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sábado, 21 de janeiro de 2023

SAÚDE E TECNOLOGIA - Pesquisadores criam adesivo revolucionário capaz de enxergar dentro do corpo

SAÚDE E TECNOLOGIA - Pesquisadores criam adesivo revolucionário capaz de enxergar dentro do corpo

Dispositivo do tamanho de um selo pode fornecer imagens de ultrassom de órgãos e veias.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Inteligência Artificial consegue prever mortes com exatidão (mas ninguém sabe como)

Inteligência Artificial consegue prever mortes com exatidão (mas ninguém sabe como)


Durante um evento da Associação do Coração dos Estados Unidos, em Dallas, Brandon Fornwalt, do Centro Médico Geisinger, da Pensilvânia, apresentou um estudo impactante.  

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

5 curiosidades sobre o Dia de São Valentim


5 curiosidades sobre o Dia de São Valentim


Na maior parte do mundo, a celebração do Dia dos Namorados acontece todo 14 de fevereiro (no Brasil, o dia dos namorados é celebrado dia 12 de junho). 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Coleção Saiba Mais - A Medicina em Busca da Imortalidade


Coleção Saiba Mais - A Medicina em Busca da Imortalidade



Número 1:
DNA, código da vida

Número 2:
Clonagem

Número 3:
Transplante de rosto

Número 4:
Coração artificial

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O Robô que fica doente - Medicina



O Robô que fica doente - Medicina


Máquinas programadas para adoecer são a novidade nas faculdades de Medicina da França. Elas têm palpitações, ficam febris, reclamam de dor e até tossem. Tudo para ensinar os estudantes sobre pacientes de verdade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O estranho caso dos cadáveres de corações pulsantes


O estranho caso dos cadáveres de corações pulsantes


A linha tênue que separa a vida da morte pode se tornar bastante imprecisa, até mesmo se adotarmos uma perspectiva biológica.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Qual o seu filme natalino predileto ?


Qual o seu filme natalino predileto ?


O natal é uma época mágica! O espírito natalino contagia até o mundo do cinema e filmes inesquecíveis são produzidos com a temática das festas de fim ano. Entre no clima do natal e nos diga qual é o filme que marcou você.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Medicina Milagrosa - Bioengenharia


Medicina Milagrosa - Bioengenharia

                                     Medicina Milagrosa - Bioengenharia - Homem Biônico

A informática e as neurociências se fundem para criar o homem bioartificial. Com chips e circuitos elétricos no corpo, será possível eliminar males até agora incuráveis. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

As 40 melhores fotos do Rio2016 - Fotografia


As 40 melhores fotos do Rio2016  - Fotografia


Os primeiros dias dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 têm caracterizado novos recordes mundiais, viradas impressionantes, falhas de partir o coração, lesões, e muitas emoções.

Uma das melhores partes das Olimpíadas, no entanto, é a fotografia.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

No fundo do coração - Medicina


No fundo do coração - Medicina


Só nos Estados Unidos, onde o infarto é campeão no ranking dos causadores de morte, os corações doentes custam 130 bilhões de dólares por ano. No Brasil, o infarto também é campeão. E cresceu 10% desde o início dos anos 90. Mas, aqui, o cardíaco em geral é bem mais jovem. Metade dos pacientes brasileiros ainda não completou 60 anos de idade, enquanto na Europa e nos Estados Unidos mais de 80% são sexagenários. O cigarro é acusado por essa enorme diferença: aqui, 56% dos cardíacos são fumantes ou ex-fumantes, contra 35% dos americanos e europeus. 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

5 filmes bizarros - SEM LIMITES...


5 filmes bizarros - SEM LIMITES...


Venho aqui para anunciar mais uma vez a minha paixão pelo cinema, sendo que nem tudo que ele produz é bom para todos, fica a cargo de gosto e o prazer pela sétima arte. Algumas obras são exageradas, mas conseguem impressionar o seu público alvo.
Só indico estes filmes para OS FORTES DE CORAÇÃO, quem não tem medo da "VERDADE AMPLIADA"...

Não vou seguir uma ordem especifica de 1º lugar ou ultimo lugar, pois não existe como classificar desta maneira, pois o que pode ser bizarro para mim, não será bizarro para você.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Tempo de Violência - Comportamento


TEMPO DE VIOLÊNCIA - Comportamento


Ele surge do nada. Tem os músculos enrijecidos e uma arma na mão. Está tão assustado quanto você, mas a voz sai forte: "É um assalto!" Se você ficar calmo e contornar a situação, desfazendo-se de dinheiro, relógio e outras bagatelas, restarão o susto, a raiva de ter sido roubado e o medo de sofrer outra violência. Talvez sirva de consolo saber que nas duas horas que seu corpo precisará para recuperar a normalidade, onze habitantes da cidade de São Paulo estarão passando por sufoco idêntico. E nesse mesmo período alguém morrerá assassinado porque um dos dois lados pisou na bola na hora H. Se for no Rio, serão duas mortes.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Parados e Sufocados - Ambiente


PARADOS E SUFOCADOS - Ambiente


Com a chegada do inverno, a poluição do ar nas grandes cidades brasileiras aumenta assustadoramente por causa da inversão térmica, fenômeno que faz com que os poluentes não se dissipem. A maior culpada pela sujeira é a gigantesca frota de veículos, que emite nove vezes mais substâncias tóxicas do que as indústrias. Com o trânsito parado, tudo fica pior. Por isso foi proposto que São Paulo, a maior metrópole do país, adotasse, a exemplo de outra megalópoles do mundo, o rodízio de carros, com o objetivo de tirar 20% de automóveis das ruas e diminuir o sufoco.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sob Pressão - Medicina


SOB PRESSÃO - Medicina


Descobertas recentes abrem perspectivas de cura para a hipertensão, um mal que atinge 12 milhões de brasileiros e triplica as chances de uma pessoa ter infarto.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dr. Zerbini - O mago do coração - Perfil


DR. ZERBINI, O MAGO DO CORAÇÃO - Perfil


Ele fez Medicina apenas por sugestão paterna, odiou o início da faculdade, quase desmaiou ao assistir a uma operação. Mas, graças à mania de ser sempre o primeiro aluno da classe, acabou se transformando em um dos pioneiros da cirurgia cardíaca em todo o mundo.

sábado, 29 de junho de 2013

Alimentos indicados para quem tem pressão alta


Alimentos indicados para quem tem pressão alta

Os alimentos mais indicados para baixar a pressão alta são: Frutas frescas e Água de coco


Se você tem pressão alta, restringir os alimentos ricos em sal poderá ajudá-lo de forma significativa a controlar sua pressão.

Você Sabia?
Que o sal é uma substância essencial ao homem e indispensável a todos os tipos de vida animal. Podemos constatar a importância do papel desempenhado pelo sal, através dos registros da história da humanidade.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Boas novas para o Coração - Biologia

BOAS NOVAS PARA O CORAÇÃO - Biologia



drogas, exames mais precisos e tratamentos mais eficazes - tudo para o nobre músculo do corpo humano viver melhor

Eis um drama capaz de destruir corações: o famigerado colesterol, isto é, a gordura de baixa densidade, se deposita na parede de uma artéria coronária e, numa reação de estranheza, o sangue que passa por ali coagula, tal qual acontece em cortes e feridas. Mas como, nesse caso, não se trata de uma coisa nem de outra, deve entrar em ação uma proteína, o plasminogênio, encarregada de dissolver esse coágulo formado em hora e local impróprios. Só que às vezes, por azar, no lugar desse solvente sangüíneo, gruda-se no coágulo outra substância de nome complicado, a apolipoproteína (a), ou LP (a). Por ter uma molécula muito parecida com a do plasminogênio, a LP (a) é convocada por engano para fazer um serviço para o qual ela não tem a menor competência - derreter o obstáculo à circulação. O capacitado plasminogênio, por sua vez, quando chega na região, encontra seu posto ocupado pela proteína semelhante e não pode fazer nada. O final da história é conhecido: ao impedir a passagem do sangue, o coágulo interrompe o fornecimento de oxigênio para as células do coração, que, então, morrem. É o infarto. 

