmente, são raridades: não há mais que trinta casos registrados neste século no mundo inteiro. O primeiro deles, da década de 20 foi o de uma garotinha inglesa, Mary Andrews, que chegou em casa com uma perna inchada. Os médicos acharam que era mais um caso de reumatismo infantil. Depois de vários tratamentos fracassados, descobriram que a menina tinha três fraturas na perna - sem sentir dor; porém, ela caminhava normalmente e, por não ter sido imobilizada a tempo, a perna ficou defeituosa. Diz o ditado que a gente tem aquilo que dói. Pois foi o filósofo francês René Descartes (1596-1650), o mesmo que afirmou "penso, logo existo", quem primeiro desenhou um possível caminho da dor, que seria uma ligação direta da área dolorida até o cérebro. Não é bem assim, sabe-se hoje. As microestruturas nervosas que captam alterações que afetam o corpo estão ligadas a nervos que na verdade não seguem direto ao cérebro. Em primeiro lugar, o estímulo é desencadeado quando essas estruturas liberam para os nervos determinadas substâncias que formam uma corrente elétrica. Esta passa pela medula da espinha e só então segue para o cérebro ou, mais especificamente, para o tálamo, onde se tem as sensações. Aqui já se sente a dor, mas não se sabe ainda nem a intensidade nem o que a provoca. Enfim, não se interpreta a sensação - isso só acontecerá quando a informação alcançar o córtex cerebral, uma fração de segundo mais tarde. Os cientistas definem esse percurso como "processo ascendente da dor". O "processo descendente" é quando o cérebro, em resposta, manda socorro para a medula. O remédio orgânico são substâncias analgésicas que ou bloqueiam totalmente ou ao menos aliviam a dor. Isso acontece porque elas se encaixam como uma chave na fechadura nas substâncias que desencadeiam a informação dolorosa. Tais analgésicos, as endorfinas, foram descobertos em 1975 por cientistas americanos. Já se sabia que, estimulando com choques elétricos certas regiões cerebrais, conseguia-se um efeito analgésico. Os cientistas começaram a operar ratinhos usando esse estímulo como anestesia. Mas, para surpresa geral, os bichos continuavam sem demonstrar dor mesmo quando os choques eram interrompidos. Se fosse o mero estímulo de uma área do cérebro a causa da ausência de dor, esta deveria se manifestar com a interrupção dos choques. O fato de isso não acontecer indicava que existia algo mais - daí a descobrir que os choques estimulavam a produção de analgésicos naturais foi um passo. As endorfinas são muito parecidas com as drogas sintetizadas pelo homem, como a morfina. Acredita-se que a diferença na produção dos analgésicos biológicos - seja de indivíduo para indivíduo ou de situação para situação - faça da dor uma experiência pessoal e intransferível. Por exemplo, descobriu-se que, quando se está concentrado numa atividade qualquer e não na dor em si, a produção de endorfinas aumenta. O povo parece ter aprendido isso antes dos cientistas: quem, sentindo dor, já não ouviu o conselho: "Pense em outra coisa, que passa"? Os atletas são craques em driblar a dor: um jogador de futebol pode levar caneladas e continua em campo. Depois da partida, pode até chorar de dor. Mas só depois. A vida de quem se sente feliz também é menos dolorida. Está provado que aqueles que ficam deprimidos por algum motivo ou estressados têm sua produção de endorfinas diminuída. Com isso, a dor é percebida como se estivesse sob uma lente de aumento. De uma forma ou de outra, todos já puderam testar essa diferença do próprio limiar da dor: quando se está louco para ir a um encontro e aparece uma dor de cabeça, toma-se um comprimido, mas não se perde o programa; quando a perspectiva é um tedioso dia no escritório, a dor pode tornar o trabalho impossível. Tudo ainda leva a crer que a produção de endorfinas é maior no sexo feminino. Portanto, o ditado deveria ser "mulher que é mulher não chora", pois os homens nesse aspecto são o sexo mais frágil. As dores também tendem a provocar reações diferentes, conforme as origens de cada um. Ao levar um beliscão, um japonês, por exemplo, limita-se, regra geral, a retirar o braço; o mesmo beliscão num italiano costuma gerar um berreiro. Por mais cuidado que se deva ter com tais generalizações, as pesquisas indicam que os campeões mundiais de resistência à dor são os orientais; no outro extremo, estariam os italianos e os judeus. Os brasileiros, segundo os pesquisadores, estariam entre os mais resistentes. Resta saber se essas pessoas sentem a dor da mesma maneira, mas a demonstram de formas diferentes, ou se a produção de endorfinas pode ser influenciada pelo ambiente familiar e pela herança cultural transmitida na educação. Existem, é claro, regiões do corpo, como os olhos e os lábios. Mais sensíveis à dor - porque têm um número maior de nociceptores. Os cientistas acham que qualquer estrutura sensitiva pode desencadear a dor e não apenas os nociceptores especializados. Os corpúsculos de Ruffini, por exemplo, são microestruturas das células que enviam ao cérebro informações sobre temperatura. Se tremendamente excitados, quando se toca a língua em um líquido muito quente ou se encosta a mão num cigarro aceso, o cérebro interpreta a sensação intensa como dor. Enfim, como os nociceptores não atuam sozinhos, a intensidade de uma dor torna-se ainda mais relativa. Para a ciência - embora isso agrida a experiência concreta de cada um - não há dores menos ou mais dolorosas. Em matéria de intensidade da dor, não