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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Homem paralisado volta a andar após transplante de células do nariz


Homem paralisado volta a andar após transplante de células do nariz

Darek Fidyka voltou a andar após receber transplante de células olfativas. (Foto: BBC)

Darek Fidyka ficou paralisado após ser esfaqueado várias vezes em 2010 e não apresentava sinais de recuperação; tratamento é inédito no mundo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Novo dicionário da Anatomia - Medicina


NOVO DICIONÁRIO DA ANATOMIA - Medicina



Você vai falar esse medicinês
Calma, por enquanto ainda dá para se referir a dolorosas amígdalas inflamadas, ou a mulheres que amarram as trompas para evitar bebês. Dá até falar pelos cotovelos, se quiser. Mas dentro de hospitais e escolas médicas a conversa logo será outra. A partir de 1º de dezembro, os especialistas deverão trocar mais de 2 000 palavras, ou seja, quase 30% dos 6 700 nomes usados para designar as partes macroscópicas do corpo humano. Se a gente levar em conta outras alterações, como as dos termos referentes às partes microscópicas e às partes de qualquer tamanho recém-batizadas, que nem tinham nome próprio, as mudanças chegam a 40% do medicinês (veja alguns exemplos à direita). Apenas com o tempo - muito tempo, provavelmente - é que a nova nomenclatura poderá se popularizar.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Câncer, testes que salvam - Medicina


CÂNCER, TESTES QUE SALVAM - Medicina



É preciso encarar os tumores malignos desde a juventude. Já existem exames que acusam a doençca enquanto ela tem esmagadoras chances de cura. E os tratamentos estão cada vez mais eficazes. Tudo porque a ciência está flagrando, dentro da célula, as moléculas que deixaram de agir direito. A melhor constatação dessa nova era é a de que, quase sempre, pode se prevenir o mal.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Melatonina, A agenda do corpo - Saúde


MELATONINA, A AGENDA DO CORPO - Saúde


Um hormônio secretado pela glândula pineal, localizada no cérebro, ganha cada vez mais admiradores, que tomam sua versão sintética como que bebe da fonte da juventude. A promessa: ela seria capaz até de reverter a passagem do tempo. Mas os cientistas não têm provas. Reconhecem que a substância é a responsável pela incrível pontualidade do corpo humano saudável, em que cada órgão faz a coisa certa na hora certa. Se tem efeito como remédio é outra história. Por isso sua comercialização ainda é proibida no Brasil.

segunda-feira, 24 de março de 2014


O CORPO CINTILANTE - Medicina Nuclear


É possível fazer imagens do cérebro graças à cintilografia, o principal exame dos médicos nucleares.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dr. Zerbini - O mago do coração - Perfil


DR. ZERBINI, O MAGO DO CORAÇÃO - Perfil


Ele fez Medicina apenas por sugestão paterna, odiou o início da faculdade, quase desmaiou ao assistir a uma operação. Mas, graças à mania de ser sempre o primeiro aluno da classe, acabou se transformando em um dos pioneiros da cirurgia cardíaca em todo o mundo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Médicos na Índia usam vinagre para detectar câncer



Médicos na Índia usam vinagre para detectar câncer

Exame para detectar câncer de colo de útero na Índia (Foto: Getty Images/BBC)

Técnica simples está permitindo que mulheres de aldeias remotas tenham mais chance na luta contra câncer de colo de útero.

Os exames citológicos tradicionalmente usados para detectar a presença de células causadoras de câncer de colo de útero são caros e requerem equipamentos especializados. Por isso, médicos indianos estão usando um método alternativo que tem por base um material inusitado --  ácido acético, ou vinagre comum.

O método -- desenvolvido por cientistas da Universidade Johns Hopkins e de outras instituições -- está sendo usado em lugares como a aldeia de Dervan, no estado de Maharashtra, onde os médicos improvisaram uma clínica temporária em uma loja vazia.

Ele consiste em recolher, com a ajuda de uma espécie de cotonete com vinagre, material do colo do útero das pacientes. Se o vinagre fizer o material recolhido ficar branco ou amarelado, há indícios da presença de células pré-cancerígenas.

Em países como os EUA, o câncer de colo de útero costumava matar mais mulheres do que qualquer outro câncer. Hoje, porém, praticamente não há mortes em muitos países desenvolvidos graças ao exame conhecido como Papanicolau -- que permite a detecção precoce e tratamento da doença.

Na Índia, no entanto, dezenas de milhares de mulheres ainda morrem todos os anos de câncer de colo de útero. "Não é possível para nós oferecer o exame (Papanicolau) de forma tão frequente como no Ocidente", diz Surendra Shastri, do Tata Memorial Hospital, em Mumbai.

A análise do Papanicolau requer um time de especialistas bem treinados e um laboratório bem equipado, mas muitas regiões da Índia não têm nem um, nem outro. "Então, o que podemos fazer?", Shastri questiona. "Não podemos deixar que as mulheres morram".

Resistência
Os exames com vinagre são uma resposta relativamente simples e barata a esse dilema. Eles estão sendo feitos como parte de um projeto do Tata Memorial Hospital, de Mumbai, e do Hospital Walawalkar, de Dervan, dirigido pela médica Suvarna Patil.

Patil diz que quando o teste "alternativo" foi levado para as aldeias, onde passou a ser oferecido gratuitamente, as mulheres indianas não pareciam estar interessadas.  Muitas achavam o exame incômodo e constrangedor, e um amplo trabalho de conscientização teve de ser implementado para quebrar sua resistência.

Profissionais da área de saúde visitaram diversas casas com seus computadores e apresentações de PowerPoint -- em um país em que, contraditoriamente, há ampla disseminação de alguns equipamentos tecnológicos, mas a qualidade dos serviços básicos ainda é precária.

Cartazes foram espalhados em ruas e praças e encontros foram realizados com líderes comunitários e estudantes.

Estratégias
Ainda assim, como contou Patil, as mulheres não pareciam convencidas da importância do exame. Uma tripla estratégia ajudou a arrefecer essa resistência.

Primeiro, uma equipe feminina de médicas e enfermeiras foi destacada para fazer os exames.

Segundo, essa equipe passou a oferecer não apenas o teste para detectar o risco de câncer de colo do útero, mas também um check-up total das pacientes, medindo sua pressão arterial, avaliando problemas dentários e ajudando a detectar diabetes e outras doenças que preocupam bastante as mulheres da região.
Para completar, os homens também passaram a ser recebidos para um check up -- e o apoio masculino foi um fator essencial para que as mulheres comparecessem a esses postos de saúde improvisados.

Essas estratégias ajudaram a causar uma mudança de atitude, que também foi impulsionada pela gradual disseminação de uma percepção positiva sobre os resultados dos exames.

Segundo Patil, pouco a pouco, as indianas começaram a perceber que ele realmente estava ajudando parentes e conhecidas a vencer o câncer.

"Elas começaram a ver os resultados. Entenderam que se o câncer é detectado em estado precoce o paciente se recupera bem", disse a médica.

"Agora, as pessoas estão vindo até nós para pedir que façamos o exame em grupos de mulheres de uma ou outra região".

*O programa "The World" é coproduzido pela BBC e a rádio pública americana PRI.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Charcot - Anatomia da Loucura


CHARCOT: ANATOMIA DA LOUCURA



Pioneiro da Neurologia, ele ensinou os cientistas a enxergar a diversidade das doenças mentais. Suas pesquisas sobre a histeria e sua maneira de lidar com os pacientes mudaram os rumos da Medicina