Essa troca infeliz, flagrada no final dos anos 80 por pesquisadores americanos, tem causado o maior rebuliço nos meios científicos, pois mostra que o colesterol-até então o principal réu nas acusações dos cardiologistas - divide a cena com outra vilã, a LP (a), que não pode ser contida por medidas simples, como dietas, pois sua dosagem no organismo é estritamente determinada pelos genes. Essa descoberta disparou uma corrida em laboratórios do mundo inteiro, à procura de uma solução para o novo problema. O coração, como se vê, continua sofrendo - e muito.A Organização Mundial da Saúde considera os problemas cardíacos como a epidemia do século. Não é à toa. Eles são a maior causa de mortalidade do planeta. Só nos Estados Unidos, todo ano, cerca de 5 milhões de pessoas recebem o diagnóstico de doente cardíaco e, dessas, 500.000 acabam morrendo. Entre os paulistanos, de acordo com um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 26 de cada 100 mortes são provocadas pelo coração. "Fizemos o acompanhamento somente até 1981, devido à demora de sistematização dos dados", adverte uma das autoras das estatísticas, a médica epidemiologista Cecília Amaro de Lolio. "Mas os resultados podem ser projetados para os dias atuais."Essa taxa de mortalidade impressionante tende a despencar. Pois, nos últimos cinco anos, a Cardiologia avançou no sentido de fazer o mais nobre músculo do corpo humano trabalhar mais e melhor.Biólogos, farmacêuticos, médicos e cirurgiões-todos têm novidades, algumas ainda em teste, que vão desde a compreensão dos mecanismos das doenças cardíacas até diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficientes. As pesquisas sobre a LP (a), por exemplo, contribuem para a prevenção do infarto, o mais comum dos males que afligem o coração. Quando se desconfiou de que essa proteína, descoberta ainda na década de 60 pelo cientista sueco Kaare Berg, tinha parte da culpa pelo aparecimento dos perigosos trombos ou obstruções nas artérias, o Laboratório de Pesquisas do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, foi um dos primeiros a investigar a suspeita: Há um ano, comparamos o colesterol e a LP (a) no sangue de 350 pacientes. Além disso, realizamos exames de cinecoronariografia, que mostram a situação das artérias", conta o endocrinologista Raul Maranhão, coordenador do estudo, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.Desde que retornou, em 1985, do Instituto de Biofísica de Boston, nos Estados Unidos, onde passou dois anos, Maranhão se dedica a apontar a relação entre as diversas formas de gordura ou lipídios-e a aterosclerose, o espessamento das artérias, preliminar de muitos problemas cardíacos. E, na sua opinião, em breve a dosagem da LP (a) será tão corriqueira quanto a do colesterol, nos pedidos de exames feitos pelos cardiologistas. "Na pesquisa, pessoas normais tinham 26,3 miligramas de LA (a) por decilitro de sangue, enquanto pacientes com trombos tinham 40,3. O colesterol, nesses casos, não fez diferença" o endocrinologista. 

No futuro porém, os exames para acusar esse e outros fatores de risco deverão se tornar mais precisos. Para isso, Maranhão e sua equipe tentam criar moléculas artificiais de lipídios, marcadas quimicamente, de modo que, graças a equipamentos especiais, possam ser perseguidas no organismo pelos olhares dos médicos. Isso porque se sabe que é muito relativa, por exemplo, a taxa sangüínea de colesterol obtida em certo instante. "O que interessa é quanto tempo aquele colesterol ficará na circulação", explica Maranhão. Todas as células têm receptores, que servem de entrada para o colesterol e para outros tipos de gordura. "Existem pessoas cujas células possuem receptores em menor quantidade ou defeituosos", conta o pesquisador. Resultado: a gordura, sem vazão para as células, vai se acumulando no sangue-e, muito provável, nas paredes das artérias.Técnicos do Centro de Pesquisas de Winchester, na Inglaterra, e a IBM acabam de realizar um programa, com recursos da computação gráfica, para localizar eventuais depósitos gordurosos e mostrar até que ponto eles atrapalham a passagem do sangue no coração. Tira-se uma série de radiografias da região, em ângulos diferentes, usando uma substância de contraste para delinear os vasos Com essas imagens, o computador cria uma animação, isto é, fabrica um modelo de como esses vasos se comportam durante os batimentos. Calcula-se que apenas daqui a dez anos o exame fará parte da rotina hospitalar. Hoje em dia, a situação dos vasos coronários é checada por pequenos tubos ou cateteres que filmam o seu interior.Os primeiros angioscópios, como se chama esses aparelhos, só conseguiam entrar nos vasos maiores do coração. No ano passado, contudo, cientistas franceses do Laboratório Baxter desenvolveram um cateter extremamente luminoso, cuja espessura- apenas 1 milímetro-permite um trânsito livre pela maioria dos vasos do músculo cardíaco. O novo angioscópio começa a ser usado até mesmo para orientar o gesto de cirurgiões. Mas os técnicos franceses não se contentam e pretendem acoplar pinças microscópicas ao cateter, para que ele também possa retirar os trombos. Na verdade, há cerca de dez anos, uma corrente de cardiologistas defende a substituição do bisturi por esses tubinhos, que a princípio surgiram apenas para diagnosticar, e não para curar. A chamada angioplastia com balão se tornou um procedimento comum: O cateter leva na ponta um balão de borracha que infla no local obstruído, dilatando a artéria e esmagando a gordura. Hoje, porém, mesmo seus adeptos reconhecem que a obstrução invariavelmente volta-dias, meses ou anos mais tarde."Se eu tivesse um problema cardíaco iria preferir a operação", imagina o cardiologista Euclydes Marques, da Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Sua opinião pode parecer suspeita-afinal, Marques é um dos mais conceituados cirurgiões do país. Mas, com sua calma típica, ele tece argumentos: "Numa angioplastia, ninguém consegue prever até onde é possível inflar o balão, antes de a artéria estourar. Se isso acontece, o paciente, que antes fugia do bisturi, acaba sem escapar dele -mas numa situação pior, a da cirurgia de emergência". De fato, apesar de aparentemente traumática, a cirurgia de coração é um dos procedimentos mais seguros da Medicina moderna.Marques admite que a angioplastia é uma solução para casos específicos- "quando a obstrução é pequena", define. Ele mesmo conta que alguns pesquisadores buscam novas formas de angioplastia, usando raio laser, por exemplo. Esse passaria por uma fibra ótica flexível, conduzida por uma artéria do braço até o coração, onde derreteria depósitos de gordura. "Por enquanto, o risco de o laser errar na mira e rasgar a coronária não autoriza essa angioplastia ser praticada rotineiramente", esclarece Marques. Mais sucesso, na opinião dos médicos, vem conseguindo a chamada arterectomia: trata-se também de um cateter, só que com uma hélice giratória na ponta. "Ele funciona como uma furadeira", descreve o cirurgião. Tanto os adeptos da cirurgia como os da angioplastia ganharam um aliado na luta para salvar infartados: as chamadas drogas trombolíticas, capazes de dissolver coágulos. Injeta, das na primeira hora após o aparecimento de sintomas, como dor no peito, elas evitam a morte do paciente em 70% dos casos. Faz sentido: quanto menos tempo o coração fica privado do sangue oxigenado, menos fibras do músculo degeneram. E, daí, o que resta de músculo vivo e sadio pode ser suficiente para o coração continuar a bater. Basicamente, existem duas drogas trombolíticas-a estreptoquinase, extraída da bactéria estreptococo, e a t-PA (do inglês, ativador da plasminogênio tecidual), substância existente em doses mínimas no organismo, mas de que técnicas da Engenharia Genética possibilitam a produção em massa. Ambas têm um perigoso efeito colateral: ao impedir a coagulação sangüínea, podem provocar hemorragias graves. Nesse sentido, a t-PA tem a vantagem de agir apenas durante poucos minutos (a outra pode durar seis horas no organismo), mas é muito cara para o orçamento da maioria dos hospitais brasileiros. Por isso, médicos do Incor, em São Paulo, experimentam mais uma vez o cateter, para aplicar a estreptoquinase diretamente na placa-sua dosagem, assim, passaria a ser muito menor.Além das novas drogas, a Cardiologia ganhou, recentemente, novos aparelhos: há oito meses, na Universidade de Campinas (Unicamp), interior de São Pauto, o cardiologista Claudio Pinho e sua equipe construíram o primeiro exemplar nacional do eletrocardiograma de alta resolução. As células do coração são comparáveis a pilhas, geradoras de um potencial elétrico que o próprio coração consome para bombear sangue. A freqüência desse potencial, em um coração normal, oscila entre 100 e 120 hertz.O mais sofisticado dos aparelhos convencionais de eletrocardiograma capta somente sinais entre 0,5 e 250 hertz, desenhando os gráficos nos quais os médicos prestam tanta atenção para saber se um paciente está, ou não, à beira de um ataque do coração. Feito dessa maneira, no entanto, é possível que, logo depois de tranqüilizado pelo resultado do exame, o paciente tenha uma parada cardíaca. Isso porque o coração doente produz freqüências até 1000 hertz, que só o equipamento de alta resolução é capaz de perceber. "Um amplificador acoplado ao equipamento envia os sinais para um computador", explica Pinho. "Ele é programado para, através de equações matemáticas, fornecer detalhes sobre os batimentos cardíacos." Quando o coração não vai bem, suas pilhas ou células se tornam mais fracas e, para compensar isso, são ativadas mais vezes-daí o aumento na freqüência do potencial-pelo pequeno nódulo, no lado direito superior do músculo, que governa suas contrações. Sim, porque o coração é o único órgão com um sistema nervoso próprio.Às vezes, por causa de infecções ou de uma má irrigação de sangue, surgem outros nódulos nervosos. Obedecendo a mais de uma ordem ao mesmo tempo, o coração perde a sincronia e surgem as arritmias. A mais grave delas é a taquicardia dos ventrículos, as câmaras inferiores do coração, que mandam o sangue de um lado, o direito, para os 2 pulmões e de outro, o esquerdo, para todo o corpo. Segundo o professor Paulo Jorge Moffa, da Universidade de São Paulo, com o eletrocardiograma de alta resolução se nota o problema: "Os ventrículos aceleram a tal ponto, que não têm tempo de encher, batem no vazio. Assim, não enviam sangue para o organismo. O cérebro não agüenta essa ausência por mais de três minutos". Constatado a tempo, o problema é reversível com choques e massagens- nada suaves-no coração.Paulo Jorge Moffa dirige o setor de diagnósticos do Incor, onde são examinadas cerca de 500 pessoas por dia. Não fosse sua paixão pelos modernos equipamentos que o rodeiam, confessa, teria voltado a Casa Branca, onde nasceu, cidade interiorana paulista com 30 000 habitantes. "O progresso não chegou por lá e, por isso, é um lugar tão bonitinho", orgulha-se. Os olhos claros por trás dos óculos azuis redondos brilham mesma maneira quando se refere a uma das últimas aquisições da Cardiologia: o chamado aparelho de mapeamento de superfície, desenvolvido no Japão. "Enquanto no eletrocardiograma medem- se com eletrodos apenas doze pontos do tórax, o mapeamento registra 84 pontos", compara. O resultado é uma leitura tridimensional do músculo."Outros aparelhos de mapeamento estão sendo desenvolvidos para situar eventuais nódulos nervosos extras. Pois, se antes só havia uma solução para arritmias-o marcapasso, que aplica um corretivo no coração na forma de descarga elétrica-, agora os cirurgiões começam a extrair o pedaço do músculo que está dando ordens erradas. Para localizá-los, por enquanto, utilizam-se cateteres que se dirigem até o coração. No subsolo do Incor, porém, há quem planeje algo mais simples. Ali, atrás de uma porta automática, por onde só passa quem tem autorização, espalham-se máquinas e dispositivos de aparência estranha a um hospital: é a Divisão de Bioengenharia. Nela, 52 cientistas-físicos, bioquímicos, médicos e engenheiros- se reúnem, por exemplo, para testar válvulas cardíacas artificiais, em dispositivos que Ihes provocam, em seis meses, o desgaste equivalente a seis anos se estivessem implantadas no corpo humano. É também em seus silenciosos laboratórios que engatinha o projeto de um novo aparelho para diagnosticar arritmias-"um balão, que seria simplesmente engolido como numa endoscopia convencional, para registrar, dentro do esôfago, os fenômenos elétricos do coração". adianta Adolfo Leirner, diretor da divisão. Extremamente cauteloso, usando frases curtas, ele foge dos detalhes desse e de outro projeto em andamento - o da produção de pequenos vasos sangüíneos artificiaisA bioengenharia, área da ciência se ocupa, da criação desses dispositivos, é uma espécie de casamento perfeito para Adolfo Leirner. Em 1958, ele foi um dos primeiros da turma o antigo instituto Tecnológico da Aeronáutica, em São José dos Campos, SP. No ano seguinte, junto com o renomado cardiologista Adib Jatene, Leirner montou o primeiro aparelho de eletrocardiograma brasileiro; dois anos mais tarde, em 1961, o primeiro marcapasso. Mas foi só depois de quinze anos de experiência como engenheiro que se aventurou no vestibular da Universidade de São Paulo para Medicina. Entrou, fez o curso, deixou sua empresa de equipamentos médicos para atender em prontos socorros - vestiu, enfim, o jaleco branco em tempo integral. Há três anos, convidado a trabalhar na área de bioengenharia, voltou ao mundo dos motores elétricos, da Física de materiais e da Matemática-ainda que por meio período, antes de ir para o consultório.Seis meses atrás, Leirner e sua equipe presentearam a sala de cirurgia do Incor com um aparelho novo, testado e aprovado: o dispositivo de assistência ventricular (DAV), com 8 centímetros de diâmetro, para auxiliar a câmara inferior do coração, região do músculo que deveria ser a mais vigorosa, para expulsar com força sangue para todo o organismo. Mas, depois de uma cirurgia grave, nem sempre o ventículo volta a ser o mesmo. É relativamente comum ele demorar para retomar seu compasso costumeiro. "Em cirurgias com mais de cinco horas são instaladas na saída do ventrículo bombas centrífugas, semelhantes às de gasolina, que mandam sangue para o corpo num fluxo contínuo", conta Leirner. O DAV. porém, é capaz de ficar quinze a vinte dias no paciente." Esse prazo pode fazer uma diferença de vida ou morte para aqueles cujo coração não volta mais ao normal, em um país com uma longa fila de pacientes à espera de transplantes. Sete de cada dez doentes nessa situação, antes do DAV, esperavam em vão.Outra forma de auxílio circulatório - esta, definitiva - é a cardiomioplastia, uma cirurgia criada há seis anos na França e realizada com sucesso no Brasil desde 1988: um músculo achatado, o grande dorsal. é descolado das costas. deixando- se ali apenas a ponta. onde está sua ligação com os nervos: atravessando o tórax, o dorsal envolve o coração como um papel de embrulho e, com estímulo de eletrodos. passa a contrair e relaxar no mesmo ritmo. Faz, enfim, metade do esforço pelo coração. "O grande dorsal, porém, precisa ser treinado gradualmente, com a ajuda de estímulos elétricos, para essa nova função", revela o cirurgião Noedir Stolf, do Incor. "Ele é estriado como o músculo do braço, isto é, consegue fazer muita força, mas por pouco tempo", explica, com a mímica de um levantador de pesos. "Precisa aprender a fazer pouca força, mas trabalhar o tempo inteiro, sem ficar cansado." 