existe um campeão absoluto. Segundo uma teoria, a percepção seria também efeito da "memória de dor" - um conjunto de conceitos, lembranças e associações. Assim, um médico poderia sentir mais a dor de uma injeção que um paciente - por saber o que acontece exatamente e o que pode dar errado quando a agulha penetra na pele. Da mesma forma, índios que nunca tinham passado por tratamentos dentários nada sentiram numa extração sem anestesia - eles simplesmente ignoravam que aquilo ia doer. Ou seja, a antecipação da dor, causada pelo medo, influiria na intensidade da dor.Para medir uma dor, os médicos só contam com um instrumento: o relato de quem a sente. "Nossa filosofia é sempre acreditar no paciente". diz o neurologista Jorge Roberto Pagura, 39 anos, da Escola Paulista de Medicina. Há oito anos, ele fundou em São Paulo a primeira clínica particular do Brasil para tratamento da dor - não aquela que serve como alarme, mas as dores crônicas. "Elas não são um aviso. Elas são o próprio problema", diz. Quase sempre, segundo o neurologista, o diagnóstico é encontrado. "A dor tem uma razão fisiológica que deve ser tratada" explica Pagura "Muitas vezes, localizada a causa da dor o paciente é encaminhado a especialistas e fisioterapeutas - exercícios específicos e medicação resolvem mais de 70 por cento dos casos." O restante deve apelar para o bisturi. Só a cirurgia, por exemplo, descomprime o nervo trigêmeo, que desce das têmporas para os lábios, cuja dor chega a paralisar a face. Quem já sentiu diz que não há nada pior em matéria de suplício físico.As cirurgias, em geral, podem interferir de duas maneiras: interrompendo o processo ascendente da dor, ou seja, cortando os nervos que levam os sinais dolorosos, ou estimulando a produção de endorfinas mediante o implante de eletrodos na medula e no cérebro. Esses eletrodos são controlados por um marcapasso similar ao usado pelos cardíacos A dor de que os brasileiros mais padecem - sem falar, é claro, da dor-de-cotovelo - é a terrível dor de cabeça, mais especificamente a afamada enxaqueca. Os ambulatórios para tratamento dessa dor, existentes em muitas faculdades de Medicina do país, atendem uma média de quarenta casos por dia. Foi trabalhando num desses ambulatórios, o do Hospital dos Servidores Públicos de São Paulo, que o neurologista Célio Levymann acabou se especializando em dor de cabeça. "A cura de dores crônicas como a enxaqueca é fácil, desde que o diagnóstico seja adequado", diz ele.Os brasileiros consomem por ano 3 bilhões de comprimidos para dor de cabeça - sem dúvida uma enormidade, mas ainda assim dez vezes menos que os americanos. Os cientistas, porém, estão quase certos de que, em excesso, analgésicos eventualmente se viram contra o feiticeiro e, em vez de fazerem a dor sumir num piscar de olhos, como num passe de mágica, podem aumentá-la. Quem não tem crises freqüentes de enxaqueca pode optar por remédios sintomáticos, que aliviam a dor quando ela aparece. Para quem tem duas a três crises por mês - é a média dos casos, de acordo com Levymann -, a solução é prevenir, também com medicamentos, combinados conforme a situação. A mais famosa enxaqueca do Brasil pertence ao poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto, autor de Morte e vida severina e de Ode à aspirina. O que não falta são teorias para explicar a enxaqueca. A clássica é de que se trata de uma alteração na irrigação sanguínea do cérebro. Hoje. porém, também se leva em conta que, quando existe enxaqueca, há também uma alteração nos hormônios cerebrais que produzem as endorfinas. E estudos muito recentes mostram que os enxaquecosos, como dizem os médicos, têm uma tendência maior que as pessoas normais a formar coágulos sanguíneos. Isso faz muitos cientistas encararem essa dor como um problema hematológico, que diz respeito ao sangue, e não neurológico. Para o acupunturista Jou El Jia, de São Paulo, a dor - como prega a medicina tradicional chinesa - é cansada quando a energia que deve fluir, por todo o corpo fica estagnada ou não passa por um determinado ponto. As agulhas da acupuntura restabeleceriam o fluxo normal. O doutor Jou, porém. não discrimina as explicações da ciência ocidental para o fenômeno. "Embora a questão da energia seja fundamental para a tradição chinesa", diz, "estudos avançados provaram que as agulhas, na verdade, estimulam a produção das endorfinas, além de bloquear a chegada dos sinais de dor." O doutor Jou assegura que as agulhas eliminam qualquer dor em duas ou três sessões. Outros médicos, porém, afirmam que nem sempre esse tratamento oferece resultados positivos. "De fato". esclarece o doutor Jou, "as agulhas eliminam cólicas renais ou menstruais. Mas, se a pessoa está com a energia muito baixa, precisamos elevar esse nível, antes de tratar de outras dores mais complexas." Num livro publicado no começo do ano na França, L´homme sans douleur, o neurocirurgião Gabriel Mazar escreve com todas as letras que "a ciência possui todos os meios de dominar a dor, seja qual for a sua origem ou os órgãos afetados". Primeiro clínico parisiense a tratar da dor como tal, já em 1960 Mazar oferece um verdadeiro cardápio de alternativas médicas, algumas extremamente sofisticadas, para o combate à dor. Por exemplo, injeções de morfina no cérebro ou a coagulação de uma pequena área da medula espinhal, Mazar insiste em que mesmo pacientes desenganados podem ser poupados do sofrimento. Para ele, em suma, deve-se viver e morrer sem dor.