Em outubro de 1985, um jovem médico chegou a Paris,vindo de Viena, na Áustria. Embora costumasse julgar-se indeciso, sua viagem à capital francesa tinha um objetivo bem definido: conhecer o "patrão", como dizia, assistir às suas aulas de Patologia Clínica e discutir com ele anatomia cerebral. O estrangeiro esperava também ter acesso a cérebros de crianças mortas para pesquisar. Só que o mestre trabalhava no Hospital La Salpétrière, onde a grande maioria dos pacientes eram mulheres - todas sofrendo de alguma forma de doença mental. E foi por isso que o visitante acabou fazendo a autópsia, não de uma criança, mas de uma mulher idosa, vitima de atrofia cerebral e epilepsia parcial. O episódio entrou para a história porque o médico se chamava Sigmund Freud e o "patrão", a quem ele ia ouvir toda terça-feira no lotado anfiteatro do La Salpétrière, era Jean-Martin Charcot.Freud tinha imensa admiração pelo trabalho de Charcot e se preocupava em agradá-lo. Acabou sendo notado. O célebre professor convidou três vezes o entusiasmado discípulo às concorridas reuniões em sua casa, no Boulevard Saint-Germain. Eles conversavam em alemão e Freud ganhou do anfitrião uma fotografia com dedicatória. De volta a Viena, pendurou o retrato na parede da sala e deu ao filho o nome de Jean Martin. Quando Charcot morreu, em 1893, aos 68 anos, o criador da psicanálise falou dele como "o maior pesquisador da jovem ciência da Neurologia, o pai dos neurologistas de todos os países e um dos maiores homens da França".Charcot não ignorava o quanto valia. Grave, sério, calado, era porém suficientemente vaidoso para raspar as têmporas a fim de acentuar os traços que julgava nobres do rosto. Era um exemplo perfeito dos cientistas de seu tempo: positivista, acreditava no inexorável progresso da ciência e na sua capacidade de explicar todo e qualquer fenômeno, em todo e qualquer campo do conhecimento. À frente de um hospício que abrigava algo como 5 000 doentes, o metódico Charcot resolveu observar, anotar, fotografar aquilo que chamava de "museu patológico vivo". Com a montanha de dados que colecionou durante os anos de permanência no La Salpétrière, assentou o estudo da Neurologia em bases científicas.Diferenciou a histeria da alienação e da epilepsia, provou que esses males, ao contrário do que se acreditava, não eram típicos do século XIX, não se manifestavam exclusivamente em mulheres, nem tampouco eram causados por distúrbios nos ovários. Descobriu diversas enfermidades novas, como a que passou a ter o seu nome (ou artropatia neurogênica, uma lesão da medula que faz os músculos das pernas e braços contrair-se), postulou que o cérebro não era uma massa homogênea, mas dividia-se em regiões que comandam, cada qual, partes distintas do corpo e criou, enfim, pela primeira vez, uma clínica de atendimento externo para doentes mentais.Embora, aos olhos de hoje, tal atendimento ambulatorial pareça algo elementar, a clínica representou uma espécie de revolução no diagnóstico das perturbações neurológicas. Assim, uma mulher com sintomas de nervosismo causados por razões as mais diversas, como esterilidade, por exemplo, não era mais internada por tempo indeterminado no pavilhão das histéricas. Os nove volumes da obra de Charcot sobre o sistema nervoso e suas doenças Ihe valeram a primeira cadeira de ensino de Neurologia do mundo. Ele veio a ser também um dos primeiros médicos especializados de que se tem noticia.Um dos três filhos de um construtor de carruagens parisiense, Jean-Martin teve a sorte de poder escolher a profissão, algo decididamente incomum na primeira metade do século passado. Ao notar nele uma extrema aptidão para o desenho, além de afiada inteligência, mas sem poder custear os estudos dos três, o pai decidiu que ao menos Jean-Martin merecia traçar os próprios rumos - entre a pintura e a Medicina. Sem escolha, o irmão mais velho herdaria a atividade paterna e o terceiro seguiria carreira militar. Jean-Martin não desapontou o fabricante de carruagens. Sua trajetória no internato dos Hospitais de Paris foi nada menos do que brilhante. Aos 28 anos defendeu tese de doutoramento sobre a gota e aos 35 ganhou fama - sem falar numa boiada de francos - por tratar do banqueiro e futuro ministro das Finanças Achille Fould. A única condição imposta pelo ilustre paciente ao jovem médico era que este aparasse os bigodes.Em 1862, com 37 anos, ingressou no famoso Asilo de Mulheres do Hospital de La Salpétrière, onde conjulgou por bom tempo as habilidades de clinico geral com as pesquisas sobre doenças do sistema nervoso. De certo modo, não havia abandonado a prática do desenho. Seu raciocínio era visual, isto é, dependia de minuciosas observações e desenhos precisos de membros atrofiados ou de rostos distorcidos de suas pacientes. Nos raros momentos de humor, também se exprimia por figuras. Ao enviar uma carta, costumava rabiscar, no lugar reservado ao nome e endereço do remetente, um galo que punha um ovo com o número seis. Os amigos não tinham dificuldade em desvendar o que significava o enigma: 6, rue du Coq (galo, em francês). Ali, Charcot morava antes de ocupar a luxuosa casa de Saint-Germain, para onde, mais tarde, convidaria o fascinado Sigmund Freud.Como, no entanto, era dado ao mais severo rigor, quando entrou para o que se supunha ser o maior hospício do mundo resolveu vasculhar sua história, assim como todos os cantos daquele trágico lugar. O asilo fora criado em 1657 para abrigar uma população que não se enquadrava nos restritos padrões sociais da época. Um ano depois da fundação, misturavam-se no seu pátio mulheres cegas, surdas, inválidas, doentes mentais ou simplesmente miseráveis. junto com crianças abandonadas. Um século mais tarde, 8 000 pessoas estavam confinadas no que já então se tinha transformado num misto de hospício com prisão de segurança máxima. A situação chegou a tal ponto que em 1792 um suposto "complô de mulheres" foi alegado para justificar um bárbaro massacre promovido pelas forças da ordem nas dependências do La Salpétrière.Em 1862, Charcot encontrou ali 4 000 internas - e fez questão de examinar uma a uma, em seu consultório. Um escândalo: na época, a praxe médica mandava o doutor ir até onde estivesse o paciente, ou seja, ele passava em revista de uma só vez dezenas ou mesmo centenas de pessoas de um pavilhão. Afrontando o costume, o novo professor fazia com que a doente entrasse em seu gabinete. Diante de ajudantes e alunos, mandava que ela se despisse enquanto seus olhos percorriam cada reação, cada anomalia. Charcot nada dizia aos discípulos que se entreolhavam. curiosos. Repetindo o processo com as sucessivas pacientes, ele fazia comparações, traçava intermináveis esquemas, diferenciava sintomas. Em casa, passava noites em claro estudando cada detalhe. Numa dessas madrugadas, constrangido, precisou chamar a mulher: de tanto enrolar os cabelos com o dedo indicador enquanto passava horas a fio debruçado sobre os estudos aprontou um nó tão grande que Madame Charcot teve de socorrer o marido com uma tesoura para que ele pudesse soltar a mão.Ao cabo de semanas de trabalho, chegou ao que lhe pareceu serem as características imutáveis e universais do grande ataque histérico, "válido para todos os tempos, todos os países e todas as raças". Para ele, a manifestação da doença se dividia em quatro fases sucessivas: a aura, estado que precede a crise, quando o doente começa a se agitar sem, no entanto, perder a consciência; a fase epileptóide, manifestada por gritos, palidez e perda de consciência; o período de contorções, também chamado "clownesco", acompanhado de atitudes passionais e gesticulações teatrais; e, finalmente, a fase de resolução, com choros, risos e delírios.Numa época em que perturbações mentais eram automaticamente associadas a comportamentos perigosos, sendo as pessoas encarceradas e postas a ferros, as pesquisas de Charcot representaram o início de uma nova compreensão dos distúrbios psíquicos, abrindo caminho, entre outras coisas, para as ousadas teorias de Freud sobre a sexualidade infantil e a repressão dos desejos. Coerente com a lógica científica em voga, Charcot optou por uma explicação estritamente biológica do problema da histeria -apontando para o fator hereditariedade -, mas não deixou de fazer alusões à influência das emoções no processo. Do mesmo modo, não lhe escapou a questão da sexualidade, mencionada na sua obra Iconografia fotográfica de La Salpétrière.O homem de pequena estatura que gostava de posar para fofos com ares de Napoleão e se sentia lisonjeado quando comparavam-no ao poeta italiano Dante Alighieri, tornou-se uma das personalidades mais controvertidas da sociedade parisiense de então. Emboradistante da política, protestou patrioticamente contra a anexação da Alsácia e da Lorena pela Alemanha na guerra franco-prussiana de 1870, recusando-se a dar aulas ou conferências naquele país. No hospital, era considerado um deus tanto pelas pacientes quanto pelas enfermeiras, estas não menos enclausuradas que as primeiras, que literalmente dedicavam as vidas àquele "grande asilo de misérias humanas".Seu nome correu mundo e trouxe-lhe à porta personalidades ilustres da política, das artes e da filosofia de muitos países. O imperador brasileiro Pedro II, por exemplo, fez questão de procurá-lo no consultório, como admirador é claro, não cliente. Durante anos, adotou o hábito de receber em casa, semanalmente, entre a primavera e o verão, a fina flor da intelectualidade francesa. Alguns colegas, porém, se insurairam contra seus métodos, sobretudo a exposição das doentes nas famosas aulas das terças-feiras, as incontáveis fotografias tiradas de todos os ângulos das infelizes mulheres. Houve quem o acusasse de farsante ao observar as sessões de hipnotismo a que recorria -e  que seriam imitadas por Freud.No anfiteatro do hospício, o autoritário Charcot se recusava a explicar um ponto de vista sem demonstrá-lo "ao vivo". Mandava entrar uma das pacientes e convocava um auxiliar. "Faça-a dormir", ordenava. O assistente apoiava por alguns instantes as mãos sobre os olhos da mulher. Ela emitia apenas um suspiro antes de cair em sono profundo. Logo, começava a obedecer a cada estímulo muscular provocado por Charcot, contorcendo-se como num ataque histérico. Em resposta aos que o acusavam de fraude, ele argumentava que a doente, não dispondo de conhecimentos de Anatomia, não poderia ter simulado os movimentos que o professor alegava ter induzido. Teatro ou não, o mestre tinha um trunfo definitivo: o grande número de curas alcançadas.Recursos médicos tão diversos como eletrochoques e uma até então inédita intimidade com os sintomas de cada paciente associavam-se perfeitamente a uma imensa confiança que as pessoas sentiam naquele personagem misterioso, de olhar seguro e andar calmo. Mas ele não vivia apenas para a ciência. Amava a literatura e a música - indo até mais longe do que um amador comum. Por exemplo, leu e anotou toda a obra de Shakespeare, seu autor favorito. Apreciava Mozart  e Beethoven, mas detestava Wagner, de quem dizia ser demasiado enfático. Não fosse para um concerto, jamais saía de casa às noites, nem gostava de ser importunado pela família. Seguiu à risca o exemplo paterno, decretando que a filha Jeanne deveria ser mãe de família e o filho Jean-Baptiste, médico. As ordens não foram contestadas. Jean-Baptiste, porém, entregou-lhe o diploma, engajou-se na Marinha, conquistou fama como grande explorador e morreu como herói a bordo do Porquoipas? na Antártida.Jean-Martin Charcot encarnou, como poucos, a ebulição por que passaram as ciências biológicas em geral e a Medicina em particular na segunda metade do século XIX; Com a nvençãp da anestesia, que a neurocirurgia seria praticada sem maiores problemas por seus sucessores. Foi seguidor fiel de Claude Bernard (1813-1878), o cientista francês que fundou a medicina experimental e o primeiro a defender a separação entre Nerologia e Psicologia. Em suma, puxou pela primeira vez o fio da meada que embaraçava todas as doenças mentais numa única, grande e indistinta categoria - a loucura."Existem mais coisas entre o céu e a terra do que é capaz de sonhar a vã filosofia", Charcot invocava seu bem-lido Shakespeare para justificar a obsessão de classificar separadamente cada moléstia psíquica, descrevê-la exaustivamente e tratá-la de maneira distinta e específica. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Arrancando a Dor - Odontologia



ARRANCANDO A DOR - Odontologia



As sessões de sofrimento na cadeira do dentista estão com os dias contados. Novos equipamentos, materiais e técnicas prometem vida melhor para os pacientes e os profissionais.