Em algumas situações, a cardiomioplastia pode perfeitamente dispensar o transplante. Essa é uma técnica que, realizada pela primeira vez com sucesso em 1967, continua rodeada de problemas de difícil solução. Eles começam pela dificuldade de encontrar um doador, no momento certo, e terminam no risco das infecções que rondam todos os transplantados, obrigados a usar drogas que neutralizem o sistema imunológico do organismo-não fosse assim, esse fatalmente rejeitaria o órgão novo. Segundo Stolf, os japoneses prometem uma droga para resolver esse impasse, a FK-506, que por enquanto está sendo testada em sigilo no Hospital de Pittsburgh, nos Estados Unidos. O cirurgião, que opera em média três vezes por dia, avalia os avanços em sua área pela idade dos pacientes. "Quando comecei, há 25 anos, considerava-se um doente idoso para a cirurgia quanto era sexagenário", lembra Stolf. "Agora, cada vez tenho mais pacientes acima de 80 anos, da mesma maneira como tornam-se freqüentes as cirurgias em recém-nascidos, refletindo uma soma de progressos." 

A Associação das Indústrias Farmacêuticas dos Estados Unidos estima que o número de consumidores de remédios para cardíacos deve crescer cerca de 50% nos próximos dez anos. Isso significa que, de um lado, o coração continuará sendo maltratado por seus arquiinimigos, como o estresse e a má alimentação. Em contrapartida, ele terá mais chance de sobreviver, mesmo que sofrendo.

Inimigos por todos os lados

Será que as mulheres teriam o coração mais sensível? Sob certo ponto de vista, sim: depois de um ataque cardíaco, as mulheres têm duas vezes mais chances de morrer do que os homens, segundo cientistas da Universidade de Massachusetts nos Estados Unidos. Agora, com novas pesquisas, os americanos pretendem responder por que, uma vez doente, o coração feminino parece sair mais lesado. Em compensação, antes da menopausa, as mulheres têm problemas cardíacos em menor incidência."Os hormônios femininos em plena ação protegem o organismo da aterosclerose' explica o cardiologista Radi Macruz, do Hospital da Beneficência portuguesa em São Paulo. "Eles fariam a maioria da gordura ingerida na alimentação se acumular sob a pele", especula. As muIheres, assim, se tornariam rechonchudas com mais facilidade; nos homens, de seu lado, em vez de deformar a cintura, a gordura tende a se depositar nos vasos sangüíneos.Segundo o geriatra japonês Yukio Moriguchi, que desde 1971 leciona na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul "o cardápio brasileiro inclui poucas fibras e muita carne"-e, isso provoca 18% de queda na expectativa de vida da colônia japonesa no Brasil em comparação com quem vive no Japão. Sob encomenda da Organização Mundial da Saúde, o médico acaba de realizar um estudo em que tenta corrigir a hipertensão, um mal freqüente nos colonos japoneses da Região Sul, com o auxílio exclusivo de dietas com menos carne.Em seis de cada dez muIheres, a pressão foi normalizada, conta, com forte sotaque. A pressão aumenta justamente por uma constrição das artérias: além de o coração se esforçar mais, a diminuição do espaço para o sangue transforma qualquer pequeno coágulo em um grande obstáculo. Apesar do papel da alimentação, de acordo com o cardiologista paulista Marcos Fábio Lion, especialista no problema, 95% dos casos de hipertensão têm causa ignorada. E certo, porém, que substâncias liberadas no estresse aumentam a pressão. "A fumaça do cigarro tem o mesmo efeito, com maior intensidade", ensina Lion, que exibe no consultório uma placa com os dizeres "parabéns por não fumar."