Armas do alívio

Uma vez diagnosticada, qualquer dor tem tratamento. Mesmo nos casos sem cura, pelo menos algum alívio temporário sempre se consegue. Eis as armas mais utilizadas nessa guerra sem fim:Fisioterapia - Indicada na maioria dos casos, sozinha ou ainda como tratamento auxiliar. Os resultados são positivos apenas quando o especialista encontra o ponto exato que está gerando a dor - assim se tira maior proveito dos exercícios.Acupuntura - A aplicação de agulhas em determinados pontos do corpo bloqueia a mensagem da dor para o cérebro e ainda estimula a produção das endorfinas. Em casos de dor muito forte, os acupunturistas intensificam o tratamento girando as agulhas aplicadas no paciente ou recorrendo a choques elétricos nesses pontos de dores. Em crianças, o raio laser pode substituir a agulha; no adulto, que tem a pele mais grossa, o laser não consegue estimular o suficiente.Cirurgias - Em casos graves, como as dores de câncer, drogas como a morfina estão sendo substituídas pela cirurgia que destrói a glândula hipófise: isso gera uma série de processos químicos no cérebro que impedem a sensação de dor.Estímulo transcutâneo - Diversos eletrodos são ligados ao corpo da pessoa para que ondas elétricas bloqueiem a dor. Serve apenas para as dores temporárias, como as do pós-operatório, pois ninguém sai por aí envolto em fios e eletrodos.Analgésicos - Não mexem com a causa, mas eliminam a sensação da dor, com substâncias que irão se juntar aos receptores nervosos, impedindo que captem os sinais dolorosos.