A palavra dentista está associada para milhões de pessoas, à sensação de medo. E não é para menos. Salvo os muitos jovens, que já nasceram sob o signo das tecnologias que começam a ser aplicadas ao tratamento dentário, não há quem não tenha sofrido ao tratar os dentes. Com uma rapidez impressionante, porém, as histórias de terror na cadeira do dentista vão ficando distantes. em vários países, uma especialização profissional crescentemente detalhada, o desenvolvimento de técnicas avançadíssimas e a indispensável contribuição da Química tratam de espantar os velhos fantasmas dos consultórios. Ali as novas estrelas são cada vez mais os computadores e o laser.
Foi uma longa caminhada. De todos os equipamentos com que se defronta o paciente na sala do dentista nada assusta mais do que a broca a motor. Mas a verdade é que na sua versão mais moderna o aparelho, capaz de produzir 200 mil rotações por minuto, é um bálsamo comparado às brocas do passado. A alta rotação abrevia consideravelmente o processo de perfurações da coroa e evita as temidas vibrações das brocas antigas, que estremeciam a cabeça do paciente. Para os menos resistentes à dor há sempre o recurso da anestesia, com uma picada dolorida e de sabor desagradável, mas providencial no temível momento em que a broca se aproxima do nervo.
Diante disso, quem vai se lembrar que a perfuração a motor existe há apenas cem anos? De fato, em 1872 surgiram as primeiras brocas movidas a pedal, que lembravam máquinas de costura. Só então tornou-se possível escavar buracos lisos e uniformes, condição essencial a uma perfeita obturação do dente cariado. Mas o ritmo de trabalho desse engenho era de apenas 2 mil rotações por minuto. Perto do que havia, foi um progresso e tanto - o primeiro de uma série. Pois, antes da broca a metal, era a tortura: as cáries, tecidos dentários destruídos por bactérias, eram removidas com uma lima - a frio. Não é à toa que as gravuras da Idade Média, mostrando cenas de tratamento, por assim dizer de dentes mais parecem retratos de interrogatórios do Tribunal da Inquisição.
O dentista às portas do século XXI tem à sua disposição novíssimos métodos de tratamento, um moderno instrumental e materiais cada vez mais resistentes. Tanto assim que já se pode antever o tratamento sem dor - mesmo sem anestesia. Um bom exemplo é um aparelho para a remoção de pequenas cáries, que não perfura o esmalte dentário: simplesmente dissolve a cárie mediante um produto químico especial. O método, desenvolvido nos Estados Unidos, tem dado bons resultados, por exemplo, com pacientes da Faculdade de Odontologia da Universidade de Munique, na Alemanha. Apesar disso, não consegue encontrar mercado suficiente para a produção industrial. "O problema é que ele não se aplica a cáries mais profundas", explica Mário Sérgio Limberte, cirurgião-dentista de São Paulo, com 25 anos de experiência em reabilitação oral. "E, para cáries pequenas, a broca resolve bem", diz ele.
A grande esperança do momento em matéria de tratamento de cáries é a broca a laser, que vem sendo testada nos Estados Unidos e na Alemanha. O laser dentário trabalha com luz ultravioleta (UV) de ondas extremamente curtas, é rápido e principalmente indolor. Cada raio luminoso age por ínfimos bilionésimos de segundo - algo tão breve que os nervos humanos nem chegam a registrar. Os finíssimos raios UV-laser têm a vantagem adicional de trabalhar com a precisão de 1 milésimo de milímetro, graças a que retiram muito menos da valiosa substância dental do que a broca mecânica.
"O laser certamente fará parte da Odontologia do futuro", aposta Antônio Giordani, um gaúcho radicado em São Paulo, que desde o início de sua carreira de cirurgião-dentista tem como preocupação básica diminuir a dor do paciente . "O que os pesquisadores ainda não sabem é até que nível de extensão das cáries será possível empregar o laser", diz ele. Enquanto se procura conhecer a resposta, os dentistas vão dispondo do recurso para outras funções, como, por exemplo, acelerar a cicatrização de cirurgias e afecções da boca e auxiliar no tratamento de certos tipos de dores musculares na face e inflamações.
Rapidez, perfeição e supressão da dor. Estas são as metas para as quais se volta a revolução odontológica. O avanço é tanto que os pesquisadores entraram entusiasmados até mesmo pelos domínios da estética. Em vários países, entre eles o Brasil, é possível fazer uma espécie de maquiagem nos dentes anteriores. Trata-se da aplicação de um revestimento laminado de porcelana, que recobre dentes escuros ou manchados, devolvendo a alegria de sorrir, como dizem os comerciais de dentifrício, para quem se envergonhava de abrir a boca. 
Uma das áreas de ponta na pesquisa odontológica é a dos materiais para obturação e prótese. A perfeição chegou com as resinas compostas, que proporcionam resultados difíceis de distinguir dos  dentes naturais . Quando é eliminada a região doente do esmalte dentário, o local precisa ser novamente preenchido e vedado. Isso até os curandeiros medievais já sabiam, mas até o começo do século passado não se conhecia nenhum material confiável para esse fim. Os dentistas testaram as mais diversas substâncias. Chumbo e estanho fundidos eram derramados nos buracos. Até cera chegou a ser usada, com o inconveniente de exigir reposição diária. Hoje, as últimas palavras no assunto são, de um lado, as metalocerâmicas para encapar dentes danificados e, de outro, um aparelho que está sendo experimentado em clínicas americanas, suíças e alemãs, para fazer as peças com perfeição.
Trata-se de um computador programado para fornecer um molde óptico da cavidade dentária, com precisão micrométrica. O dentista simplesmente coloca uma minicâmera de vídeo sobre o dente aberto e obtém uma imagem. Essa aparece na tela do computador, permitindo que a cavidade a ser recoberta seja delimitada com exatidão. Com base nas medidas fornecidas pelo computador, em quinze minutos é possível com uma pequena fresa de diamante esculpir a peça de restauração num bloco de porcelana ou cerâmica.
Além de preencher muito melhor a cavidade do que o amálgama introduzido com calcador, a cerâmica combina perfeitamente com a cor do dente: não fica vestígio algum de que houve ali um reparo. "Com esse aparelho será possível obturar vários dentes em poucas horas", prevê o cirurgião-dentista Mário Sérgio Limberte. A novidade, em todo caso, ainda não chegou ao Brasil. Mesmo nos Estados Unidos, a técnica é usada há apenas um ano. E pensar que ao longo da história humana os dentes seriamente cariados eram arrancados, pois não se acreditava que pudessem ser salvos.
Este, por sinal, sempre foi o primeiro mandamento dos práticos-dentistas: em caso de dor de dente, tira-se o dente. Em tempos idos, a dor de dente foi um flagelo que não distinguia poderosos e plebeus. E os historiadores se perguntam quantas desgraças desabaram sobre os povos por culpa de cáries sem cura. Acredita-se, por exemplo, que o rei Luís XIV, quando resolveu acabar com a liberdade religiosa dos protestantes franceses, em 1685, estivesse fora de controle por causa de uma dor de dente. Nesse estado, ele não teria sido capaz de avaliar que seu gesto provocaria o êxodo de 400 mil nobres e burgueses protestantes - o creme do creme da elite mercantil do país -, causando uma sangria de riquezas e espíritos empreendedores da qual a França talvez jamais tenha se recuperado.
Outro exemplo de estragos que a dor de dente pode provocar é dado pelo rei Gustavo I da Suécia (1496-1560). Ele era temido tanto por amigos quanto por inimigos, pelo seu humor instável e pelas reações tirânicas que era capaz. Sabe-se hoje que tal comportamento era fruto de cáries tão devastadoras que quase corríam o monárquico maxilar. Tanto se padeceu de dor de dente que o homem capaz de extirpar o mal pela raiz ficava famoso em dois tempos. Tiradentes, enforcado em 1792 por seus ideais de liberdade, talvez fosse mais conhecido na época em Minas Gerais pela habilidade como dentista prático do que por suas idéias políticas. Dela se dizia que punha e tirava dentes com a competência de um mestre. De fato, Tiradentes não se limitava a tirar dentes, como a grande maioria de seus colegas. Ele também colocava coroas artificiais, feitas possivelmente de marfim ou de osso de boi.
A preocupação em recolocar dentes perdidos é bem mais antiga do que talvez se imagine. Há 2500 anos os fenícios prendiam arames nas partes sadias da arcada dentária para segurar as peças substitutas. Uma prática de pouca eficácia, mas que servia para disfarçar as falhas de aspecto desagradável, razão pela qual sobreviveu até o século passado. Os dentes naturais retirados de cadáveres eram os substitutos de maior aceitação.
Mas havia de tudo. Num museu da época Colômbia, uma mandíbula da época dos incas exibe, no lugar do dente extraído, uma concha lapidada. Todos esses recursos apresentavam um inconveniente: não podiam ser forçados. Por isso era regra tirar a prótese na hora de comer. O primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington (1732-1799), quando jovem, mandou fazer uma prótese de dentes de hipopótamo para a boca inteira, unindo com uma mola a dentadura superior à inferior, como era costume. A história registra que, ao falar, Washington contraía o rosto de maneira estranha por causa da prótese. Em certa ocasião, quando teve que se deixar retratar, o pintor o aconselhou a colocar algodão na boca, como recheio. O resultado está ainda hoje ao alcance da vista de quem tenha em mãos uma nota de 1 dólar. O presidente americano aparece com o rosto todo embolotado, como se sofresse de uma doença da pele. As dificuldades de hoje, comparadas às agruras do passado, são inegavelmente pequenas. A chamada terceira dentição, no entanto, ainda é um senhor problema. Quando se trata de substituir um dente, os dois vizinhos são trabalhados como se fossem pilares e revestidos de coroas. O dente substituto é então soldado entre as coroas.
Esta é a versão moderna da ponte dentária dos fenícios. Ocorre, porém, que as superfícies de contato entre o dente artificial e os naturais freqüentemente deixam espaço livre onde se acumula placa bacteriana. A razão principal está na construção da ponte, a partir de moldes de gesso. Aqui, mais uma vez, o computador é chamado em auxílio da Odontologia. Com ele, o grau de precisão de encaixe pode ser melhorado de vários centésimos para 20 milésimos de milímetro. A construção da ponte é igual à da obturação por computador, mas seu uso ainda está limitado aos centros de pesquisa.
"Apesar do progresso nessa área, a ponte está sendo menos usada que os implantes", diz Ângelo Luciano Roccella, presidente da Associação Paulista de Implantologia Oral. "A vantagem do implante é que os dentes sadios não são afetados", observa. As opções de implante são grandes. Podem-se usar parafusos, pinos ou lâminas de metal, fixadas no maxilar, como se fossem raízes. Os metais empregados também variam, já que alguns são bem-aceitos pelo organismo humano. Recentemente, descobriu-se que o titânio, um metal empregado há anos em implantes, tem a rara propriedade de estimular a formação óssea à sua volta, fazendo com que a raiz artificial acabe se integrando como se fosse parte do próprio osso. Com a raiz bem ancorada, fixam-se nela os dentes. Um implante realizado com essa técnica dura pelo menos dez anos.

Estímulos que relaxam.