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Precioso Líquido - O Sangue


PRECIOSO LÍQUIDO - O Sangue



Cinco litros de sangue percorrem 96.500 quilômetros de vasos para distribuir pelo organismo oxigênio, nutrientes e armas de defesa. A ciência aprende a mergulhar fundo nesse fluido vital.

Como as pedrinhas de um caleidoscópio, enquanto dançam, se transformam, no interior dos ossos, minúsculas células vão mudando de cor e de forma. Algumas se tornam gorduchas, avermelhadas e bicôncavas. Outras, de um branco quase transparente, assumem diversos formatos. No final da metamorfose, todas escoam formando finíssimos riachos do fluido mais nobre do corpo - o sangue. Nele, o exército de defesa do organismo mergulha, o oxigênio nada e os nutrientes flutuam. Sem a sua irrigação o homem não sobreviveria e, talvez por ter sido essa intuição, cultiva desde os tempos primitivos a idéia de que a própria alma pulsa ao embalo do coração ao longo de seus quase 96.500 quilômetros de veias e artérias.
Em um piscar de olhos, rigorosamente cronometrado, perdem-se 8 milhões de células sangüíneas, mas no mesmíssimo instante a medula óssea produz outras tantas. Estas, enfileiradas, após duas horas e meia de frenético ritmo industrial, poderiam formar uma ponte entre o Rio de Janeiro e Londres. Somente no ano passado cientistas americanos conseguiram isolar as células matrizes na medula óssea de cobaias - e não se poderia criticá-los se estivessem comemorando até hoje.
Pois essas verdadeiras sementes orgânicas, que dão origem às diversas células que compõem o sangue, vinham se escondendo da ciência há mais de três décadas. Existe apenas uma fugidia célula matriz sangüínea em cada 10 mil células da medula; assim, beneficiada por essa camuflagem, ela sempre escapava ao olhar dos microscópios. A descoberta da célula-mãe é um dos recentes avanços da Hematologia, a área da Medicina que estuda o sangue - uma substância que surgiu na escala evolutiva com os anfíbios, há 340 milhões de anos. Observando as transformações dessa célula, os pesquisadores querem agora descobrir os 5 litros de sangue que circulam no corpo de um adulto, representando até 7 por cento de seu peso. A rigor, os cientistas consideram o sangue um tecido, cujas partículas sólidas, as células, estão submersas em um meio líquido de cor amarelada, o plasma, formado basicamente por água. "O plasma é importantíssimo", explica o hematologista Dalton Chamone, professor da Universidade de São Paulo, "pois nele se dissolvem os nutrientes e a proteínas fundamentais, como os chamados fatores de coagulação, que evitam a perda do sangue, quando, por exemplo, nos cortamos".
Em uma única gota do líquido, porém, moram aproximadamente 9 mil glóbulos brancos, os linfócitos, como são chamadas as células do sangue que formam o sistema imunológico, encarregado de defender o organismo contra toda sorte de invasores, desde um grão de poeira até um vírus. Na mesma gota de sangue existem ainda de 250 mil a 500 mil plaquetas, partículas que flutuam livremente até ocorrer a menor lesão em um vaso. Então, elas se agregam, construindo uma barreira à passagem da corrente sangüínea, para evitar a hemorragia. Mas sem dúvida são os mais famosos componentes do sangue. Até porque é sua proteína, a hemoglobina, que lhe confere o tom vermelho vivo.
"Sem dúvida, as hemácias andam em moda hoje em dia", ironiza o hematologista Celso Guerra, professor da Escola Paulista de Medicina, referindo-se aos atletas que se preocupam com a quantidade de glóbulos que corre em suas veias. A razão é simples: são as hemácias que transportam o oxigênio da respiração pelo corpo. Nas células, onde o sangue desemboca através de microscópicos vasos capilares, o oxigênio é queimado, a hemácia se liga ao gás carbônico, que será despejado nos pulmões .
Como os músculos consomem muito oxigênio para realizar o seu trabalho, o raciocínio de alguns esportistas é de que quanto mais hemácias houver no sangue mais combustível haverá para queimar nas competições. Existem várias fórmulas para aumentar a quantidade de glóbulos vermelhos. A mais simples é treinar em lugares altos, onde o ar é mais rarefeito. Quando cai a pressão atmosférica, o ar chega com menos força aos pulmões. Com isso, estes captam menos oxigênio. Numa tentativa de compensar a perda, um hormônio produzido nos rins ordena à medula que intensifique a linha de montagem das hemácias. Na opinião de Guerra, que há mais de três anos vem analisando o sangue de atletas brasileiros, todo o esforço para ganhar umas hemacias a mais pode ser em vão. "De que adianta ter glóbulos vermelhos se dentro destes não há ferro suficiente para carregar o oxigênio?", pergunta. De fato, é por falta deste mineral no cardápio do dia-a-dia que um em cada cinco brasileiros homens é anêmico.
No caso das mulheres, que têm uma perda extra de ferro pela menstruação, a relação dobra: duas em cada cinco. O retrato de um país de gente pálida é o reflexo de um poder de compra ainda mais anêmico: o salário magro não compra carne e é do ferro existente em suas entranhas que o sangue precisa.
Outros alimentos, como o espinafre e o feijão, possuem o ferro ligado a moléculas de substâncias que o organismo não absorve com facilidade. Estima-se que durante a vida uma pessoa produza cerca de meia tonelada de glóbulos vermelhos, que se mantêm na circulação por quatro meses, até se romperem no baço e no fígado; as vísceras quebram seus componentes para serem remontados na medula óssea. Uma simples alfinetada na ponta do dedo faz derramar em torno de 5 milhões de glóbulos vermelhos. No entanto, pode-se sobreviver se cada gota de sangue dispuser de metade disso.
Mesmo assim, à menor espetadela, o organismo cauteloso dispara o alarme para uma valorosa guarda de segurança, que impede a fuga do sangue: trata-se do complexo processo de coagulação .
Mal um vaso se machuca, cuida de mandar dois sinais: uma mensagem elétrica segue pelos nervos até o cérebro - e este ordena a contração dos músculos na área ferida, diminuindo a passagem do sangue por ali; a outra mensagem é química e se dirige às plaquetas existentes na circulação. Estas, na verdade, são fragmentos de células gigantes situadas nas paredes da medula óssea. Ao perceberem as substâncias secretadas pelo tecido lesado, as plaquetas se agregam. Ativam assim uma enzima do plasma que, por sua vez, reage com uma proteína, o fibrinogênio, também do plasma.
O fibrinogênio se transforma então em fibrina, o fio insolúvel que tece uma rede para amarrar os glóbulos vermelhos: é o coágulo. Na realidade, o processo se desdobra em várias fases, das quais participam no mínimo doze fatores de coagulação, proteínas que seguem à risca a ordem de entrada em cena na operação destinada a estancar a hemorragia. A falta de um único desses fatores corta a corrente de eventos da coagulação. É o que acontece na hemofilia, doença hereditária transmitida sempre pela mãe, cujas vítimas, sempre do sexo masculino, não possuem o chamado fator número VIII.
A complexidade do processo é uma estratégia de segurança: dessa maneira, o organismo não produz coágulos sem a garantia de reações químicas que atestam a existência de uma lesão. Basta, porém, um pequeno coágulo de 2 milímetros de diâmetro para obstruir fatalmente uma artéria do coração, como ocorre no infarto. Os riscos, sem dúvida, são maiores em pessoas hipertensas. Nelas, o sangue pressiona com força as paredes dos vasos, provocando uma espécie de erosão. Formam-se em conseqüência verdadeiras brechas onde plaquetas e glóbulos vermelhos se instalam, erguendo um montículo; este vai barrando a gordura polissaturada, o colesterol de alta densidade (HDL) que circulava.
Como se estranhassem a infiltração da gordura, confundindo-a com uma nova lesão, as plaquetas voltam a se juntar sobre o lugar, aumentando o monte que se eleva no caminho do sangue. Chega enfim o momento em que o líquido não encontra passagem. A pressão sangüínea é mantida sob o controle de diversos hormônios produzidos nos rins. Além de estresse e cigarro, que prejudicam a síntese constante dessas substâncias, com o passar dos anos a safra delas diminui. "É por isso". explica o professor Chamone, da USP, "que pessoas mais velhas tendem a ter pressão alta".
Em matéria de sangue, contudo, os cuidados com a pressão e com o colesterol já não são os únicos hoje em dia. Pelo risco de contaminação, as pessoas têm medo de receber sangue, algo necessário nas cirurgias, sempre quando há perda acima de 0,5 litro do precioso líquido - o que se dá em mais da metade das intervenções. Quando a perda é menor, os médicos podem, por exemplo, repor apenas soro fisiológico: o coração não perdoa uma queda brusca no volume do fluido que bombeia, ameaçando falhar. O fato é que nos últimos anos muito mais gente do que em qualquer outra época soube que, da mesma forma como distribui a vida pelo corpo, o sangue pode espalhar a morte quando contaminado por vírus de doenças como a AIDS.
"Em cirurgias pré-marcadas, os pacientes preferem a autotransfusão", conta Fábio Jatene, cirurgião do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo. Há onze anos ele começou a estudar técnicas para reaproveitar o sangue de pacientes. O então médico recém-formado se interessou pelo campo mais por ser pouco vasculhado do que pelos benefícios que só ficariam evidentes com o surgimento da AIDS. Hoje ele entra duas ou três vezes por dia em centros cirúrgicos para aplicar autotransfusões. Todo sangue que jorra na operação é sugado por um equipamento e reinjetado no paciente. A técnica também é usada para aproveitar o sangue que drena no pós-operatório.
"Entre 50 e 70 por cento dos pacientes que demandam transfusão acabam recebendo sangue alheio", calcula Fábio, "embora, devido à autotransfusão, o volume de sangue estranho que se injeta seja muito menor". A autotransfusão não chega a ser novidade. Cientistas ingleses já aplicavam o método no século passado, mas o costume saiu de moda por causa das dificuldades técnicas e da noção de altruísmo que vicejou no século XX. "O certo era doar sangue a um ilustre desconhecido e este, de seu lado, deveria aceitar o sangue de um benemérito anônimo", resume o hemoterapeuta Nelson Hamerschlak, que participa da chefia de um dos mais modernos bancos de sangue do país, instalado no quarto andar do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Rodeados pelos equipamentos do banco, Hamerschlak detém-se e declara: "A beleza da minha profissão é usar todas as engenhocas para atacar o perigo de contaminação por todos os lados". Um médico pode tomar todas as precauções que a ciência proporciona ao realizar uma transfusão e, apesar de toda essa cautela, o paciente ser vítima de um efeito colateral - como se diz no jargão -, o sangue contaminado. Os chamados testes de compatibilidade determinam com segurança os fatores sangüíneos - proteínas existentes nos glóbulos vermelhos contra as quais o receptor do sangue pode produzir anticorpos.
Por exemplo, pode-se ter sangue com proteínas A, B, AB ou O. O sangue tipo O é conhecido como doador universal para transfusão de glóbulos vermelhos porque não contém fatores que reagem com anticorpos, podendo ser injetado em qualquer pessoa; quem possui sangue O, porém, só pode receber sangue do mesmo tipo. O sangue AB é o receptor universal porque, ao contrário do O, só deve ser doado a pessoas do mesmo tipo sangüíneo. Mas, como possui tanto proteína A como B, não reage ao receber qualquer sangue. Outro fator de compatibilidade sangüínea é o Rhesus, assim chamado por ter sido descoberto em macacos dessa espécies. Quem possui determinadas proteínas nos glóbulos vermelhos é Rh positivo e pode receber o sangue que não possui a mesma proteína; este sangue, porém, o Rh negativo, só pode ser misturado a sangue igualmente sem a proteína. Os fatores ABO e Rh são os mais importantes, embora existam cerca de trezentos fatores sangüíneos conhecidos.
No entanto, no que diz respeito a doenças, além da margem de erro na exatidão dos testes, há o que os médicos conhecem por "janela", ou seja, o período em que o sangue da pessoa já contaminada ainda não produziu anticorpos suficientes para serem detectados.
A janela, em casos de portadores do vírus da AIDS, dura em média oito semanas. Nos Estados Unidos, com vinte vezes mais casos de AIDS que o Brasil, não passa de ínfimo 0,03 por cento o índice de doadores cujos exames flagraram a presença do anticorpo do vírus da AIDS. Já nos bancos de sangue brasileiros o índice de aidéticos entre os doadores chega a alarmante 0,7 por cento dos casos. Para Hamerschlak, do Albert Einstein, os números são uma clara indicação de que pessoas do grupo de risco procuram na doação uma maneira de fazer gratuitamente o teste da AIDS. "Quando se trata de sangue, sempre há risco", sentencia ele.
Mas no Brasil os números disponíveis demonstram que o risco pode estar além da conta. Na média nacional, caso nenhum sangue fosse testado, quem recebe transfusão teria 0,6 por cento de chance de pegar AIDS, 1,3 por cento de contrair hepatite, 1,8 por cento doença de Chagas e 2,4 por cento outras infecções. Para se ter uma idéia do perigo que correriam os 100 mil hemofílicos brasileiros, cada um deles precisa receber 100 doações por ano. A fim de reduzir os riscos de contaminação, além de restringir a lista de doadores, os modernos bancos de sangue contam com o benefício da tecnologia médica - as processadoras, máquinas capazes de selecionar no próprio sangue do doador o componente que está sendo procurado. Ou seja, ele deixa de doar o meio litro de sempre de "sangue total", como dizem os hematologistas, para ceder apenas, por exemplo, glóbulos brancos ou plaquetas, e assim por diante.
"Como as células têm peso diferente, posso escolher exatamente aquelas que preciso retirar do sangue, através da centrifugação", explica o médico Leonel Szterling, também do Hospital Albert Einstein, enquanto colhe plaquetas do sangue de uma doadora. Através da lente côncava do aparelho podem-se ver várias esferas, formadas pelo sangue que gira em alta velocidade. No centro, feito uma bola de fogo, concentram-se os glóbulos vermelhos, cercados pela aura clara dos glóbulos brancos. Em seguida vem a esfera amarela pálida das plaquetas, que, pouco a pouco, preenchem um saquinho de plástico.
O restante do sangue é devolvido ato contínuo à doadora, cujo volume de plaquetas em poucos dias voltará ao normal. "Pelo processo convencional, separando as plaquetas contidas em meio litro de sangue doado, eu precisaria de umas oito doações para conseguir o mesmo saquinho", compara Szterling. Os hemoterapeutas, especialistas em tratamento das doenças do sangue, também estão usando esse tipo de equipamento para retirar o excesso de glóbulos brancos que atacam o próprio organismo, nos casos das doenças auto-imunes, como a artrite.
No futuro, as processadoras talvez serão aplicadas apenas nesses tratamentos. Ao menos, é o que esperam os pesquisadores do Centro de Biotecnologia do Instituto Butantã, em São Paulo, que acenam com uma descoberta capaz de acabar com o drama da contaminação por doações: uma enzima que dissolve rigorosamente todo e qualquer vírus, purificando o sangue em pouco mais de 24 horas. De acordo com o médico Isaías Raw, respeitado pesquisador em Bioquímica, que dirige os estudos, trata-se de uma variação do método criado pelo Banco de Sangue de Nova York, que usa um solvente por sinal muito comum em armas químicas, combinado com um detergente da bile produzido no fígado, para destruir a carapaça do vírus.
"Seu material genético fica porém intacto", informa Raw, "enquanto acrescentamos à fórmula uma enzima capaz de derreter o vírus completamente sem danificar as células do sangue. "Outra frente promissora de pesquisas na área está na placenta humana, que contém cerca de 300 mililitros de sangue. Os franceses desenvolveram na década de 70 a técnica de moer placentas para garimpar os coágulos de sangue. Por isso, compram anualmente 20 milhões de placentas do mundo inteiro. A idéia dos pesquisadores do Butantã não é somente colher o sangue contido na placenta mas tentar isolar nela os hormônios que fazem crescer os capilares.
"No futuro", imagina Raw, "as operações de safena poderão ser substituídas por injeções dessas substâncias, que ofereceriam à circulação sangüínea caminhos alternativos desimpedidos". A mais fascinante de todas as promessas talvez seja a do chamado sangue artificial, um líquido branco e leitoso, criado por cientistas japoneses, que ainda está longe de substituir o bom, velho e rubro sangue natural, mas abre animadoras possibilidades nesse campo. A descoberta data da década de 60, quando cientistas americanos sem querer deixaram cair um ratinho em um recipiente com uma emulsão de perfluorcarbono, composto capaz de dissolver gases, razão pela qual é usado, por exemplo, na fabricação de refrigerantes. Para espanto de todos, a cobaia, submersa, continuou respirando normalmente.
A razão disso, descobriu-se depois, é a alta concentração de oxigênio contido no perfluorcarbono - ou seja, ar à vontade. Nas primeiras experiências com seres humanos, no final dos anos 70, o sangue artificial só funcionou como recurso de emergência, pois quando se injetavam mais de 200 mililitros o líquido manifestava efeitos tóxicos. Hoje, embora muitos médicos tenham suas dúvidas, os japoneses garantem poder transfundir até 2 litros do sangue leitoso. Como diria o diabo do romance Fausto, do poeta alemão Goethe, "o sangue é mesmo um suco muito peculiar".