O circuito da dor

1) Um furo de prego, por exemplo, excita terminações nervosas especiais, os nociceptores, que então liberam substâncias químicas desencadeadoras de uma corrente elétrica
2) A corrente mensageira da dor percorre os nervos até chegar à medula espinhal
3) Da medula, vai para o tálamo, região cerebral onde a dor é sentida: nesse instante, a pessoa afasta o pé do prego
4) Três décimos de segundo depois, o estímulo alcança o córtex cerebral, onde a intensidade da dor é analisada. Aqui termina o chamado "processo ascendente da dor" com a ordem do cérebro de enviar substâncias para atenuar a sensação
5) A medula passa a liberar endorfinas, substâncias analgésicas biológicas produzidas pelo cérebro
6) As endorfinas, graças ao formato de suas moléculas, se encaixam com as substâncias que desencadeiam a corrente elétrica, ficando assim bloqueada a mensagem da dor.

Emoções doloridas

A pontada de susto no estômago, o aperto da paixão no peito, o nó na garganta da tristeza - sentimentos fortes estão associados à dor fisiológica. O suplício de uma saudade não é apenas uma imagem literária: machuca mesmo por dentro. Isso acontece porque, ao se emocionar, a pessoa perde parte do controle do sistema nervoso vegetativo, que comanda o funcionamento de diversos órgãos do corpo. Assim, desencadeia-se uma série de alterações drásticas e repentinas nas secreções em geral - daí o coração partido, por causa do disparo do hormônio adrenalina; eis também a razão orgânica da sensação de pancada no estômago que, na verdade, é uma contração súbita misturada a uma descarga extra de sucos gástricos. Tensão emocional automaticamente se transforma em tensão muscular e o corpo fica todo dolorido. Não há como não sentir essas dores - pois não há como não sentir emoções.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Navalha na Carne - Automutilação

NAVALHA NA CARNE - Automutilação



Línguas partidas ao meio, testas enfeitadas com chifres, corpos suspensos por fios de aço enganchados na própria pele. Esses são só alguns exemplos do que uns definem como movimento, outros como um desvio: body modification, ou bod-mod para os íntimos. O termo em inglês engloba um grande número de procedimentos cirúrgicos voluntários que deixam marcas no corpo - a maior parte delas, irreversíveis e dolorosas.

Os motivos que levam pessoas - grande parte delas com vidas e rotinas tão comuns quanto a sua - a transformar sua aparência são bastante diversificados. O que todas têm em comum é a certeza de que são donas de seus corpos e, por isso mesmo, podem fazer o que quiser com eles. Mas o que isso nos diz sobre a sociedade em que vivemos? Será que nossos padrões de beleza estão mudando?



Influências

Se levarmos ao pé da letra, a modificação do corpo humano começou no dia em que o primeiro homem se depilou ou na noite em que a primeira mulher passou maquiagem. São ações simples, mas que intervêm no projeto original. Mas, deixando o pé da letra em paz, nossa história começa com as grandes navegações, quando os europeus passam a ter contato com tatuagens da Oceania, escarificações da África, enfeites perfurantes e rituais de suspensão da Ásia e da América. Essas tradições milenares vieram dar nas praias da Europa e, até o meio do século 20, eram coisa de marinheiro, prostituta e outros freqüentadores das zonas portuárias. Nos anos 1960, o clima de "bicho grilo" e a valorização da cultura oriental teve como reflexo a maior aceitação das tatuagens. No final dos anos 1970, punks ingleses e gurus californianos (Fakir Musafar foi e ainda é o maior deles) introduziram as perfurações no repertório. Nos anos 1980, os yuppies decretaram tudo um nojo e só no início dos anos 1990 o movimento começou a ganhar corpo novamente.