Há mais de vinte anos, quando começou a trabalhar no Rio Grande do Sul, o cirugião-dentista Antônio Giordani já se preocupava com a angústia e a dor de seus pacientes. Como paliativo, ele procurava criar um ambiente menos tenso à base de música suave e sons naturais gravados com o maior capricho. Hoje radicado em São Paulo, Giordani trocou a música por um sofisticado aparelho de relaxamento. Trata-se do Mio Tens 14, por ele desenvolvido há sete anos e do qual existem no Brasil quase 2 mil aparelhos em uso. O Mio Tens produz estimulação nervosa através da pele, combinando efeitos de alta e baixa freqüência traduzidos por impulsos. Na baixa freqüência, o ritmo é de quarenta a cem impulsos por minuto, simultâneos aos cem impulsos por segundo provocados pela alta freqüência. A sensação é de um certo torpor na pele acompanhado de relaxamento muscular. Não é raro o paciente dormir cinco minutos depois do aparelho ter sido ligado. Do tamanho de um rádio-relógio de cabeceira, o Mio Tens 14 é conectado à pele por eletrodos adesivos e descartáveis, semelhantes aos dos eletrocardiogramas. Os eletrodos sobre a articulação mandibular, ao lado dos ouvidos e na testa. A estimulação nesses pontos libera mais endorfinas, analgésicos naturais do organismo. "O Mio Tens não substitui a anestesia em tratamentos maiores", ressalva Giordani, "mas deixa o paciente tranqüilo para ser anestesiado e tratado". 

Meia escova por habitante.

Com os primeiros colonizadores portugueses vieram para o Brasil mestres de diversos ofícios, entre eles os cirurgiões, cuja prática profissional era regulamentada por lei, e os barbeiros, que, além de cortar  cabelo e barbear, extraíam dentes. Até o século XVII, porém, a prática do tira-dentes não era regulamentada e só em 1631 foi instituída multa para quem tirasse dentes sem licença. Mas os primeiros cursos de Odontologia no Brasil só foram criados em 1884.
Nos cem anos que se seguiram o país viu aumentar, de um lado as condições de aperfeiçoamento da Odontologia e, de outro, a população de desdentados, que deve estar beirando os 25 milhões de brasileiros, algo como um em cinco habitantes. Dados da indústria indicam que são vendidos no país 70 milhões de escovas de dentes por ano. o que dá cerca de meia escova por habitante. Não é por outro motivo que os profissionais da área vivem falando na necessidade de se criarem hábitos de alimentação e higiene para melhorar a prevenção à cárie - a grande inimiga da boa dentição.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

E como dói - A Dor

E COMO DÓI - A Dor



Só há pouco tempo, passou-se a estudar o fenômeno da dor como um mal em si mesmo, que merece tratamentos específicos. E descobertas surpreendentes conduzem à cura na esmagadora maioria dos casos.

Alguns podem suportar uma dor durante certo tempo, mas decididamente ninguém suporta quem reclama de dor muito tempo. "Como vai?" - alguém lhe pergunta, e o maria-das-dores, em vez de um cortante "tudo mal", explica que arde, aperta, pinica, perfura, belisca, queima, irrita, estremece, lateja aqui e ali. No início, até dói no coração de quem ouve, que retira um providencial analgésico do bolso, lembra-se de um fantástico chá da vovó, procura o endereço daquele médico que curou outro amigo. Mas há dores que vencem não só esses primeiros socorros como também todas as demais manifestações de caridade. Esgotam ainda as receitas do médico da família. Porque não têm domínio da situação, as pessoas tendem a achar que o problema de fato não existe ou se sentem constrangidas pela falta de solução. E quem já sofria de uma dor experimenta outra - a da solidão. Esse "chato de doer" talvez ignore que hoje existem médicos especializados em compreender suas queixas e curá-lo. A Medicina nos últimos anos passou a pesquisar o fenômeno da dor, que agora é muitas vezes considerado uma doença em si. Pode ser um alívio saber que existem tratamentos - embora nem sempre cura definitiva - para todos os casos. Talvez por não contar com os recursos modernos, o homem tentou no passado encontrar consolo valorizando a dor. Sofrer, como escreveu o poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), "é um divino remédio para as nossas impurezas". Várias religiões propagaram essa idéia: basta lembrar os sofrimentos da paixão de Cristo ou o martírio dos santos. Apenas em 1957, uma encíclica de Pio XII autorizou os médicos católicos a usar a morfina "em doses moderadas" para acalmar o suplício dos pacientes. Em geral, é sempre assim: no cinema, o bandido leva um soco e fica se contorcendo no chão; o herói leva um tiro, range os dentes, passa a mão na camisa ensangüentada e vai à luta. Isso porque permanece inconscientemente a idéia de que quem agüenta a dor é íntegro e corajoso. Mas, na hora H, ninguém quer ser admirado por agüentá-la. Só pessoas com distúrbios psíquicos, os masoquistas, sentem prazer na dor. A grande maioria quer é distância dessa sensação inapelavelmente desagradável. A princípio, porém, a dor aguda tem uma causa nobre, pois faz parte de um importante sistema de alarme do organismo, chamado nociceptor ou receptor de agentes nocivos. Na verdade, dor é uma interpretação cerebral de estímulos captados por estruturas nervosas existentes na pele, nos músculos e vísceras, encarregadas de registrar e comunicar qualquer anormalidade de pressão, temperatura ou eletricidade. Assim, quando um agente externo danifica o corpo, como um prego que fura o pé ou uma panela que queima a mão, sente-se uma dor que, primeiro, afasta a pessoa do que a machuca e, depois, a obriga a cuidar da região afetada. Da mesma forma, dores alertam para problemas internos: a digestão malfeita se manifesta em ardor no estômago, por exemplo. Existem ainda dores mais sofisticadas, que não se limitam a dar o alarme. A angina no peito informa que um infarto pode estar a caminho. É claro que todos têm uma certa consciência disso e, sentindo a queimação no peito, não saem correndo para buscar socorro, evitando esforços para o coração. Mesmo assim, o organismo parece tomar suas precauções; a dor típica no braço esquerdo dos cardíacos dificulta qualquer movimentação, praticamente obrigando a pessoa a ficar imóvel e, dessa maneira, poupar o coração em crise. Outro exemplo é o parto. A inesperada pontada na barriga da grávida - a dor da primeira contração - é que impede que a criança nasça na rua. Mas, além de ordenar a ida para a maternidade, essa dor tem outra função. Ser mãe é padecer de uma contração dolorosa do útero atrás de outra - ao menos, até que se tome anestesia. Em partos normais, para os quais o corpo da mulher naturalmente se prepara, a dor ajuda a expulsão da criança cada vez que obriga a mãe a contrair a barriga num espasmo. Quem não sente dor alguma - pessoas portadoras de uma doença congênita chamada analgesia - costuma ter muitos problemas no dia-a-dia e até morrer cedo. Felizmente, são raridades: não há mais que trinta casos registrados neste século no mundo inteiro. O primeiro deles, da década de 20 foi o de uma garotinha inglesa, Mary Andrews, que chegou em casa com uma perna inchada. Os médicos acharam que era mais um caso de reumatismo infantil. Depois de vários tratamentos fracassados, descobriram que a menina tinha três fraturas na perna - sem sentir dor; porém, ela caminhava normalmente e, por não ter sido imobilizada a tempo, a perna ficou defeituosa. Diz o ditado que a gente tem aquilo que dói. Pois foi o filósofo francês René Descartes (1596-1650), o mesmo que afirmou "penso, logo existo", quem primeiro desenhou um possível caminho da dor, que seria uma ligação direta da área dolorida até o cérebro. Não é bem assim, sabe-se hoje. As microestruturas nervosas que captam alterações que afetam o corpo estão ligadas a nervos que na verdade não seguem direto ao cérebro. Em primeiro lugar, o estímulo é desencadeado quando essas estruturas liberam para os nervos determinadas substâncias que formam uma corrente elétrica. Esta passa pela medula da espinha e só então segue para o cérebro ou, mais especificamente, para o tálamo, onde se tem as sensações. Aqui já se sente a dor, mas não se sabe ainda nem a intensidade nem o que a provoca. Enfim, não se interpreta a sensação - isso só acontecerá quando a informação alcançar o córtex cerebral, uma fração de segundo mais tarde. Os cientistas definem esse percurso como "processo ascendente da dor". O "processo descendente" é quando o cérebro, em resposta, manda socorro para a medula. O remédio orgânico são substâncias analgésicas que ou bloqueiam totalmente ou ao menos aliviam a dor. Isso acontece porque elas se encaixam como uma chave na fechadura nas substâncias que desencadeiam a informação dolorosa. Tais analgésicos, as endorfinas, foram descobertos em 1975 por cientistas americanos. Já se sabia que, estimulando com choques elétricos certas regiões cerebrais, conseguia-se um efeito analgésico. Os cientistas começaram a operar ratinhos usando esse estímulo como anestesia. Mas, para surpresa geral, os bichos continuavam sem demonstrar dor mesmo quando os choques eram interrompidos. Se fosse o mero estímulo de uma área do cérebro a causa da ausência de dor, esta deveria se manifestar com a interrupção dos choques. O fato de isso não acontecer indicava que existia algo mais - daí a descobrir que os choques estimulavam a produção de analgésicos naturais foi um passo. As endorfinas são muito parecidas com as drogas sintetizadas pelo homem, como a morfina. Acredita-se que a diferença na produção dos analgésicos biológicos - seja de indivíduo para indivíduo ou de situação para situação - faça da dor uma experiência pessoal e intransferível. Por exemplo, descobriu-se que, quando se está concentrado numa atividade qualquer e não na dor em si, a produção de endorfinas aumenta. O povo parece ter aprendido isso antes dos cientistas: quem, sentindo dor, já não ouviu o conselho: "Pense em outra coisa, que passa"? Os atletas são craques em driblar a dor: um jogador de futebol pode levar caneladas e continua em campo. Depois da partida, pode até chorar de dor. Mas só depois. A vida de quem se sente feliz também é menos dolorida. Está provado que aqueles que ficam deprimidos por algum motivo ou estressados têm sua produção de endorfinas diminuída. Com isso, a dor é percebida como se estivesse sob uma lente de aumento. De uma forma ou de outra, todos já puderam testar essa diferença do próprio limiar da dor: quando se está louco para ir a um encontro e aparece uma dor de cabeça, toma-se um comprimido, mas não se perde o programa; quando a perspectiva é um tedioso dia no escritório, a dor pode tornar o trabalho impossível. Tudo ainda leva a crer que a produção de endorfinas é maior no sexo feminino. Portanto, o ditado deveria ser "mulher que é mulher não chora", pois os homens nesse aspecto são o sexo mais frágil. As dores também tendem a provocar reações diferentes, conforme as origens de cada um. Ao levar um beliscão, um japonês, por exemplo, limita-se, regra geral, a retirar o braço; o mesmo beliscão num italiano costuma gerar um berreiro. Por mais cuidado que se deva ter com tais generalizações, as pesquisas indicam que os campeões mundiais de resistência à dor são os orientais; no outro extremo, estariam os italianos e os judeus. Os brasileiros, segundo os pesquisadores, estariam entre os mais resistentes. Resta saber se essas pessoas sentem a dor da mesma maneira, mas a demonstram de formas diferentes, ou se a produção de endorfinas pode ser influenciada pelo ambiente familiar e pela herança cultural transmitida na educação. Existem, é claro, regiões do corpo, como os olhos e os lábios. Mais sensíveis à dor - porque têm um número maior de nociceptores. Os cientistas acham que qualquer estrutura sensitiva pode desencadear a dor e não apenas os nociceptores especializados. Os corpúsculos de Ruffini, por exemplo, são microestruturas das células que enviam ao cérebro informações sobre temperatura. Se tremendamente excitados, quando se toca a língua em um líquido muito quente ou se encosta a mão num cigarro aceso, o cérebro interpreta a sensação intensa como dor. Enfim, como os nociceptores não atuam sozinhos, a intensidade de uma dor torna-se ainda mais relativa. Para a ciência - embora isso agrida a experiência concreta de cada um - não há dores menos ou mais dolorosas. Em matéria de intensidade da dor, não existe um campeão absoluto. Segundo uma teoria, a percepção seria também efeito da "memória de dor" - um conjunto de conceitos, lembranças e associações. Assim, um médico poderia sentir mais a dor de uma injeção que um paciente - por saber o que acontece exatamente e o que pode dar errado quando a agulha penetra na pele. Da mesma forma, índios que nunca tinham passado por tratamentos dentários nada sentiram numa extração sem anestesia - eles simplesmente ignoravam que aquilo ia doer. Ou seja, a antecipação da dor, causada pelo medo, influiria na intensidade da dor.Para medir uma dor, os médicos só contam com um instrumento: o relato de quem a sente. "Nossa filosofia é sempre acreditar no paciente". diz o neurologista Jorge Roberto Pagura, 39 anos, da Escola Paulista de Medicina. Há oito anos, ele fundou em São Paulo a primeira clínica particular do Brasil para tratamento da dor - não aquela que serve como alarme, mas as dores crônicas. "Elas não são um aviso. Elas são o próprio problema", diz. Quase sempre, segundo o neurologista, o diagnóstico é encontrado. "A dor tem uma razão fisiológica que deve ser tratada" explica Pagura "Muitas vezes, localizada a causa da dor o paciente é encaminhado a especialistas e fisioterapeutas - exercícios específicos e medicação resolvem mais de 70 por cento dos casos." O restante deve apelar para o bisturi. Só a cirurgia, por exemplo, descomprime o nervo trigêmeo, que desce das têmporas para os lábios, cuja dor chega a paralisar a face. Quem já sentiu diz que não há nada pior em matéria de suplício físico.As cirurgias, em geral, podem interferir de duas maneiras: interrompendo o processo ascendente da dor, ou seja, cortando os nervos que levam os sinais dolorosos, ou estimulando a produção de endorfinas mediante o implante de eletrodos na medula e no cérebro. Esses eletrodos são controlados por um marcapasso similar ao usado pelos cardíacos A dor de que os brasileiros mais padecem - sem falar, é claro, da dor-de-cotovelo - é a terrível dor de cabeça, mais especificamente a afamada enxaqueca. Os ambulatórios para tratamento dessa dor, existentes em muitas faculdades de Medicina do país, atendem uma média de quarenta casos por dia. Foi trabalhando num desses ambulatórios, o do Hospital dos Servidores Públicos de São Paulo, que o neurologista Célio Levymann acabou se especializando em dor de cabeça. "A cura de dores crônicas como a enxaqueca é fácil, desde que o diagnóstico seja adequado", diz ele.Os brasileiros consomem por ano 3 bilhões de comprimidos para dor de cabeça - sem dúvida uma enormidade, mas ainda assim dez vezes menos que os americanos. Os cientistas, porém, estão quase certos de que, em excesso, analgésicos eventualmente se viram contra o feiticeiro e, em vez de fazerem a dor sumir num piscar de olhos, como num passe de mágica, podem aumentá-la. Quem não tem crises freqüentes de enxaqueca pode optar por remédios sintomáticos, que aliviam a dor quando ela aparece. Para quem tem duas a três crises por mês - é a média dos casos, de acordo com Levymann -, a solução é prevenir, também com medicamentos, combinados conforme a situação. A mais famosa enxaqueca do Brasil pertence ao poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto, autor de Morte e vida severina e de Ode à aspirina. O que não falta são teorias para explicar a enxaqueca. A clássica é de que se trata de uma alteração na irrigação sanguínea do cérebro. Hoje. porém, também se leva em conta que, quando existe enxaqueca, há também uma alteração nos hormônios cerebrais que produzem as endorfinas. E estudos muito recentes mostram que os enxaquecosos, como dizem os médicos, têm uma tendência maior que as pessoas normais a formar coágulos sanguíneos. Isso faz muitos cientistas encararem essa dor como um problema hematológico, que diz respeito ao sangue, e não neurológico. Para o acupunturista Jou El Jia, de São Paulo, a dor - como prega a medicina tradicional chinesa - é cansada quando a energia que deve fluir, por todo o corpo fica estagnada ou não passa por um determinado ponto. As agulhas da acupuntura restabeleceriam o fluxo normal. O doutor Jou, porém. não discrimina as explicações da ciência ocidental para o fenômeno. "Embora a questão da energia seja fundamental para a tradição chinesa", diz, "estudos avançados provaram que as agulhas, na verdade, estimulam a produção das endorfinas, além de bloquear a chegada dos sinais de dor." O doutor Jou assegura que as agulhas eliminam qualquer dor em duas ou três sessões. Outros médicos, porém, afirmam que nem sempre esse tratamento oferece resultados positivos. "De fato". esclarece o doutor Jou, "as agulhas eliminam cólicas renais ou menstruais. Mas, se a pessoa está com a energia muito baixa, precisamos elevar esse nível, antes de tratar de outras dores mais complexas." Num livro publicado no começo do ano na França, L´homme sans douleur, o neurocirurgião Gabriel Mazar escreve com todas as letras que "a ciência possui todos os meios de dominar a dor, seja qual for a sua origem ou os órgãos afetados". Primeiro clínico parisiense a tratar da dor como tal, já em 1960 Mazar oferece um verdadeiro cardápio de alternativas médicas, algumas extremamente sofisticadas, para o combate à dor. Por exemplo, injeções de morfina no cérebro ou a coagulação de uma pequena área da medula espinhal, Mazar insiste em que mesmo pacientes desenganados podem ser poupados do sofrimento. Para ele, em suma, deve-se viver e morrer sem dor.