Quando o sangue sobe à cabeça

Quando se sente medo, o coração dispara, preparando o organismo para escapar da situação. Mas se o medo é de sangue a natureza abre exceção: como se temesse um sangramento, os batimentos cardíacos diminuem e a pressão cai tanto a ponto de causar enjôos ou tonturas. Mas por que alguém sente mal-estar, medo ou asco ao ver sangue? Para a psicóloga Maria Helena Bromberg, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o sangue em si está relacionado à vida e às emoções fortes - daí jorrarem expressões como "ter sangue quente". Mas o sangue que se vê habitualmente está associado a situações negativas - acidentes, ferimentos, doenças. "Então ele adquire significado oposto", acredita Maria Helena.
Por isso, ao ver o líquido ao vivo e em sua cor carmim, o pálido desconforto pode transformar-se em pânico - pânico da morte, em suma. Existem, é claro, pessoas que até gostam de ver sangue, mesmo que não saibam disso. Para o fundador da Psicanálise, Sigmund Freud, o líquido vermelho é também símbolo de intimidade sexual. Ele por certo não acreditava em vampiros, como o conde Drácula da histórias de terror, mas usou a expressão vampirismo para definir casos em que a visão do sangue ajuda a excitar sexualmente alguém - um comportamento, portanto, aparentado do sadismo.