Mas, a essa altura, algo muito maior do que um renascimento da tatuagem e dos piercings estava acontecendo. "A body art começou a ser empregada por pessoas que não se consideravam parte da turma dos tatuados e de maneiras que teriam causado consternação mesmo entre os fanáticos por tatuagem", escreveu a socióloga americana Victoria Pitts, no livro In The Flesh - The Cultural Politics of Body Modification ("Na carne - As políticas culturais da modificação corporal", sem tradução em português). Segundo ela, nessa época, coincidiram a explosão de estilos e performances, a ascensão de estúdios especializados e o surgimento de revistas, websites, exposições e livros celebrando e debatendo essas práticas. Tudo isso, segundo Pitts, acabou culminando no surgimento de um movimento, a body modification.



Sexo, fé e chips

Dentro do movimento, Pitts destaca três tendências principais: gays e lésbicas, que usam suas modificações para sublinhar sua opção sexual; "modernos primitivos", que desejam alcançar transcendência espiritual por meio de provações físicas; e "ciberpunks", que buscam romper fronteiras tecnológicas usando o próprio corpo.

A tribo dos "modernos primitivos" se inspira em rituais e costumes de civilizações arcaicas. Para eles, tatuagens, cicatrizes, perfurações e suspensões (veja o glossário na página ao lado) são uma maneira de entrar em contato com o divino. No livro Pagan Fleshworks - The Alchemy of Body Modification ("Trabalhos pagãos - a alquimia da modificação corporal", sem tradução em português), a psicóloga americana Maureen Mercury explica que, para esse grupo, a transformação estética deve ser acompanhada de transformação psíquica. Mais do que uma escolha, esses rituais seriam uma necessidade. "A vida em uma sociedade dessacralizada requer medidas drásticas para restaurar nosso balanço com o cosmos", escreveu.

Já os ciberpunks batem de frente com esses ideais. Ele formam o grupo empenhado em realizar os sonhos (e pesadelos) que a ficção científica elabora desde os anos 1960. Eles implantam chips que conectam o sistema nervoso à internet, instalam câmeras que filmam o interior do corpo e substituem osso e carne por metal e plástico. Ou seja, buscam confundir as fronteiras entre homem e máquina.



Outra beleza?

Fora desses três grupos, sobra uma motivação bem mais simples para encarar agulhas, ferros quentes e tesouras: grande parte das pessoas que integram o movimento da body modification quer se sentir mais bonita. No site canadense bmezine.com (Body Modification E-zine), modificados de todo o mundo trocam experiências e imagens. Os participantes contam a história de cada alteração e os planos para investidas futuras. Há um clima explícito de exibicionismo.

Línguas bipartidas são sexy, escarificações dão inveja e implantes bem-feitos despertam admiração. Exatamente da mesma forma que piercings no umbigo fazem sucesso entre adolescentes, tatuagens em forma de estrela viraram fetiche na era pós-Gisele Bündchen e peitos de silicone são cada vez mais comuns entre homens e mulheres. "Os bod-mods não são diferentes de mulheres exageradamente vaidosas, que procuram cirurgiões famosos. Tem quem pague uma fortuna para ser atendido pelos modificadores top de linha quando eles vêm ao Brasil. Nos dois casos, é um sinal de status", diz a artista plástica Priscilla Davanzo, que faz mestrado sobre o assunto na USP.

Há, no entanto, uma diferença fundamental entre quem encara uma cirurgia para conseguir o corpo perfeito e os integrantes do movimento bod-mod. No primeiro grupo, estão pessoas dispostas a se inserir nos padrões impostos pela sociedade. No segundo, pessoas dispostas a desafiá-los. E é essa diferença que faz emergir diversas críticas aos adeptos da body modification.