Armas do alívio

Uma vez diagnosticada, qualquer dor tem tratamento. Mesmo nos casos sem cura, pelo menos algum alívio temporário sempre se consegue. Eis as armas mais utilizadas nessa guerra sem fim:Fisioterapia - Indicada na maioria dos casos, sozinha ou ainda como tratamento auxiliar. Os resultados são positivos apenas quando o especialista encontra o ponto exato que está gerando a dor - assim se tira maior proveito dos exercícios.Acupuntura - A aplicação de agulhas em determinados pontos do corpo bloqueia a mensagem da dor para o cérebro e ainda estimula a produção das endorfinas. Em casos de dor muito forte, os acupunturistas intensificam o tratamento girando as agulhas aplicadas no paciente ou recorrendo a choques elétricos nesses pontos de dores. Em crianças, o raio laser pode substituir a agulha; no adulto, que tem a pele mais grossa, o laser não consegue estimular o suficiente.Cirurgias - Em casos graves, como as dores de câncer, drogas como a morfina estão sendo substituídas pela cirurgia que destrói a glândula hipófise: isso gera uma série de processos químicos no cérebro que impedem a sensação de dor.Estímulo transcutâneo - Diversos eletrodos são ligados ao corpo da pessoa para que ondas elétricas bloqueiem a dor. Serve apenas para as dores temporárias, como as do pós-operatório, pois ninguém sai por aí envolto em fios e eletrodos.Analgésicos - Não mexem com a causa, mas eliminam a sensação da dor, com substâncias que irão se juntar aos receptores nervosos, impedindo que captem os sinais dolorosos.


O circuito da dor

1) Um furo de prego, por exemplo, excita terminações nervosas especiais, os nociceptores, que então liberam substâncias químicas desencadeadoras de uma corrente elétrica
2) A corrente mensageira da dor percorre os nervos até chegar à medula espinhal
3) Da medula, vai para o tálamo, região cerebral onde a dor é sentida: nesse instante, a pessoa afasta o pé do prego
4) Três décimos de segundo depois, o estímulo alcança o córtex cerebral, onde a intensidade da dor é analisada. Aqui termina o chamado "processo ascendente da dor" com a ordem do cérebro de enviar substâncias para atenuar a sensação
5) A medula passa a liberar endorfinas, substâncias analgésicas biológicas produzidas pelo cérebro
6) As endorfinas, graças ao formato de suas moléculas, se encaixam com as substâncias que desencadeiam a corrente elétrica, ficando assim bloqueada a mensagem da dor.

Emoções doloridas

A pontada de susto no estômago, o aperto da paixão no peito, o nó na garganta da tristeza - sentimentos fortes estão associados à dor fisiológica. O suplício de uma saudade não é apenas uma imagem literária: machuca mesmo por dentro. Isso acontece porque, ao se emocionar, a pessoa perde parte do controle do sistema nervoso vegetativo, que comanda o funcionamento de diversos órgãos do corpo. Assim, desencadeia-se uma série de alterações drásticas e repentinas nas secreções em geral - daí o coração partido, por causa do disparo do hormônio adrenalina; eis também a razão orgânica da sensação de pancada no estômago que, na verdade, é uma contração súbita misturada a uma descarga extra de sucos gástricos. Tensão emocional automaticamente se transforma em tensão muscular e o corpo fica todo dolorido. Não há como não sentir essas dores - pois não há como não sentir emoções.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Grupo desmente dicas de saúde dadas por celebridades

29/12/2010 13h20 - Atualizado em 29/12/2010 13h20

Grupo desmente dicas de saúde dadas por celebridades
Sugestões incluem técnica de reabsorção de esperma, criada por lutador.
Sarah Harding, ex-Girls Aloud, disse que polvilha carvão na comida.


O jogador David Beckham é um dos palpiteiros
(Foto: Darren Staples/Reuters)Um grupo de campanha revelou nesta quarta-feira (29) a verdade sobre algumas das mais duvidosas dicas de saúde e boa forma feitas por artistas, pondo fim a ideias como a reabsorção de esperma e o uso de braceletes de plástico para aumentar a energia do organismo.