Imagens correndo nas veias

. Quando se abrem nos vasos brechas por onde o fluido possa escapar, arma-se um verdadeiro esquema de segurança. Mas o excesso de zelo pode levar a fatais obstruções nas artérias do coração.
1) O menor ferimento que permita a fuga de uma única gota de sangue faz o organismo disparar um alarme através de sinais químicos do tecido lesado. Isso faz com que as plaquetas começam a se juntar
2) A plaqueta, cuja imagem aparece ampliada nesta foto, é na realidade um fragmento de células da medula óssea.
3) As plaquetas se detêm na ferida para dificultar a passagem do sangue. Os pontos menores são glóbulos brancos criando uma barreira química à passagem dos germes.
4) Três a seis minutos após a lesão, milhares de plaquetas agregadas formam uma película transparente para ativar proteínas no plasma.
5) Uma das proteínas do plasma, o fibrogênio, reagindo com os chamados fatores de coagulação, começa a tecer uma verdadeira rede de fios insolúveis.
6) Completamente presos por aquela rede, os glóbulos vermelhos que tentavam escapar formam um coagulo: é o fim da hemorragia.
7) O interior da artéria coronária de uma pessoa hipertensa: a forte pressão do sangue contra a parede do vaso provoca uma erosão.
8) Persistindo pressão alta, o fluxo do sangue levanta camadas com se estivesse descascando a superfície do vaso. Este, então, pode romper-se facilmente.
9) Os glóbulos vermelhos se instalam nas cavidades assim formadas.
10) Para evitar a fuga dos glóbulos vermelhos, inicia-se processo de coagulação comum a qualquer ferimento: só que a artéria herdará para sempre uma espécie de cicatriz.
11) A cicatriz, feito uma placa, acaba ficando impregnada de partículas de colesterol presente na circulação.
12) O jogo de sucessivas coagulações e depósitos de colesterol forma um montículo que pode, eventualmente, obstruir o fluxo sangüíneo e provocar o infarto.

Uma gota de verdade

Com uma agulha, a enfermeira do laboratório espeta o dedo do paciente e deposita a gota em um aparelho do tamanho de um controle remoto de TV. O equipamento analisa a luz refletida pelas moléculas sangüíneas e indica em um mostrador digital a quantidade de glóbulos vermelhos - assim, em instantes, é possível diagnosticar anemia, o que antes consumia horas de contagem das hemácias ao microscópio. A nova técnica é excepcional - seja pela inovação em si, seja porque a esmagadora maioria dos exames segue outros procedimentos. Normalmente os laboratórios de análises clínicas misturam à amostra de sangue produtos químicos capazes de provocar reações se nela existirem substâncias específicas. Cada um daqueles produtos (ou bactérias, eventualmente) destina-se a fornecer uma determinada resposta. Eles fazem as substâncias do sangue aglutinar-se, mudar de cor ou ficar radioativas. Conforme o tipo de reação, pode-se saber não só o mal que aflige o paciente, como a presença de um vírus, mas também dados do tipo taxa de hormônios, de açúcar, de colesterol etc. Qualquer infecção se revela no exame. A rigor, toda doença deixa pistas no sangue, mas nem por isso o exame de sangue é sempre o melhor caminho para o diagnóstico de uma doença. Um distúrbio cardíaco, por exemplo, pode ser indiretamente flagrado na análise por causa do aumento do número de uma certa enzima, liberada pelas células danificadas do coração. Mas é  muito mais simples - e eficaz - fazer um eletrocardiograma.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Salve o Coração

SALVE O CORAÇÃO



Levou milênios para ser o que é, funciona com a força de uma bomba e o ritmo de uma metralhadora, dá a impressão de fabricar todas as emoções pode trabalhar sem descanso durante mais de um século,mas tem Poderosos inimigos externos.