Para muitos psicólogos, as práticas dolorosas e pouco convencionais são formas de agressão física, de automutilação, que refletem uma insatisfação da pessoa com ela mesma. "O que fazemos na superfície quase sempre tem uma relação profunda com o que está por dentro", disse a psicóloga inglesa Corinee Sweet ao jornal londrino The Guardian em um artigo sobre modificação corporal.

Mas nem todo mundo concorda com essa visão. "Essas críticas refletem uma noção do corpo como algo fixo e imutável", escreveu Victoria em In The Flesh. "Como as práticas de modificação vão de encontro às normas de beleza ocidentais, que idealizam peles macias e imaculadas, elas são vistas como mutilações." No livro A Lei do Mais Belo, a psiquiatra americana Nancy Etcoff defende a tese de que o que leva alguém a passar por essas modificações é, ironicamente, uma alta dose de auto-estima. É como se elas estivessem dizendo que não precisam se preocupar com o padrão imposto, um aviso de que são tão seguras quanto à sua aparência que continuam atraentes mesmo depois de passar pelas transformações. "Tatuagens e escarificações são dolorosas de ser feitas e carregam riscos de infecção. Como guerreiros que exibem orgulhosos as cicatrizes das batalhas, os modificados estão mostrando que enfrentaram e superaram um desafio físico", escreveu.



Cara do futuro

Mas aonde isso tudo vai parar? Será que as body modifications serão um dia tão normais quanto tatuagens e piercings? É certo que nossa sociedade tende a se tornar mais liberal com o tempo. Em apenas um século, homens e mulheres subverteram os padrões de cabelos curtos e compridos, por exemplo. "A gente é a ponta do iceberg", diz Filipe Julio, do site www.neoarte.net, um dos principais de bod-mod do Brasil, com meio milhão de visitas desde 2002. "Somos a primeira geração que viveu isso e nossos filhos já vão crescer com outra visão."

Mas há quem duvide de que mudanças tão radicais possam ser aceitas de forma generalizada. Mesmo porque, como ressalta Victoria, "o radicalismo dos modificadores é moldado pelas forças sociais a que eles buscam se opor". Assim, é possível que, à medida que se tornem aceitáveis, as transformações evoluam entre os adeptos do movimento.
De uma forma ou de outra, o que parece irrevogável é a possibilidade de transformarmos nossos corpos. "Independentemente de estar dentro ou fora dos padrões, a idéia de modificar está presente na nossa história. E isso se acelera no sistema capitalista, em que as coisas perdem a validade com muita rapidez. É preciso criar novos modelos", diz Priscilla Davanzo. Seja em clínicas de cirurgia plástica ou em estúdios especializados, a galeria de novas possibilidades não pára de crescer.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

História da Anestesia - Drogas

ÉTER, GÁS HILARIANTE, DOIS DENTISTAS E A INCRÍVEL HISTÓRIA DA ANESTESIA



E aí? Vamos ao dentista dar uma geral naquele dente que dói há tempos? Não? Por quê? Medo do motorzinho? Acha que vai doer? Vai não. Já temos anestesia. Abra a boca, relaxe e imagine como seria pouco menos de 200 anos atrás. Imaginou? Pois bem, nós lhe contamos: doía pacas. E isso para uma simples extração de dente. Para abrir a barriga, então, nem perca seu tempo imaginando. Era um tipo de cirurgia raramente praticado até o século 19. "Operar dentro do crânio, do tórax ou mesmo do abdome era praticamente impossível", conta o médico Moacyr Scliar em seu texto na revista Aventuras na História de setembro. E era impossível simplesmente porque não havia anestesia. Ou melhor, nenhum método anestésico conhecido até então era eficiente o bastante para permitir tal intervenção. "A qualidade básica do cirurgião era a rapidez", prossegue Scliar. "Ele tinha de lutar com a agitação dos pacientes, muitos dos quais eram amarrados. Os mais sortudos desmaiavam."