Em lista anual de abusos contra a ciência, o Sense About Science (SAS) desmentiu sugestões feitas por atores e estrelas do pop sobre dieta e exercícios, um esforço "para ajudar as celebridades a perceber onde estão errando e para ajudar o público a entender as alegações".

Na seção de saúde e fitness, o SAS notou que o jogador de futebol David Beckham e a noiva do príncipe William, Kate Middleton, foram vistos usando braceletes com hologramas que, segundo os fabricantes, podem melhorar a energia da pessoa.

O grupo também mencionou uma dieta usada pela top model Naomi Campbell e os atores Ashton Kutcher e Demi Moore. Na rotina da dieta, os seguidores sobrevivem apenas com maple syrup, limão e pimenta por duas semanas. Em entrevista concedida à apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, em maio, Campbell disse: "É bom limpar seu corpo de vez em quando."

"Muitas dessas alegações promovem teorias, terapias e campanhas que não fazem sentido científico", disse o SAS.

A pop star Sarah Harding, ex-Girls Aloud, disse à revista "Now" que ela polvilha carvão vegetal na comida, declarando: "Não tem gosto de nada e aparentemente absorve todas as coisas ruins e prejudiciais do corpo."


O ator Ashton Kutcher já seguiu dieta em que se alimentava apenas de maple syrup, limão e pimenta por duas semanas (Foto: AFP)
John Elmsley, cientista da área de química e escritor, disse que o carvão vegetal absorve moléculas tóxicas quando usado em máscaras de gás e tratamento de esgoto, mas que é "desnecessário quando se trata de uma dieta, porque o corpo já é bem capaz de remover qualquer 'coisa ruim e prejudicial'".

Uma colher de sopa de sêmen tem o equivalente de bife, ovos, limões e laranjas. Eu estou reabsorvendo isso no meu corpo, isso me faz gritar 'raaaaaah'"Alex Reid, lutadorUm dos destaques do SAS foi a dica do lutador de vale-tudo Alex Reid, que disse ao tabloide "The Sun" que costuma "reabsorver" seu esperma para se preparar para uma luta importante.

"É muito bom para um homem fazer sexo sem proteção desde que não ejacule. Porque eu acredito que todo aquele sêmen tem muita nutrição. Uma colher de sopa de sêmen tem o equivalente de bife, ovos, limões e laranjas. Eu estou reabsorvendo isso no meu corpo, isso me faz gritar 'raaaaah'", disse Reid.

John Aplin, cientista que pesquisa reprodução da Universidade de Manchester, disse que o esperma não pode ser reabsorvido quando já se formou nos testículos.

"Na verdade, o esperma morre após alguns dias, e o conteúdo nutricional da ejaculação é realmente pequeno", disse Aplin ao grupo SAS.

Para tentar combater os efeitos de algumas das mais ousadas dicas de saúde, o grupo de campanha SAS publicou suas próprias sugestões, "fáceis de lembrar para comentários de celebridades":

1) Nada está livre de componentes químicos. Tudo é feito de substâncias químicas, é só uma questão de elementos.

2) Desintoxicação é um mito de marketing. Nosso corpo se basta sem poções caras e dietas desintoxicantes.

3) As funções do organismo ocorrem sem estímulos externos.

4) Energia e boa forma vem de alimentos e exercícios. Não há atalhos.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Doador de 1º transplante de órgão bem-sucedido morre aos 79 anos

29/12/2010 16h36 - Atualizado em 29/12/2010 16h40

Doador de 1º transplante de órgão bem-sucedido morre aos 79 anos
Ronald Lee Herrick doou um rim ao seu irmão gêmeo.
Operação foi realizada no dia 23 de dezembro de 1954.


Richard Herrick, à esquerda, recebeu o rim do seu
irmão gêmeo, Ronald, em 1954. (Foto: AP)O homem que doou um rim no primeiro transplante de órgão bem-sucedido no mundo morreu na segunda-feira (27) aos 79 anos no estado americano de Maine. A saúde de Ronald Lee Herrick se deteriorou depois de uma cirurgia cardíaca realizada em outubro.

Herrick doou um rim ao seu irmão gêmeo, Richard, há 56 anos. Como eles eram gêmeos idênticos, não houve problema de rejeição.

A operação foi realizada no dia 23 de dezembro de 1954 e fez com que o irmão de Herrick vivesse por mais oito anos. O cirurgião responsável pelo transplante, Joseph Murray, ganhou um Prêmio Nobel.

domingo, 16 de janeiro de 2011

A HORA CORRETA PARA TOMAR ÁGUA !!!

A HORA CORRETA PARA TOMAR ÁGUA

Você vai ao bar e bebe uma cerveja.

Bebe a segunda cerveja. A terceira e assim por diante.

O teu estomago manda uma mensagem pro teu cérebro dizendo "Caracas véio... o cara tá bebendo muito líquido, tô cheião!!!"

Teu estômago e teu cérebro não distinguem que tipo de liquido está sendo ingerido, ele sabe apenas q "é líquido".

Quando o cérebro recebe essa mensagem ele diz: "Caracas, o cara tá maluco!!!"

E manda a seguinte mensagem para os Rins "Meu, filtra o máximo de sangue que tu puderes, o cara aí tá maluco e tá bebendo muito líquido, vamo botar isso tudo pra fora" e o RIM começa a fazer até hora-extra e filtra muito sangue e enche rápido.

Daí vem a primeira corrida ao banheiro. Se você notar, esse 1º xixi é com a cor normal, meio amarelado, porque além de água, vem as impurezas do sangue.

O RIM aliviou a vida do estômago, mas você continua bebendo e o estomago manda outra mensagem pro CÉREBRO "Cara, ele não pára, socorro!!!" e o CÉREBRO manda outra mensagem pro RIM "Véio, estica a baladeira, manda ver aí na filtragem!!!"

O RIM filtra feito um louco, só q agora, o q ele expulsa não é o álcool, ele manda pra bexiga apenas ÁGUA (o líquido precioso do corpo). Por isso que as mijadas seguintes são transparentes, porque é água. E quanto mais você continua bebendo, mas o organismo joga água pra fora e o teor de álcool no organismo aumenta e você fica mais "bunitim".

Chega uma hora q você tá com o teor alcoólico tão alto q teu CÉREBRO desliga você. Essa é a hora q você desmaia... dorme... capota...
Ele faz isso porque pensa "Meu, o cara tá a fim de se matar, tá bebendo veneno pro corpo, vou apagar esse doido pra ver se assim ele pára de beber e a gente tenta expulsar esse álcool do corpo dele"

Enquanto você está lá, apagado (sem dono), o CÉREBRO dá a seguinte ordem pro sangue "Bicho, apaguei o cara, agora a gente tem q tirar esse veneno do corpo dele. O plano é o seguinte, como a gente está com o nível de água muito baixo, passa em todos os órgãos e tira a água deles e assim a gente consegue jogar esse veneno fora".

O SANGUE é como se fosse o Boy do corpo. E como um bom Boy, ele obedece as ordens direitinho e por isso começa a retirar água de todos os órgãos. Como o CÉREBRO é constituído de 75% de água, ele é o q mais sofre com essa "ordem" e daí vêm as terríveis dores de cabeça da ressaca.

Então, sei q na hora a gente nem pensa nisso, mas quando forem beber, bebam de meia em meia hora um copo d'água, porque na medida q você mija, já repõe a água.

Texto retirado de "O bar do Zé".


Sabia que...
... tomar água na hora correta maximiza os cuidados no corpo humano?

2 copos de água depois de acordar ajuda a ativar os órgãos internos.
1 copo de água 30 minutos antes de comer ajuda na digestão.
1 copo de água antes de tomar banho ajuda a baixar a pressão sanguínea.
1 copo de água antes de ir dormir evita ataques do coração.

Por favor, passe o link desta mensagem ( http://bit.ly/fUFrhS ) para as pessoas que estima, assim evitaremos morte dos entes queridos...



http://bit.ly/fUFrhS





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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

História da Anestesia - Drogas

ÉTER, GÁS HILARIANTE, DOIS DENTISTAS E A INCRÍVEL HISTÓRIA DA ANESTESIA



E aí? Vamos ao dentista dar uma geral naquele dente que dói há tempos? Não? Por quê? Medo do motorzinho? Acha que vai doer? Vai não. Já temos anestesia. Abra a boca, relaxe e imagine como seria pouco menos de 200 anos atrás. Imaginou? Pois bem, nós lhe contamos: doía pacas. E isso para uma simples extração de dente. Para abrir a barriga, então, nem perca seu tempo imaginando. Era um tipo de cirurgia raramente praticado até o século 19. "Operar dentro do crânio, do tórax ou mesmo do abdome era praticamente impossível", conta o médico Moacyr Scliar em seu texto na revista Aventuras na História de setembro. E era impossível simplesmente porque não havia anestesia. Ou melhor, nenhum método anestésico conhecido até então era eficiente o bastante para permitir tal intervenção. "A qualidade básica do cirurgião era a rapidez", prossegue Scliar. "Ele tinha de lutar com a agitação dos pacientes, muitos dos quais eram amarrados. Os mais sortudos desmaiavam."

Os pacientes só deixaram de ser amarrados e desmaiar graças a dois dentistas norte-americanos: Horace Wells e William Thomas Green Morton. O primeiro ficou conhecido por utilizar o óxido nitroso - também chamado de gás hilariante - como anestésico. O segundo entrou para a história da medicina por protagonizar a primeira demonstração pública do éter numa cirurgia.

Wells trabalhava em Hartford, Connecticut. Em 11 de dezembro de 1844, aos 29 anos, sentou-se na cadeira de dentista de seu próprio consultório e ordenou a um colega que extraísse um dente siso que o incomodava. O procedimento não doeu nada. "Começou uma nova era na extração dentária!", exclamou Wells já com um dente a menos na boca. A nova era fora anunciada por conta do gás hilariante que ele inalara. Além de deixá-lo imune à dor, causou-lhe tremenda euforia e bem-estar.

O gás foi descoberto em 1776 pelo cientista e ministro presbiteriano inglês Joseph Priestley, o mesmo que já havia identificado e produzido o oxigênio em laboratório. Cerca de 20 anos depois, Humphry Davy, conterrâneo de Priestley e aprendiz de farmácia, testou em si próprio os efeitos da inalação do óxido nitroso. Teve uma sensação muito agradável. Sua dor de cabeça passou e sentiu um desejo incontido de rir - daí o nome gás hilariante. "Já que o gás hilariante parece possuir a propriedade de acalmar as dores físicas, seria recomendável empregá-lo contra as dores cirúrgicas", escreveu Davy.