Desde que o mundo é mundo, o coração é considerado a sede dos sentimentos - e assim conquistou um lugar de honra na linguagem e na literatura produzida há milhares de anos. Só no Antigo Testamento, por exemplo? o coração é mencionado nada menos que oitocentas e cinqüenta vezes. Nas últimas décadas, porem, o mito começou a perder a aura. Os sucessivos avanços da ciência passaram a desvendar, um a um, os segredos desse órgão tido como o mais nobre, senão o mais importante, do corpo humano. O primeiro transplante cardíaco, realizado em 1967, causou tanta sensação quanto a chegada do homem à Lua, dois anos depois. Hoje, sequer se fala nisso, tão rotineiras e variadas se tornaram as possibilidades de tratamento em cardiologia.
O que sempre foi reverenciado como matriz das emoções é descrito com frieza clínica apenas como um músculo oco, do tamanho aproximado de um punho, que pesa entre 280 e 340 gramas nos homens e de 230 e 280 gramas nas mulheres. Sabe-se também que o coração é uma máquina tremendamente eficiente, dividida em duas partes que trabalham em sincronia, contraindo-se e relaxando-se a cada batida, para bombear cerca de cinco litros de-sangue oxigenado, cheio de vida, ao organismo. Essa operação se repete umas 80 vezes por minuto. Assim, o coração pulsa 4 800 vezes por hora, 113 mil vezes por dia e 41 milhões de vezes por ano. Mas nem sempre ele foi como é.
A rigor, pode-se dizer que o coração apareceu e evoluiu em conseqüência da sofisticação da vida no planeta. À medida que os seres vivos foram desenvolvendo mais órgãos e funções, maior se tornou a necessidade de um sistema que levasse substâncias nutritivas para todo o seu corpo. Nos seres mais primitivos - unicelulares, como as amebas, por exemplo. e alguns pluricelulares, como os corais - não há indicio desse sistema circulatório. Os alimentos são absorvidos diretamente do meio ambiente e dissolvidos no corpo. No caso dos pluricelulares, a absorção é feita por uma cavidade digestiva, que passa o alimento às células próximas. Depois. uma série de contrações faz com que as células troquem seus líquidos internos entre si. transportando. dessa maneira, o alimento.
Já as esponjas - embora sejam contemporâneas desses seres primitivos, surgidos há mais de dois bilhões de anos - transportam as substâncias pelo corpo de forma diferente. Por motivos ainda desconhecidos, em vez de passar os alimentos de célula a célula, as esponjas têm canais, por onde a água circula. entrando pelos poros. A água vai até uma cavidade central e volta distribuindo as substâncias. Inúmeros flagelos. existentes dentro dos canais. se movimentam, ajudando o liquido avançar. Os canais das esponjas até podem ser os antecessores das artérias. mas não se pode dizer que, por causa disso, esses seres têm um sistema circulatório.
O sangue como solvente do organismo, as artérias flexíveis e uma espécie de bomba hidráulica, capaz de manter a circulação constante - enfim, os elementos básicos do sistema circulatório - aparecem somente cerca de 1 bilhão e 500 milhões de anos mais tarde. Há 570 milhões de anos, um coração rudimentar surge nos anelídeos. como são chamados os animais da família das minhocas. De fato, o que se considera coração no anelídeo são cinco artérias em forma de anéis que se encontram em torno do aparelho digestivo.
Na verdade, existem corações e corações. Algumas espécies, que surgiram há 500 milhões de anos, como os crustáceos e os moluscos, desenvolveram sistemas circulatórios abertos, ou seja, corações em forma de tubos, que ondulam de trás para frente, bombeando o sangue para as artérias, que, por sua vez, desembocam em lacunas dentro do organismo. Ai o sangue entra em contato direto com as células, voltando ao coração pelo mesmo caminho. Os insetos, que apareceram mais tarde, há 250 milhões de anos, também têm sistemas circulatórios abertos.Já no sistema de circulação fechado, presente nos vertebrados - e sabe-se lá por que razão nas minhocas, com seus anéis-corações - não há lacunas. O sangue viaja por uma complexa rede de canais cada vez mais estreitos e com paredes cada vez mais finas. Sai pelas artérias (como são chamados os canais que partem do coração), que se ramificam em arteríolos Finalmente, o sangue percorre os milimétricos capilares. As substâncias, como os alimentos, passam para as células e as células, por sua vez, devolvem outras substâncias ao sangue. através das paredes desses capilares. Finalmente, o sangue faz o caminho de volta pelas veias (como são chamados os canais que chegam ao coração).
A essa altura da evolução das espécies, quando aparecem os peixes, há cerca de 400 milhões de anos,o coração já tem uma certa semelhança com dos seres humanos, por estar dividido em câmaras. O coração do tubarão, um dos mais antigos animais vertebrados, possui, por exemplo, uma câmara superior chamada aurícula outra, inferior,conhecida por ventrículo. A aurícula recebe - o sangue do corpo e, ao se contrair, o expulsa para o ventrículo. Este, por sua vez, com suas paredes musculosas, bombeia com toda força o sangue para o corpo as válvulas impedem que ele volte. Do grande vaso central, que sai do coração do tubarão, o sangue passa para uma das oito artérias branquiais, que se transformam em capilares, já no interior das brânquias onde o oxigênio é captado. Enquanto a vida que se prezava transcorria debaixo d ´água esse coração dividido em duas câmaras dava conta do recado. Mas, ao surgirem animais com respiração pulmonar, há 340 milhões de anos, o coração precisou mudar de novo: adquiriu uma terceira câmara.Os anfíbios possuem duas aurículas e um ventrículo. A auricula esquerda acolhe o sangue oxigenado vindo dos pulmões; a direita recebe o sangue que acabou de circular pelo organismo. No ventrículo, o sangue arterial e o venoso se misturam, antes de partir rumo aos pulmões e demais órgãos.
O coração com três partes dos anfíbios foi uma boa solução encontrada pela natureza - mas não a melhor. A bomba propuisora mais eficiente seria conseguida pelos crocodilos, um dos últimos répteis surgidos na Terra, há 130 milhões de anos. Seu coração tem quatro divisões. épraticamente o mesmo coração das aves e dos mamíferos que vieram muito mais tarde - há 26 milhões e 2,5 milhões de anos, respectivamente. Ele opera, ao mesmo tempo, dois tipos de circulação - ou seja, uma ida-e-volta aos pulmões e uma ida-e-volta ao restante do corpo. O músculo já tem, então, o seu característico perfil triangular. No homem, situa-se quase no centro do corpo. Sua aurícula direita - ou átrio direito, como também é chamada - fica na parte superior e recebe o sangue do organismo ao relaxar-se. Esse é um sangue escuro, porque distribuiu todo o oxigênio pelos órgãos, recebendo, em troca, o gás carbônico produzido nas células após a queima do oxigênio. Numa contração, a aurícula empurra o sangue para o ventrículo direito, logo abaixo; imediatamente, fecha-se a válvula que separa essas duas câmaras, impedindo que o líquido volte. A válvula chama-se tricúspide, porque dá a impressão de estar dividida em três.
Do ventrículo direito, numa segunda contração, o sangue sai por uma artéria grossa e forte, que se bifurca em dois ramos, um para cada pulmão. Lá, o sangue troca o gás carbônico por uma nova dose de oxigênio e, por isso, assume uma tonalidade vermelho vivo. O caminho de volta ao coração é feito por quatro veias pulmonares, duas de cada lado. O sangue, então, chega ao átrio, ou aurícula esquerda. Daí, numa contração, desce para o ventrículo esquerdo e, mais uma vez, uma válvula se fecha, para que o sangue não volte. Esta é a válvula mitral, porque sua ponta bipartida lembra uma mitra, o chapéu usado pelos bispos. O ventrículo esquerdo - onde se dá a etapa final da circulação pelo coração - é bem mais forte que o ventrículo direito. Faz sentido. Afinal, enquanto o lado direito do músculo manda o sangue apenas para os pulmões, o esquerdo deve rejeitar o líquido, num movimento vigoroso, para todo o corpo, como se estivesse Ihe dando um verdadeiro empurrão inicial.
O sangue parte do coração pela aorta, a mais espessa e larga artéria de todo o organismo, e percorre uma enorme rede de tubos. As veias e artérias, que são elásticas, ajudam 0 sangue a correr, com pequenos movimentos. Por isso é que o sangue é capaz de dar uma volta inteira pelo corpo em apenas um minuto, aproximadamente. Nesse percurso, o liquido faz de tudo um pouco: transmite mensagens químicas de um órgão a outro, através dos hormônios; alimenta e, ao mesmo tempo, recebe toda espécie de excretas das células.
Tradicionalmente, o coração foi comparado com uma bomba. Ainda hoje, essa é a analogia que ocorre aos leigos. Mas os cientistas já adotaram uma imagem mais precisa: a da metralhadora automática. De fato, o músculo se contrai, num movimento chamado sístole e imediatamente se expande, na chamada diástole, com bastante força, contorcendo-se bruscamente. Mas isso não significa que o coração necessite de energia para os dois movimentos: a mesma força que ele utiliza para contrair-se é usada, na seqüência, para aspirar o sangue. Ou seja: quando o coração relaxa, permite que o sangue entre automaticamente. Daí a idéia da metralhadora, que não precisa ser recarregada constantemente.
O coração parece um órgão essencial demais para ser governado apenas pelo cérebro. Seus disparos são controlados também por um sistema nervoso próprio. O cérebro envia suas ordens na forma de impulsos elétricos, que indicam a freqüência e a amplitude das contrações. Assim, exigirá que o coração trabalhe mais depressa se o corpo estiver em exercício; ou mandará que bata mais lentamente, durante o sono. Já o sistema nervoso do coração, localizado num pequeno nódulo sobre o átrio direito, cuida que o músculo cardíaco não perca a sincronia: ao mesmo tempo em que os ventrículos expulsam o sangue, já estão recebendo mais sangue das aurículas e assim por diante.
Às vezes, por causa de infecções, traumatismos ou má irrigação, o coração passa a receber dois comandos próprios. Forma-se um segundo e, em alguns casos, até um terceiro nódulo nervoso. Isso provoca uma doença chamada arritmia. Submetido a ordens diferentes, o coração se desgoverna. Não recebe nem expulsa o sangue. É a parada cardíaca. Para combater a arritmia, a medicina desenvolveu um pequeno aparelho, instalado no peito: o marca-passo. Quando a coração ameaça parar, o marca-passos emite descargas elétricas entre 200 e 400 volts, o que o obriga a trabalhar. O marca-passo é apenas um entre os cada vez mais numerosos recursos aperfeiçoados pelos cardiologistas para prevenir, remediar ou compensar a mau funcionamento do coração. Drogas controlam os depósitos de gordura nas artérias para impedir que fiquem obstruídas sendo impossível evitar a obstrução, cirurgias substituem as artérias inválidas; eletrocardiogramas são complementados por exames muito mais complexos, como tomografia computadorizada (que consiste em analisar a imagem do coração, obtida por raios X, com a ajuda de um computador).
A maior proeza da ciência, porem, foi tornar o coração substituível Tudo começou no dia 3 de dezembro de 1967, quando o médico Christian Barnard do Hospital Groote Schuur, na África do Sul, anunciou que havia realizado o primeiro transplante de coração em um ser humano. O paciente, que sobreviveria apenas dezoito dias, era Louis Washlcansky, de 55 anos, portador de uma doença fatal nas coronárias. Ele recebeu o coração de uma mulher, Denise Ann Darvall, morta em acidente de carro. Washkansky morreu porque seu organismo não aceitou o coração estranho. De fato, a rejeição revelou-se o maior obstáculo no caminho dos transplantes. Nem por isso eles cessaram de imediato - muito ao contrário.Nos doze meses seguintes à cirurgia pioneira do doutor Barnard - que se tornaria uma celebridade - 96 transplantes foram realizados no mundo. A moda só começou a arrefecer na virada da década. No início dos anos setenta, a freqüência dos transplantes caiu drasticamente, e, com o passar do tempo, outras alternativas mais atraentes passaram a ser pesquisadas. Hoje, o problema da rejeição está sob controle e a medicina deu outro passo gigantesco ao criar o coração artificial. Trata-se de uma bomba propulsora metálica, capaz de substituir 0 coração humano. Considerado a solução ideal para os casos incuráveis, o coração artificial tem a evidente vantagem adicional de não se desgastar com o estresse provocado pelas tensões da vida cotidiana, nem padece dos males da alimentação errada, hábitos sedentários e fumo - que o entopem a ponto de inutilizar a metralhadora automática do nosso organismo.
"O homem pode viver perfeitamente até os 120 anos. Quem morre antes, morre precocemente", afirma, com segurança, o cardiologista Radi Macruz, professor adjunto da Universidade de São Paulo. Ele não parece otimista demais. De fato, a idéia de que o coração inevitavelmente começa a falhar quando a pessoa chega à casa dos quarenta, não se sustenta em teoria médica. Livre dos inimigos externos, nada impede que o coração se mantenha em bom estado durante um século inteiro. O bom coração, além do mais, bombeia com precisão o sangue para o organismo, mantendo os diversos órgãos bem irrigados - portanto fortes e igualmente capazes de funcionarem sem problemas.Se isso não acontece, já se sabe por quê: usa-se e abusa-se de alimentos com colesterol - lipoproteínas de alta densidade, presentes em carnes gordas, mariscos, leite integral e seus derivados, e ovos - que se depositam em forma de gorduras nas artérias do coração, chamadas coronárias. Com o entupimento ou aterosclerose, o músculo cardíaco, que também precisa receber nutrientes e oxigênio através do sangue, fica sem irrigação e morre. É o infarto agudo do miocárdio, responsável por três em cada quatro mortes causadas pelo coração. O cigarro também ajuda o aparecimento da aterosclerose, porque o fumo estimula o coração a bater mais depressa que o normal. Com isso, ele se esforça mais e necessita de oxigênio extra. Ao mesmo tempo, para piorar as coisas, o oxigênio chega ao sangue em doses cada vez menores, devido à nicotina acumulada nos pulmões. Oxigenado inadequadamente, o miocárdio acaba morrendo ou, na menos ruim das hipóteses, sofrendo lesões. Além disso, a nicotina também torna as artérias mais estreitas, facilitando os entupimentos.
A falta de exercícios é outro inimigo do coração. A vida sedentária aumenta a sensibilidade do organismo ao colesterol: as gorduras não são queimadas, acumulando-se nas artérias. Mas, sem dúvida, o estresse não pode ser subestimado. Pessoas que vivem com o coração na mão, como se diz, ansiosas e angustiadas, obrigam o coração a trabalhar dobrado, abrindo caminho para que um problema fisiológico - do tipo entupimento das coronárias - se manifeste num período mais curto. Como as emoções afetam o coração, é fácil entender por que as pessoas, desde os tempos primitivos, se acostumaram a achar que o coração produz os sentimentos.
Essa é uma das crenças mais duradouras do homem. E há mesmo, nos dias de hoje, quem tente dar fundamentação científica a essa idéia. É o caso dos cientistas que quiseram provar que o coração secreta hormônios responsáveis pelas emoções. Tudo o que se sabe. porem, é que esse órgão produz, na aurícula direita, um prosaico hormônio diurético. É inegável que o coração é o órgão mais vulnerável aos sentimentos. Esse músculo que funciona feito máquina, também se descontrola, acelera ou diminui o ritmo diante do perigo ou da surpresa agradável, muda de comportamento diante do que se ama ou se odeia. Enfim, é onde são percebidas as verdades básicas de cada ser humano - suas emoções.