Os pacientes só deixaram de ser amarrados e desmaiar graças a dois dentistas norte-americanos: Horace Wells e William Thomas Green Morton. O primeiro ficou conhecido por utilizar o óxido nitroso - também chamado de gás hilariante - como anestésico. O segundo entrou para a história da medicina por protagonizar a primeira demonstração pública do éter numa cirurgia.

Wells trabalhava em Hartford, Connecticut. Em 11 de dezembro de 1844, aos 29 anos, sentou-se na cadeira de dentista de seu próprio consultório e ordenou a um colega que extraísse um dente siso que o incomodava. O procedimento não doeu nada. "Começou uma nova era na extração dentária!", exclamou Wells já com um dente a menos na boca. A nova era fora anunciada por conta do gás hilariante que ele inalara. Além de deixá-lo imune à dor, causou-lhe tremenda euforia e bem-estar.

O gás foi descoberto em 1776 pelo cientista e ministro presbiteriano inglês Joseph Priestley, o mesmo que já havia identificado e produzido o oxigênio em laboratório. Cerca de 20 anos depois, Humphry Davy, conterrâneo de Priestley e aprendiz de farmácia, testou em si próprio os efeitos da inalação do óxido nitroso. Teve uma sensação muito agradável. Sua dor de cabeça passou e sentiu um desejo incontido de rir - daí o nome gás hilariante. "Já que o gás hilariante parece possuir a propriedade de acalmar as dores físicas, seria recomendável empregá-lo contra as dores cirúrgicas", escreveu Davy.

A idéia de Horace Wells de usá-lo em extrações dentárias surgiu na noite anterior ao bem- sucedido 11 de dezembro de 1844. Wells atendia a uma animada palestra sobre os efeitos hilariantes do óxido nitroso quando, a certa altura, um dos alegres convidados - que havia inalado o gás - começou a correr feito doido entre os bancos do auditório. Suas canelas e joelhos ficaram ensangüentados, mas nenhuma dor lhe acometeu. Foi aí, então, que o astuto dentista percebeu a importância do que estava diante de seus olhos e decidiu ser sua própria cobaia na manhã seguinte.

Durante um mês, Wells fez fama e dinheiro na cidade com suas práticas indolores. Dezenas de clientes bateram à sua porta. Depois, rumou para Boston para realizar uma demonstração a um importante grupo de cirurgiões de Harvard. A apresentação fora acertada graças ao seu conhecido William Thomas Green Morton. Mas transformou-se num fracasso grandiloqüente. O dentista deveria extrair o dente de um aluno da universidade. A quantidade aplicada de óxido nitroso, porém, não foi suficiente. O voluntário gritou de dor (deve ter soltado vários impropérios também) e Wells foi posto para fora como charlatão e impostor. De volta a Hartford, quase matou um paciente. Caiu em descrédito, foi humilhado e terminou por abandonar a odontologia.

Já William Morton, seu colega, persistiria na idéia - só que, aconselhado por seu ex-professor de química Charles Thomas Jackson, substituiu o óxido nitroso pelo éter. O elemento era mais poderoso que o anterior e oferecia menos risco de causar asfixia. Morton utilizou-o com sucesso em animais, nos seus aprendizes e, não satisfeito, testou em si mesmo. Chegou também a realizar uma extração de dente.

Paciente Pronto
Em 16 de outubro de 1846, ele protagonizou uma demonstração pública durante uma importante cirurgia de pescoço no mesmo hospital onde Horace Wells fora execrado. Em seu livro A Assustadora História da Medicina, Richard Gordon conta que Morton entrou apressado na sala, "com seu novo inalador, um globo de vidro contendo uma esponja embebida em éter, com válvulas de couro para garantir o fluxo unidirecional para os pulmões do paciente". Quando o paciente ficou inconsciente, Morton se dirigiu a John Warren, o cirurgião, e disse: "Doutor, o paciente está pronto". A intervenção transcorreu sem nenhuma reação de dor por parte do enfermo. Ao término do feito histórico, Warren voltou-se para o auditório e afirmou: "Senhores, aqui não há truques". E mais: "Daqui a muitos séculos, os estudantes virão a este hospital para conhecer o local onde se demonstrou pela primeira vez a mais gloriosa descoberta da ciência."