A idéia de Horace Wells de usá-lo em extrações dentárias surgiu na noite anterior ao bem- sucedido 11 de dezembro de 1844. Wells atendia a uma animada palestra sobre os efeitos hilariantes do óxido nitroso quando, a certa altura, um dos alegres convidados - que havia inalado o gás - começou a correr feito doido entre os bancos do auditório. Suas canelas e joelhos ficaram ensangüentados, mas nenhuma dor lhe acometeu. Foi aí, então, que o astuto dentista percebeu a importância do que estava diante de seus olhos e decidiu ser sua própria cobaia na manhã seguinte.

Durante um mês, Wells fez fama e dinheiro na cidade com suas práticas indolores. Dezenas de clientes bateram à sua porta. Depois, rumou para Boston para realizar uma demonstração a um importante grupo de cirurgiões de Harvard. A apresentação fora acertada graças ao seu conhecido William Thomas Green Morton. Mas transformou-se num fracasso grandiloqüente. O dentista deveria extrair o dente de um aluno da universidade. A quantidade aplicada de óxido nitroso, porém, não foi suficiente. O voluntário gritou de dor (deve ter soltado vários impropérios também) e Wells foi posto para fora como charlatão e impostor. De volta a Hartford, quase matou um paciente. Caiu em descrédito, foi humilhado e terminou por abandonar a odontologia.

Já William Morton, seu colega, persistiria na idéia - só que, aconselhado por seu ex-professor de química Charles Thomas Jackson, substituiu o óxido nitroso pelo éter. O elemento era mais poderoso que o anterior e oferecia menos risco de causar asfixia. Morton utilizou-o com sucesso em animais, nos seus aprendizes e, não satisfeito, testou em si mesmo. Chegou também a realizar uma extração de dente.

Paciente Pronto
Em 16 de outubro de 1846, ele protagonizou uma demonstração pública durante uma importante cirurgia de pescoço no mesmo hospital onde Horace Wells fora execrado. Em seu livro A Assustadora História da Medicina, Richard Gordon conta que Morton entrou apressado na sala, "com seu novo inalador, um globo de vidro contendo uma esponja embebida em éter, com válvulas de couro para garantir o fluxo unidirecional para os pulmões do paciente". Quando o paciente ficou inconsciente, Morton se dirigiu a John Warren, o cirurgião, e disse: "Doutor, o paciente está pronto". A intervenção transcorreu sem nenhuma reação de dor por parte do enfermo. Ao término do feito histórico, Warren voltou-se para o auditório e afirmou: "Senhores, aqui não há truques". E mais: "Daqui a muitos séculos, os estudantes virão a este hospital para conhecer o local onde se demonstrou pela primeira vez a mais gloriosa descoberta da ciência."

Depois desse dia, o dentista assegurou para si a paternidade da anestesia - o termo foi sugerido pelo médico e poeta americano Oliver Holmes, mas já havia sido empregado por volta do ano 50 pelo grego Dioscórides. Sua invenção correu o mundo. Chegou à Europa no fim de 1846 e, no ano seguinte, aportou no Brasil, onde foi utilizada numa cirurgia feita pelo médico Roberto Jorge Haddock Lobo no Hospital Militar do Rio de Janeiro.

A epopéia, entretanto, não termina aqui. Morton queria royalties sobre o invento. Patenteou o éter - chamado por ele de letheon -, confeccionou panfletos e "contratou vendedores para vender o anestésico de costa a costa", como conta Richard Gordon. Seu plano de enriquecimento fácil, porém, fracassou. Charles Jackson, seu ex-professor, reivindicou uma parte nos lucros e os médicos de Boston ficaram fulos com a patente de uma substância capaz de aliviar o sofrimento humano. Para completar, relata Gordon, em 1852 o médico americano Crawford Williamson Long "anunciou calmamente que desde março de 1842 realizava cirurgias superficiais usando o éter como anestésico, quase cinco anos antes de Morton". "Depois de oito operações, ele abandonou o método com medo de ser linchado caso algum paciente morresse", conta Darcy Lima, professor de farmacologia e história da medicina na UFRJ.
Embora Crawford Long tenha sido o primeiro a praticar a anestesia geral pelo éter, nunca entrou na disputa direta pela autoria do procedimento e o mérito ficou com William Morton. Os dois, de qualquer maneira, revolucionaram a medicina e deram uma nova dimensão às cirurgias. Antes deles - e de Horace Wells também -, os tratamentos eram feitos à base de plantas e seus derivados, como as cascas de mandrágora, as sementes de meimendro, o ópio e a maconha (Cannabis), além de muita embriaguez pelo vinho. Eram métodos bastante precários e um tanto quanto ineficazes. Mas, ao menos, não havia o aterrador motorzinho...

Aspirina diária reduz risco de morte por câncer

07/12/2010 09h04 - Atualizado em 07/12/2010 09h24

Aspirina diária reduz risco de morte por câncer, diz estudo



Segundo pesquisa, consumo de 75 mg diários da droga reduziu em até 20% os riscos de morte.

Uma pequena dose diária de aspirina é capaz de reduzir substancialmente o risco de morte por uma série de tipos de câncer, segundo sugere um estudo britânico.

A pesquisa coordenada pela Universidade de Oxford verificou que uma dose diária de 75 mg reduziu em até 20% a chance de morte por câncer.

O estudo, publicado na última edição da revista científica "The Lancet", analisou dados de cerca de 25 mil pacientes, a maioria deles da Grã-Bretanha.

Especialistas dizem que os resultados mostram que os benefícios da aspirina comumente compensam os riscos associados, como aumento da possibilidade de sangramentos ou irritação do sistema digestivo.

Outros estudos já haviam associado a aspirina à redução dos riscos de ataques cardíacos ou de derrames entre as pessoas nos grupos de risco.

Mas acredita-se que os efeitos de proteção contra doenças cardiovasculares sejam pequenos entre adultos saudáveis. Também há um risco maior de sangramentos no estômago e no intestino.

Porém a pesquisa publicada nesta terça-feira afirma que, ao avaliar os benefícios e os riscos do consumo de aspirina, os médicos deveriam também considerar seus efeitos de proteção contra o câncer.

As pessoas que consumiram o medicamento tiveram um risco 25% menor de morte por câncer durante o período do estudo, e uma redução de 10% no risco de morte por qualquer causa em comparação às pessoas que não consumiram aspirina.

Longo prazo
O tratamento com a aspirina durou entre quatro e oito anos, mas um acompanhamento de mais longo prazo de 12.500 pessoas mostrou que os efeitos de proteção continuaram por 20 anos tanto entre os homens quanto entre as mulheres.

Após 20 anos, o consumo diário de aspirina ainda tinha o efeito de reduzir em 20% o risco de morte por câncer.

Ao analisar os tipos específicos da doença, os pesquisadores verificaram uma redução de 40% no risco de morte por câncer de intestino, 30% para câncer de pulmão, 10% para câncer de próstata e 60% para câncer de esôfago.

As reduções sobre cânceres de pâncreas, estômago e cérebro foram difíceis de quantificar por causa do pequeno número de mortes por essas doenças entre as pessoas pesquisadas.

Também não havia dados suficientes para analisar os efeitos da aspirina sobre cânceres de ovário ou de mama, mas os autores da pesquisa sugerem que a razão para isso é que não haveria mulheres suficientes entre as pessoas analisadas.

Mas estudos de larga escala sobre os efeitos da aspirina sobre esses tipos específicos de câncer estão em andamento.

O coordenador do estudo, Peter Rothwell, disse que ainda não aconselha os adultos saudáveis a começarem a tomar aspirina imediatamente, mas afirmou que as evidências científicas estão 'levando as coisas nessa direção'.

Segundo Rothwell, o consumo diário de aspirina dobra os riscos de grandes sangramentos internos, que é de 0,1% anualmente. Mas ele diz que os riscos de sangramento são 'muito baixos' entre adultos de meia idade, mas aumentam bastante entre os maiores de 75 anos.

Segundo ele, o tempo ideal para começar a considerar tomar doses diárias de aspirina seria entre os 45 e os 50 anos, por um período de 25 anos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Quem tem medo dos Clones ? - Clonagem

QUEM TEM MEDO DOS CLONES? - Clonagem



Em fevereiro de 2004, uma equipe de cientistas da Universidade Nacional de Seul, na Coréia do Sul, anunciou ter conseguido pela primeira vez clonar embriões humanos e desenvolvê-los até o estágio necessário para extrair células-tronco - células com capacidade de se transformar em qualquer tipo de tecido. A experiência torna mais próxima da realidade a clonagem humana completa, seja para fins terapêuticos, seja para fins reprodutivos.

A clonagem terapêutica possibilitaria, por exemplo, reconstituir a medula de um paraplégico ou substituir o tecido cardíaco de uma pessoa que sofreu infarto. Já a clonagem reprodutiva seria a tentativa de produzir uma cópia de um indivíduo - uma prática condenada pela maioria dos cientistas. Os pesquisadores sul-coreanos defendem a clonagem apenas para o combate a doenças e são contrários à clonagem reprodutiva.
A clonagem humana já havia sido anunciada anteriormente. Foi a primeira vez, porém, que os cientistas descreveram detalhadamente todos os passos de seu estudo. A técnica utilizada pelos sul-coreanos é semelhante à que criou a ovelha Dolly, em 1996, na Escócia. Eles coletaram óvulos de 16 mulheres, removeram o núcleo e colocaram no lugar o material genético de uma célula adulta das doadoras. Depois, usaram uma combinação química para simular um efeito semelhante a uma fecundação. A técnica funcionou em parte dos óvulos. Eles desenvolveram-se até chegar ao estágio de embriões de cinco dias, chamados blastocistos, um conjunto de cerca de 100 células. De alguns desses blastocistos os cientistas conseguiram retirar as células-tronco, que dão origem a diferentes órgãos na formação do feto. A técnica é polêmica porque, para obter as células-tronco, é necessário destruir embriões humanos. O Vaticano comparou o experimento à ação nazista em campos de concentração. "Não se pode destruir a vida humana na esperança de encontrar remédios para salvar outras vidas", afirmou o monsenhor Elio Sgrecia.