Boxes da reportagem

No Brasil, mais doentes e mais inovações
Apenas seis meses após o primeiro transplante de coração realizado no mundo, a equipe do professor Euryclides de Jesus Zerbini , do Hospital das Clínicas de São Paulo, anunciou, a 26 de maio de 1968, que o boiadeiro João Ferreira da Cunha, um matogrossense de 23 anos, havia recebido um coração novo. O paciente parecia ter reagido bem à operação. Mas, passados 21 dias, o coração de João parou por 90 segundos e ele voltou à UTI. O problema foi contornado. Seis dias depois, porém, uma segunda crise matou João Boiadeiro. Ele morreu, não porque a cirurgia tivesse sido malsucedida, mas porque seu organismo rejeitou o coração transplantado - como vinha acontecendo em toda parte com pacientes com coração novo.O segundo transplantado brasileiro, o comerciante Ugo Orlandi, chegou a sobreviver 13 meses e 13 dias, morrendo em outubro de 1969. Nesse meio tempo, um terceiro transplantado sobreviveu apenas dois meses. Mas foi a morte de Orlandi que induziu os cardiologistas brasileiros a decretarem uma moratória nos transplantes de coração. Como explicou, na época, o professor Zerbini, eles estavam suspensos, enquanto não se encontrassem medicamentos que realmente evitassem as rejeições. Com isso, o Brasil só retomou a corrida dos transplantes em 1979. "A rejeição está controlada e realizamos esse tipo de cirurgia tão bem quanto em qualquer lugar do mundo", diz o professor Adib Jatene, diretor do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas de São Paulo.Em matéria de coração, por sinal, o Brasil oferece um retrato contraditório. Faz-se, no pais, todo tipo de cirurgia cardíaca e também se desenvolvem tratamentos revolucionários. Em compensação, aumenta, a cada ano, o número de pessoas com problemas cardíacos."Infelizmente, aqui não se faz prevenção de doenças do coração", critica o professor Radi Macruz, da Universidade de São Paulo. As cirurgias para correção de problemas de válvulas, por exemplo, não têm resultados duradouros: os problemas voltam após cerca de dez anos - e, se isso ocorre repentinamente, a pessoa morre. As deficiências nas válvulas, que respondem por 15 a 20 por cento das cardiopatias no Brasil, têm uma causa única: a febre reumática, causada por uma infecção, a estreptococcia, que atinge cerca de três em cada cem brasileiros. "Bastaria que os portadores da doença fossem identificados", observa Macruz, "e tomassem um comprimido de penicilina por dia. Em conseqüência, teríamos quase 20 por cento de cardíacos a menos."O número de pessoas com aterosclerose (entupimento das coronárias) também está crescendo, por falta de campanhas de prevenção. Logo aumentará bastante o número de cirurgias para corrigir o problema. Em todo caso, o Brasil oferece as mais avançadas alternativas ao bisturi, como a angioplastia, técnica utilizada em São Paulo - pela primeira vez no mundo - há três anos: um cateter (tubo com largura de três milímetros é colocado numa artéria do braço ou da perna e chega até o coração; dentro do coração, é inflado por um balão de gás, de modo a comprimir os depósitos de gordura.Mais revolucionária é a angioplastia a laser, também desenvolvida no Brasil, ainda em fase experimental. Mediante essa técnica, se destrói tudo o que obstruir a artéria."A questão é que, sem ver a artéria por dentro, fica difícil colocar o cateter em posição pararela ao depósito de gordura", explica o único médico no país a usar o laser em cirurgias cardíacas, doutor Euclydes Marques, do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Se o instrumento se inclinar, o laser pode furar a artéria." Esse problema será resolvido quando houver um equipamento ótico que possa ser acoplado ao cateter do laser.Em cirurgia, o laser é uma espécie de bisturi elétrico, só que mais preciso. A particularidade, em relação à cirurgia cardíaca, é que ajuda a estancar hemorragias nas grandes artérias, onde o bisturi elétrico não pode ser utilizado, porque destruiria as paredes dos vasos. Atualmente, os cardiologistas brasileiros seguem duas outras linhas de pesquisa. Uma busca nada mais nada menos que usar o laser para dar ao coração uma nova rede de irrigação sanguínea: através de perfurações, seriam criados cerca de cem capilares por centímetro quadrado. A outra pesquisa, já desenvolvida com êxito, pretende usar o laser para a sutura de artérias. Nas mãos de um cirurgião habilidoso, emendar uma artéria com pontos de náilon leva quinze minutos - e numa cirurgia cardíaca geralmente são feitas, no mínimo quatro suturas desse tipo; com o laser, uma sutura gasta apenas cinco minutos. Orgulha-se o doutor Euclydes Marques: "Durante anos, os melhores institutos de pesquisas cardiológicas do mundo tentaram fazer isso e não conseguiram. Nós somos os primeiros a acertar".

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Doença rara faz garota britânica não conseguir comer

23/02/2011 17h38 - Atualizado em 23/02/2011 18h46

Doença rara faz garota britânica não conseguir comer
Daisy Palmer sobrevive com uma sonda ligada ao coração.
Corpo de menina de 7 anos rejeita até mesmo alimentos pastosos.

A britânica Daisy Palmer, de 7 anos, possui uma doença rara que a impede de comer alimentos sólidos, mesmo que seja uma barra de chocolate derretida. A pseudo-obstrução intestinal crônica faz o corpo da menina rejeitar alimentos, vomitando tudo o que coloca na boca. A doença não tem cura e é causada por problemas na formação dos músculos e nervos do sistema digestivo.

O diagnóstico da doença só foi feito em 2008. Até os quatro anos de idade Daisy conseguia ingerir alimentos pastosos como iogurtes, sopas e pudins. Com o passar dos anos, ela perdeu cada vez mais a capacidade de comer, chegando a perder peso e sofria com dores intensas após as tentativas de alimentação.


Daisy Palmer é portadora de pseudo-obstrução intestinal crônica, doença rara que a impede de comer. Ela recebe nutrientes por meio de uma sonda ligada ao coração (Foto: Barcroft Media / Getty Images)Portadores da doença apresentam uma dificuldade para movimentar os alimentos pelo sistema digestivo. O intestino, o estômago e até mesmo o esôfago ficam afetados, mesmo sem nenhuma obstrução física nos órgãos.

Em janeiro de 2010, ela recebeu uma sonda diretamente ligada ao coração para poder receber alimentos parcialmente digeridos. Daisy precisou permanecer no hospital até agosto do ano passado.

Agora, ela precisa passar 17 horas, durante todos os dias, ligada a uma máquina que injeta a comida fluida diretamente no seu corpo. O tubo recebe apenas um líquido especial, contendo os nutrientes que Daisy precisa para sobreviver. Ao todo, a garota recebe 1200 calorias diárias.


Daisy Palmer com a família na Grã-Bretanha (Foto: Barcroft Media / Getty Images)