Depois desse dia, o dentista assegurou para si a paternidade da anestesia - o termo foi sugerido pelo médico e poeta americano Oliver Holmes, mas já havia sido empregado por volta do ano 50 pelo grego Dioscórides. Sua invenção correu o mundo. Chegou à Europa no fim de 1846 e, no ano seguinte, aportou no Brasil, onde foi utilizada numa cirurgia feita pelo médico Roberto Jorge Haddock Lobo no Hospital Militar do Rio de Janeiro.

A epopéia, entretanto, não termina aqui. Morton queria royalties sobre o invento. Patenteou o éter - chamado por ele de letheon -, confeccionou panfletos e "contratou vendedores para vender o anestésico de costa a costa", como conta Richard Gordon. Seu plano de enriquecimento fácil, porém, fracassou. Charles Jackson, seu ex-professor, reivindicou uma parte nos lucros e os médicos de Boston ficaram fulos com a patente de uma substância capaz de aliviar o sofrimento humano. Para completar, relata Gordon, em 1852 o médico americano Crawford Williamson Long "anunciou calmamente que desde março de 1842 realizava cirurgias superficiais usando o éter como anestésico, quase cinco anos antes de Morton". "Depois de oito operações, ele abandonou o método com medo de ser linchado caso algum paciente morresse", conta Darcy Lima, professor de farmacologia e história da medicina na UFRJ.
Embora Crawford Long tenha sido o primeiro a praticar a anestesia geral pelo éter, nunca entrou na disputa direta pela autoria do procedimento e o mérito ficou com William Morton. Os dois, de qualquer maneira, revolucionaram a medicina e deram uma nova dimensão às cirurgias. Antes deles - e de Horace Wells também -, os tratamentos eram feitos à base de plantas e seus derivados, como as cascas de mandrágora, as sementes de meimendro, o ópio e a maconha (Cannabis), além de muita embriaguez pelo vinho. Eram métodos bastante precários e um tanto quanto ineficazes. Mas, ao menos, não havia o aterrador motorzinho...

sábado, 20 de março de 2010

Prevenção de dor nas costas funciona se começar cedo

11/05/09 - 11h41 - Atualizado em 11/05/09 - 11h43

Prevenção de dor nas costas funciona se começar cedo, mostra estudo
Programa na Bélgica mirou crianças com idade entre nove e 11 anos.
Meninos e meninas tiveram menos reclamações e problemas de postura.

Como prevenir a dor nas costas? Começando cedo. Como todos os problemas de saúde, quanto mais cedo começarem as medidas de prevenção, menos doença no futuro. Segundo estudiosos da Bélgica, programas de conscientização e correção de postura nas escolas irão se refletir no futuro.

Para comprovar essa hipótese, um projeto de dois anos foi realizado em escolas da Bélgica. Foram mais de cento e noventa crianças, com idade entre os nove e onze anos, que participaram de um programa de educação sobre dor nas costas e postura adequada. Esse grupo foi comparado a outro com mais de cento e setenta crianças que somente foram observadas sem treinamento específico. A avaliação dos resultados foi realizada através de questionários e observação da postura em sala de aula.

Após dois anos de programa, os resultados foram promissores para as crianças que receberam instruções e cuidados posturais. Essas crianças apresentaram menos queixas de dor nas costas, além de sentarem com melhor postura durante as aulas.

As observações dos professores relatavam que diminuiu o número de alunos curvados para frente ou com o pescoço caído para trás. Outra medida importante para a prevenção de problemas para as crianças está na utilização de mochilas com peso adequado. Portanto, a intervenção precoce na postura das crianças deve ser incentivada como medida de prevenção para a dor nas costas.