Sinal amarelo
Primeiro animal clonado a partir da célula adulta de um mamífero, a ovelha Dolly nasceu em 5 de julho de 1996, em um experimento conduzido pelo Instituto Roslin, de Edimburgo, na Escócia. Anunciada como um verdadeiro "milagre" da ciência, Dolly logo se tornou a ovelha mais famosa do mundo. De aparência externa normal, o animal nasceu, porém, com anomalias cromossômicas. Em 1999, os cientistas perceberam que as células de Dolly sofriam de envelhecimento precoce. Em 2002, quando estava com 5 anos e meio, foi diagnosticado que ela sofria de artrite. Finalmente, em fevereiro de 2003, depois de desenvolver uma doença pulmonar progressiva, típica de ovelhas com o dobro da sua idade, Dolly teve de ser sacrificada.
A morte prematura do animal acendeu uma luz amarela para os riscos da técnica de clonagem, ainda mais diante dos rumores de que a empresa Clonaid, ligada a uma seita religiosa, já teria clonado bebês, embora nunca tenha apresentado comprovação científica. O cientista escocês Ian Wilmut, do Instituto Roslin, considerado o "pai da Dolly", manifestou-se várias vezes contra a clonagem reprodutiva de seres humanos, pelos riscos envolvidos. Para ele, "seria completamente irresponsável pensar em produzir uma pessoa". Wilmut, no entanto, em artigo publicado em fevereiro deste ano na revista New Scientist, mostrou-se menos inflexível em relação ao uso da técnica para finalidades terapêuticas. "A clonagem pode oferecer tantos benefícios que seria imoral não fazê-la", escreveu Wilmut.

O impacto da descoberta
A clonagem de embriões humanos abre a possibilidade de, no futuro, uma pessoa usar suas próprias células para curar doenças, graças à capacidade das células-tronco de se transformar em tecidos. Mas a técnica envolve várias questões legais e éticas

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os Cientistas das prateleiras- Remedios

OS CIENTISTAS DAS PRATELEIRAS



Houve um tempo em que se vendia ópio como remédio para acalmar as crianças nos Estados Unidos. Na mesma época, anúncios publicitários ofereciam remédios infalíveis para a cura do câncer. Era o final do século 19, quando o governo americano deixava o mercado seguir seu rumo e a indústria farmacêutica aproveitava para ganhar dinheiro com todo tipo de doença, tivesse ela um remédio ou não. Responsabilidade social e lucro até deveriam caminhar juntos, mas o segundo teimava em andar na frente, a passos bem mais largos. O problema atingia toda a indústria, porém, com alimentos e remédios ineficientes, os danos causavam mortes.

A solução para essa concorrência selvagem e desleal foi a criação de uma das agências governamentais mais famosas e influentes do mundo, a FDA (sigla em inglês para Administração de Comida e Drogas). Em 2003, cerca de 20% de tudo que os americanos consumiram - uma quantia que chega a 1,5 trilhão de dólares - precisou ser aprovado por esse órgão. Não é um assunto apenas americano. Se os brasileiros hoje podem entrar na farmácia ou no supermercado e comprar produtos sem ter a preocupação de terminar no cemitério, muito se deve ao trabalho pioneiro da FDA. Sabe aquelas informações nutricionais que aparecem nas embalagens? A lei que obriga as empresas a publicá-las foi uma das muitas normas influenciadas por ações bem-sucedidas da agência americana. "Ela é uma das nossas grandes inspirações", diz Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques, diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (veja o quadro na página YY).

O impressionante é que uma agência governamental tão importante só tenha surgido no final do século 19 e, mesmo assim, por causa de tragédias com produtos picaretas. Por que teve de ser assim? Essa é a história do livro Protecting America’s Health ("Protegendo a Saúde da América", inédito em português), de Philip J. Hilts, uma "biografia" da FDA. Além de levantar os escândalos e as mortes causados pelos produtos "tabajaras", Hilts diz que a agência só pôde ser criada no século 19 porque antes ninguém sabia como avaliar os alimentos. A ciência não havia se desenvolvido a ponto de descobrir se comidas ou remédios eram saudáveis ou se haviam sido adulterados.

Existiam também barreiras administrativas. Naquela época, a fiscalização de mercadorias era feita pelos estados americanos, cada qual com regras mais ou menos rígidas. De um modo geral, não pegava bem tentar limitar o mercado: a liberdade de comércio era sagrada nos Estados Unidos e as leis de regulamentação não eram toleradas pela política conservadora da época. A primeira vez que se tentou fazer isso foi em 1867, quando a recém-criada Divisão de Química do Departamento de Agricultura começou a investigar as fraudes de produtos agrícolas. Os trabalhos dessa equipe eram tímidos e talvez continuassem assim se, 16 anos depois, a chefia do órgão não fosse passada ao médico Harvey Washington Wiley - o grande herói da regulamentação de alimentos.

Antes de fazer história, no entanto, ele precisou fazer ciência. Obstinado pelo conhecimento científico, ele expandiu a área de pesquisa da Divisão de Química. Na época, a ciência americana estava atrasada em relação à européia. Os Estados Unidos não tinham sequer um departamento de saúde, nem métodos de angariar dinheiro para as pesquisas. Os empresários desprezavam o conhecimento científico, principalmente se os acadêmicos cruzassem o caminho de seus negócios. Mesmo assim, Wiley iniciou os experimentos com alimentos e remédios, testou os efeitos de conservantes químicos no corpo humano e publicou tudo no documento Foods and Food Adulterants (Comidas e Adulteradores de Comida), publicado entre 1887 e 1902. Eram denúncias contra as práticas dos "barões ladrões", como ficaram conhecidos os empresários inescrupulosos, acostumados a usar conservantes que mudavam a cor e o sabor, camuflavam a putrefação e prorrogavam o prazo de armazenamento. Wiley mostrou que, entre as propriedades dessas substâncias, estava também a de causar perda de apetite, enjôos, indigestão, dores de cabeça, problemas intestinais e letargia.

A Divisão de Química não tinha autonomia e autoridade para conter esses abusos e, por isso, o relatório de Wiley foi uma estratégia inteligente para despertar a opinião pública. Pouco a pouco, diversos estados editaram leis de regulamentação dos mercados de alimentos e medicamentos. A imprensa percebeu que tinha uma boa história naquelas denúncias e, em 1906, publicou várias reportagens mostrando as péssimas condições sanitárias das fábricas de carne embalada. A pressão fez o presidente Theodore Roosevelt assinar uma lei que dava poderes de administração, regulação e fiscalização ao já então renomeado Bureau de Química. O ato presidencial ficou conhecido como Wiley Act.

A indústria achava um absurdo a intromissão do governo no mercado, mas a briga só esquentou quando passou a envolver um coisa séria e essencial a todo americano: o ketchup. O conservante mais usado nele, o benzoato de sódio, estava na lista das substâncias proibidas de Wiley. Não era um composto essencial - podia ser substituído por regras simples de higiene -, mas representava tudo que incomodava os barões. Muitos deles patrocinaram uma campanha nacional contra Wiley, enviando artigos difamatórios a jornais e revistas. Organizaram também um painel de "especialistas" no assunto que concluiu que o benzoato era seguro. Para vencer o duelo, Wiley obteve um projeto de lei que tirava o valor legal desses cientistas da indústria. Os esforços dos barões tiveram ao menos uma vitória: cansado das pressões políticas e das campanhas difamatórias, Wiley renunciou ao cargo em 1912.

Com os alimentos sob controle, o próximo alvo eram os anúncios de remédios. O Bureau de Química controlava os produtos das farmácias, mas não apitava nada em relação à propaganda que se fazia deles. Para tirar do mercado as drogas que prometiam curas milagrosas, o órgão - que a partir de 1930 ganhou o nome de FDA - precisaria do longo e caro trabalho de provar que elas só prejudicavam os consumidores. Seria quase impossível, se uma série de calamidades causadas pela indústria não tivesse revoltado a população.

Em 1937, o laboratório Massengill lançou com sucesso o antibiótico Elixir Sulfanilamide, um alívio para algumas infecções infantis. Para apressar o lançamento, a empresa não fez testes rigorosos com o solvente do produto, o dietilenoglicol. Era um álcool tóxico que causou a morte de pelo menos 100 pessoas, a maioria crianças. O escândalo chocou os Estados Unidos e, um ano depois, o presidente assinava o Food, Drug and Cosmetic Act (Ato de Comidas, Drogas e Cosméticos). A norma determinou que só poderiam ser vendidos no mercado remédios pré-aprovados pela agência. Também endureceu contra a publicidade enganosa, que passou a ser fiscalizada por uma comissão federal.

Em 1938, uma emenda obrigou a indústria a informar o nome genérico e os efeitos colaterais dos remédios nas embalagens. Também determinou a renovação periódica da licença dos fabricantes. Na época, era pedir demais. A indústria reforçou o lobby no Congresso para derrubar as medidas e dar uma meia-trava nessa história de regulamentação. Quem veio em socorro da FDA foi, mais uma vez, uma tragédia: a introdução nos Estados Unidos da talidomida, um sedativo prescrito para atenuar enjôos em mulheres grávidas. O laboratório que trazia a novidade da Alemanha forjou dados para obter a aprovação da FDA. Na verdade, não havia nem começado os testes em animais e usou como "cobaias" 20 mil pacientes americanos. No mesmo ano, apareciam na Europa os primeiros casos de nascimentos de bebês com focomelia - ausência de ossos longos nos braços e nas pernas. Nos hospitais americanos nasceram, oficialmente, 40 crianças com os braços curtos e grudados ao corpo graças ao sedativo. A contagem extra-oficial chega às centenas.

A tragédia deixou claro que a ação da FDA era essencial. A partir daí, a agência criou uma base tão sólida que, apesar de uma ou outra ação isolada, não houve lobby da indústria capaz de derrubá-la. A FDA ampliou a equipe de pesquisadores e passou a prestar consultoria às empresas que já haviam percebido o quanto a fiscalização contribuía para a credibilidade de seus produtos. O trabalho se reforçou com leis: em 1962, o presidente John Kennedy assinou uma norma que obrigava os laboratórios a mostrar cientificamente que seus produtos eram seguros e eficazes, além de manter registros de todos os testes. Foi aí também que se determinou que experimentos em humanos só seriam permitidos com o consentimento dos pacientes (é, foi preciso uma lei para isso). Só quando reunissem essa papelada é que a FDA liberaria o lançamento de um remédio.
Hoje não há quem discuta a importância da regulamentação, mas as polêmica ainda fazem parte do dia-a-dia da agência. A mais recente diz respeito aos transgênicos - uma questão parecida com aquelas que atingiam Wiley no século 19. Temos como provar a segurança total desses produtos? Devemos usar qualquer incerteza para proibir uma tecnologia capaz de nos trazer mais alimentos? A FDA foi uma das primeiras agências a liberar esse tipo de produto - uma postura polêmica, adotada por alguns países e criticada por outros. De qualquer forma, o que a FDA mostrou para o mundo - e que ninguém discute - é que a regulamentação com base científica é essencial.